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domingo, 29 de agosto de 2010

Viver de Modo Agradável - Vivamos de Modo Agradável - Pg. 63

"Mesmo uma paisagem que comumente é muito feia parece bonita quando amanhece coberta pela neve, porque o 'manto' macio e branco esconde todas as impurezas. Mas, quando os raios do Sol derretem a neve, coisas velhas e sujas reaparecem, tornando evidente que a sujidade não desapareceu e que o local não ficou limpo.
Usei este fato como uma metáfora para explicar que, também na vida, de nada adianta esconder os defeitos e os erros. Por mais que tentemos ocultá-los adornando-nos por fora, os esforços serão inúteis. Portanto, em vez de tentar camuflá-los, devemos concentrar os esforços em melhorar por dentro, praticando o bem. Sempre que descobrirmos uma falha em nós próprios, devemos corrigi-la imediatamente.
É desnecessário mentir para ocultar o erro cometido. Algumas pessoas me perguntaram: 'E no caso de alguém me mandar dizer o que não deve ser dito, como devo proceder?'. Talvez haja quem pense que, em tal circunstânicia, é natural optar por fazer declarações falsas, mas não convém agir desse modo. É melhor dizer, por exemplo: 'A respeito disso, nada posso dizer nesse momento'. Existe uma frase útil, bastante usada, que é 'Sem comentários', cujo significado é o mesmo que 'nada a declarar'. Se as personalidades importantes do governo fossem obrigadas a responder a todas as perguntas dos repórteres, é provável que a política mundial se tornasse caótica.
Talvez algumas pessoas contestem: 'Quer dizer que vale ocultar certos fatos?'. Quero deixar claro que esconder os erros e as falhas é diferente de não revelar certas questões da vida íntima, o que é uma atitude natural. Ninguém faz suas necessidades fisiológicas diante de outras pessoas. Todos as fazem discretamente, num lugar adequado, longe das vistas alheias. Trata-se de uma conduta natural, muito diferente de ocultar ou camuflar os erros. É também natural as pessoas não mostrarem a sua nudez em público. Isso faz parte das regras de boas maneiras e nada tem a ver com falsidade.
Deus não revela tudo a nós, seres humanos. Por isso, você não sabe até que idade vai viver, nem tem ideia de quem vai ser seu cônjuge e onde esta pessoa está atualmente. São coisas que não podem ser reveladas agora. No momento certo, você saberá de modo natural. Devemos todos ter uma conduta natural, praticando atos naturais com honestidade, alegria e prazer. Não devemos tentar ocultar a todo custo os nossos erros e as nossas falhas, mas também não precisamos escancará-los propositadamente.
As pessoas tendem a se preocupar com questões sem importância, receiam os pontos de vista e as críticas dos terceiros e, com isso, gastam energia e se estressam. Em consequência, reincidem nos erros, afligem-se e, muitas vezes, acabam adoecendo. São muitas as pessoas que vivem receosas das mais variadas coisas e, por causa disso, adoecem, cometem erros ou sofrem ferimentos. Devemos todos viver de modo condizente com a nossa natureza original de filhos de Deus, ou seja, viver com dignidade, honestidade e coragem. Não ocultar a verdade nem dizer mentiras - esse é um modo de viver que proporciona satisfação pessoal e bem-estar espiritual."

Com essas palavras o professor Seicho Taniguchi encerra o livrinho e nós encerramos o estudo do terceiro livro dele, após "O Modo Feliz de Viver" e "Convite Para a Felicidade"... o que podemos deste último capítulo apreender?

É mais ou menos como o resumo de toda a obra. Afinal de contas, viver de modo agradável significa, em poucas palavras, apenas isso: viver de forma natural. Simples, não? Mas como é viver desta maneira?

Faço aqui uma reflexão: sou advogado, e amiúde vou dormir (ou pior, acordo) ruminando problemas de importância transcendental como prazos de contestação e de uma apelação, por exemplo. Listo, antes das seis da matina, todos os meus afazeres, algo que só vou, efetivamente, fazer, mais de três horas depois. Não digo que isso é uma constante, mas esse seria, digamos, o modo natural de um advogado viver seu cotidiano, não?

E, vejam bem, já tive colegas que chegaram ao cúmulo de sonhar (isso mesmo, sonhar!) com determinados prazos... isso é que é dedicação fulltime ao trabalho, isso é que é ser workaholic!

Bom, mas respondam a minha última pergunta do penúltimo parágrafo: isso é o modo natural de um advogado viver seu cotidiano? A resposta é NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!! Ou melhor, um advogado até pode, mas um filho de Deus, NÃÃÃÃÃÃOOOO!!!

Aplico este exemplo ao meu caso, mas agora convido todos os meus diletos leitores a fazer a mesma reflexão. Quantos de nós deixamos de viver de modo natural por problemas facilmente solúveis que tendemos, sempre, a enxergar com o mais potente microscópio de nossas ilusões?

Fica aqui a lição: viver de modo agradável é viver de modo natural. E viver de modo natural exige, por mais paradoxal que seja, prática. Isso mesmo, prática e reeducação mental para discernir o que é verdadeiro e o que é ilusório em nossa vida. Como cantavam os Titãs, "devia ter me importado menos com problemas pequenos..."

Aliás, vamos encerrar este post com esta bela canção? Acessem então http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs... leiam os comentários que se seguem e vejam que a busca por uma vida natural não é exclusividade apenas dos praticantes da Seicho-No-Ie!

E ao som deles me despeço de mais este estudo! Muito obrigado, e até o próximo estudo!

sábado, 28 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - Tudo Amadurece - Pg. 59

"Quando era jovem, eu pensava que a beleza da mulher desaparecias com o passar dos anos. Mas, à medida que fui avançando na idade, percebi que a beleza da mulher permanece mesmo com o passar do tempo. Compreendi que o âmbito do belo é muito amplo e que em cada faixa etária - infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice - as pessoas têm a beleza própria da idade.
Tornar-se idoso é ver ampliado cada vez mais o âmbito do amor; é notar cada vez mais a existência do belo e compreender que tanto as crianças e os jovens como os idosos têm a beleza peculiar à idade. Indo ao exterior, será possível perceber a beleza dos estrangeiros, como também apreciar as belas paisagens locais.
Posso ficar encantado com a beleza estrangeira, mas isso não quer dizer que deixo de admirar a beleza em meu país. Meu país continua belo, e as suas peculiaridades me tocam o coração. O que quero dizer é que, ampliando o âmbito do conceito de belo, torna-se possível compreender cada vez mais as diferentes formas do belo.
A mulher também passa a compreender melhor a beleza masculina quando amplia a mente. Ampliando a mente, as pessoas tornam-se capazes de compreender a diferença entre as qualidades femininas e as qualidades masculinas. Compreendem que ambas têm a mesma importância, apesar das diferenças, e que elas não se confrontam, e sim complementam-se.
Portanto, o movimento feminino não deve consistir em suscitar antagonismo e rivalidade contra os homens; pelo contrário, deve ser um movimento para que as mulheres colaborem com os homens, valorizando as próprias qualidades e mostrando suas peculiaridades e sua autonomia. Devemos todos cuidar para não ter a mente estreita e egocêntrica. O correto é ter a mente ampla, flexível, compreensiva e bem organizada.
As três organizações da Seicho-No-Ie, que são as Associações Pomba Branca, Fraternidade e dos Jovens, já existem há bastante tempo, e creio que se tornaram organizações de mentalidade ampla, de uma beleza profunda, de natureza espiritual. Em outras palavras, amadureceram com o passar dos anos.
Se ainda existirem alguns pontos imaturos, certamente serão corrigidos logo. As organizações amadurecerão e conseguirão descobrir diversas expressões do belo e do bem deste mundo, que antes passavam despercebidas. E, com certeza, elas se fortalecerão cada vez mais e desenvolverão atividades que têm grande poder de atrair as pessoas.
Quando as Associações amadurecem, tornam-se fortes e atraentes; assim, é natural que consigam reunir idosos, jovens, homens e mulheres. Consequentemente, nossas atividades se tornam imbatíveis, onde quer que sejam realizadas.
Eu consigo ver beleza nas mulheres idosas, e também admiro sinceramente a beleza das que estão no auge da maturidade. Espero que a Associação Pomba Branca seja sempre uma organização dinâmica que, mesmo com o passar do tempo, não perca a beleza, tornando-se cada vez mais profunda e apurada. Digo o mesmo a respeito da Associação Fraternidade e da Associação dos Jovens."

Amadurecimento é o tema deste capítulo, amadurecimento analisado em várias vertentes. O amadurecimento é o progredir do arroubo da juventude para a idade madura. Lembro-me da frase de Victor Hugo: "Nos jovens arde a chama, nos velhos brilha a luz". É bem por aí. Na realidade, chama e luz são dois extremos altamente desejáveis, e em vários momentos da nossa vida necessitamos, ora da chama, ora da luz...
O amadurecimento também significa estabilização e auge de uma determinada situação ou condição. O Machado de Assis maduro é bem melhor do que o jovem; imagine se dessem para o pequeno Quincas, batedor de sino nas Igrejas do Centro do Rio há século e meio atrás, um bloco de papel e uma breve ideia para o mesmo escrever Dom Casmurro? Certamente a ideia não vingaria, não?
Ainda no campo da Literatura, soube outra ocasião que o "Fausto" de Goethe levou uma vida inteira, isto mesmo, uma vida inteira para ser escrita. Isso porque o autor nunca se sentia satisfeito com sua obra, que, afinal de contas, é um dos colossos da literatura mundial...
E para alcançarmos a maturidade não há outro jeito, senão esperar. A perseverança é favorável, a prática idem. E prática sem pressa, sem querer queimar ou passar por cima de etapas...
E assim iremos, como a própria SNI, progredindo infinitamente, amadurecendo também infinitamente...

domingo, 22 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - A Flexibilidade E A Dureza - Pg. 55

"Existe o ditado: 'A flexibilidade acaba vencendo a dureza'. Essa frase expressa a verdade. O aço é duro e, após forjado, pode se tornar uma espada excelente, de corte excepcional. Mas nem mesmo uma espada da mais alta qualidade consegue cortar todas as coisas. Por exemplo, ela não consegue cortar coisas fluidas, como o ar. Quando o ferro e a pedra se chocam, saem faíscas. Mas o ferro não consegue bater contra o ar, que é um meio fluídico. Tanto o ferro como a pedra jamais conseguem vencer o ar.
Existe outro ditado: 'A água amolda-se à forma do recipiente'. Colocada num vaso quadrado, a água toma a forma quadrada; colocada num vaso triangular, toma a forma triangular, e assim por diante. Graças à sua fluidez, a água se infiltra no solo passando por frestas minúsculas, beneficia todas as coisas, vivifica e sustenta todos os seres.
Também a mulher, contanto que não perca as suas características naturais que são a flexibilidade e a suavidade, consegue introduzir-se sutilmente em todos os meios, vivificar e cultivar muitas coisas, e merecer o elogio de seu uma criatura mais bela e sublime deste mundo, do mesmo modo que o ar e a água são considerados fonte de Vida e tratados como elementos essenciais.
Parece que nos dias atuais, a mulher, que é uma criatura valiosa por ser flexível e suave, insiste no esforço de perder essas características naturais, querendo imitar o homem. Mas, no que concerne à força física, a mulher não consegue rivalizar-se com o homem, por mais que tente. Isso é comparável ao fato de que a água, mesmo que solidifique e se torne um cubo de gelo bastante duro, não será capaz de quebrar um pedaço de ferro. Também o ar, quando perde suas caracterísiticas naturais, não serve para a respiração do ser humano. Por exemplo, o ar líquido é utilizado na fabricação de explosivos.
Existem casos de mulheres capazes de superar os homens na força e na resistência: já surgiram lutadoras profissionais de força surpreendente, mulheres enérgicas atuando no mundo político, ditadoras e tiranas que não hesitaram em destruir muitas pessoas etc. Mas foram casos excepcionais.
Não devemos misturar as particularidades com a generalidade. Se as pessoas tiverem a ideia equivocada de que a libertação da mulher só se consegue com a perda de suas características naturais, a humanidade sofrerá sérios danos, e poderá ocorrer uma grande destruição na Terra.
A característica original da mulher é a flexibilidade, e a do homem é a dureza. Ambos são valiosos por própria natureza. É desnecessário se esforçar em assumir um aspecto que não é natural. No ditado 'A flexibilidade acaba vencendo a dureza' está subentendido que a flexibilidade controla a força, estabelece o equilíbrio e a harmonia. Havendo equilíbrio e harmonia, todos os lares se tornam felizes e, como consequencia, passa a reinar paz no mundo.
O fato de a água amoldar-se à forma do recipiente não a coloca numa posição inferior à do recipiente. Mas isso não significa que é superior. Tanto o recipiente como a água têm o respectivo valor. Ambos são necessários. Se temos água mas não dispomos de recipiente, não podemos transportá-la. Se temos recipiente mas não dispomos de água, não podemos matar a sede.
Esta vida assume um aspecto perfeito somente quando a flexibilidade e a dureza ajudam uma a outra, unem-se e se complementam, contribuindo com as respectivas caracterísiticas. Assim, 'é feita a vontade de Deus, tanto na terra como no céu'. Mantém-se a diferença essencial, mas tanto a flexibilidade quanto a dureza são igualmente respeitadas e valorizadas."

Belo trecho este, ainda mais para mim, que no final de setembro darei palestra no Departamento Feminino e, confesso, pouco sei ainda sobre alguns aspectos da feminilidade dentro da SNI. Mas este capítulo nos dá algumas mostras do que vem a ser. Entretanto, cabe aqui algumas reflexões interessantes, acompanhem:
1. Muito embora o professor Seicho tenha tecido as mais altas loas às características da flexibilidade e da dureza, ele excetua, em especial do lado feminino, algumas situações em que flexibilidade e dureza não necessariamente sejam aspectos femininos e masculinos, respectivamente, o que corrobora a tese da SNI de que é preciso abolir o "tem que ser assim";
2. Outro ponto interessantíssimo a meu ver é a paridade de condições que a SNI concede ao homem e a mulher, em suas características básicas, a saber, a necessidade de ser duro e a necessidade de ser flexível. Reparem ainda que o capítulo realça mais o aspecto da flexibilidade, o que significa que é um capítulo que resgata esta importante condição feminina, a de amoldar-se às situações. Amoldar-se, neste ponto, assemelha-se muito ao chamando hainikopon, a aceitação de tudo e à submissão ao centro, no caso o homem (soa machista, e amiúde é machista, no sentido de aceitar o homem como o cabeça do relacionamento, do ponto de vista feminista);
3. Por fim, uma reflexão extra-texto: por que razão Deus ou a gente, no mundo fenomênico, criou a dualidade? Se num nível maior somos todos um perante Deus, aliás, somos um COM Deus, porque quando descemos a este mundo existe a bipolaridade: dois sexos, dois pólos, duas caracterísiticas, o bem e o mal, espírito e matéria? Em alguns casos, um complementa o outro, em outros, um anula o outro. Porque será isso? Reflitamos um pouco. Quem souber a resposta, por favor, comente neste blog!

sábado, 21 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - Manifeste a Mente Verdadeira - Pg. 51

"Ao ler os livros da escritora Aiko Sato, deparo com vários trechos que me fazem sorrir. Ela passou por dois casamentos conturbados, mas nota-se que superou a dolorosa experiência de ter passado duas vezes por uma vida conjugal difícil e pelo sofrimento do divórcio, pois é uma pessoa descontraída e agradável.
Segundo ela, muitas pessoas já lhe disseram que o nome 'Aiko Sato' não é bom e sugeriram mudá-lo. Mas ela diz que não vai mudar de nome, de jeito nenhum. Parece pensar calmamente: 'Já que dizem que o nome 'Aiko' não é bom, quero mantê-lo e verificar até que ponto isso é verdade'.
O rumo de vida de uma pessoa não é determinado pelo seu nome, pela posição de sua casa ou por um acaso. Ninguém deve pensar que se tornou infeliz porque seu nome é ruim. É a mente da própria pessoa que determina o rumo de sua vida.
Pode ser que o destino ruim de uma pessoa apareça no aspecto negativo dos traços fisionômicos, das linhas da palma da mão, do nome etc. Isso porque a pessoa atrai para si coisas que combinam com seu estado mental e as projeta no aspecto físico. Por exemplo, uma pessoa sovina usa roupas modestas porque não quer gastar dinheiro. Com isso, não somente o seu visual, mas também os seus traços fisionômicos revelam a avareza.
Por outro lado, mesmo que essa pessoa apareça com uma roupa luxuosa, não significa que deixou de ser sovina, pois talvez esteja apenas fingindo, usando a roupa de alguém.
Se fosse verdade que a mudança de nome melhora o destino, ninguém precisaria estudar e trabalhar; bastaria mudar de nome para ter um bom destino e levar uma boa vida. É óbvio que isso é uma tolice. Se fosse verdade que a má posição da casa traz a infelicidade, bastaria fazer uma reforma para atrair a felicidade. Será que os estudiosos dos traços fisionômicos, do nome ou das posições das casas são todos sortudos e felizes? Não é bem assim.
Muito tempo atrás, a sra. Aiko Sato consultou um adivinho, e este lhe disse que o sobrenome 'Sato' não era bom e nome 'Aiko' era pior. No entanto, o sobrenome do próprio adivinho era também 'Sato'. Na ocasião, a sra. Aiko Sato lhe perguntou: 'Então, por que o senhor não adotou outro sobrenome?'. Ele respondeu: 'Vivo muito atarefado e não tive tempo de tomar essa providência. 'Em casa de ferreiro, espeto de pau', não é o que dizem?'. De fato, existem muitos médicos que não cuidam da própria saúde, religiosos que não creem em Deus, e assim por diante. Diante disso, as pessoas ficam desorientadas, sem saber em quem confiar.
Mas é desnecessária a preocupação. O destino do ser humano é traçado pela mente. Mudando a mente, tudo muda. A mente verdadeira de todas as pessoas é a mente de Deus. Portanto, leitor, você não precisa se preocupar. O que deve fazer é procurar sempre expressar com naturalidade a mente verdadeira. Originalmente, você é franco, honesto, gentil e afetuoso. Se você manifestar plenamente essa mente verdadeira, com certeza o seu destino mudará para melhor."

Coisa engraçada essa tal de mente... uma das coisas que mais admiro no budismo é o fato de que ele, bem antes do Cristianismo e muito, mas muito tempo antes do advento da psicologia, descobriu essa coisa fugidia e instável chamada mente. Como podemos conceituar a mente? Deixem-me pegar o dicionário para dar uma definição, digamos, lexical...
Nosso bom Silveira Bueno que adorna uma de minhas estantes nos informa que mente é uma "faculdade da alma; espírito; intelecto, disposição; imaginação; intuito; aspecto psicológico das funções biológicas do organismo, segundo Noyes".
Desconheço quem é o senhor Noyes, mas vejo que ele, como todo e bom materialista que se preza, troca o efeito pela causa, atribuindo à mente o papel subsidiário das funções biológicas, ou seja, mente, para esse senhor, seria a consequência das funções biológicas, ou melhor, um aspecto da mesma.
No volume 3 da Verdade, num dos subcapítulos que estudei para uma palestra que dei na Fraternidade do Marcelo, o Mestre critica essa visão materialista de que somos meros agentes de reações bioquímicas cerebrais; a preguiça mo impede de buscar o livro e dar a página, ou seja, vão até o volume e pesquisem... uma dica: é no início do livro.
Falando em conceitos de mente, o mesmo Mestre conceitua num de seus livros, que os amigos que me leem não terão a covardia intelectual de me perguntar qual (embora desconfie que seja no "Comande Sua Vida...") que a mente nada mais é que uma vibração. Ou seja, se somos só mente (perdoem o infame trocadilho cacofático!), descobrimos que somos apenas vibração, e que nosso belo, formoso e pimpão abriga o inabrigável, ou seja, abriga um elemento imaterial, puramente vibratório que vem a ser a mente... engraçado, né? O sólido abriga o etéreo, e esse etéreo é o que existe de verdade, em detrimento da inexistência do sólido... cruzes, há bastante metafísica para tudo, já poemava Fernando Pessoa, e, por mais que custe-me a crer no presente fato, verdade é o materialista Marx também estava certo ao escrever em seu Manifesto Comunista que "tudo o que é sólido se desmancha no ar"... o resto, bem, o resto é gounkaiku, inexistência, vazio...

domingo, 15 de agosto de 2010

Viver de Modo Agradável - Mudança de Aparência - Pg. 47

"Não existem pessoas totalmente seguras quanto à própria aparência. Todas descobrem algum 'defeito' em si mesmas e se penam na tentativa de disfarçá-lo. E, muitas vezes, as pessoas que andam com um visual extravagante não possuem beleza natural. Elas tentam parecer bonitas 'camuflando' a aparência original.
O desejo de se tornar belo, em si, não é algo errado. Graças a esse desejo da maioria das pessoas, as técnicas de maquiagem evoluíram e, certamente, seguirão evoluindo cada vez mais. Entretanto, é preciso deixar claro que o verdadeiro embelezamento consiste em 'reparar e melhorar a base'. É muito limitada a contribuição dos truques de 'camuflagem', tais como tintura de cabelo, penteados, aspecto da barba etc.
Mas a maioria das pessoas se empenha em 'camuflagens' esquecendo-se de efetuar o 'reparo da base', que é o mais importante. Considero isso um fenômeno estranho. É possível 'reparar a base', mesmo sem recorrer ao procedimento um tanto arriscado como a cirurgia plástica. Existe um meio mais seguro e agradável para melhorar a aparência.
O princípio básico é muito simples e pode ser assim expresso: 'A mente transforma o corpo'. Isso significa que, aprimorando a mente e cultivando a beleza interior, pode-se promover a beleza física. Pessoas bondosas, afáveis e risonhas têm uma beleza peculiar, independentemente dos seus traços fisionômicos. Quanto a pessoas irascíveis, rabugentas, traiçoeiras etc., têm uma fisionomia bastante desagradável.
Certa vez, por ocasião da campanha para as eleições de membros da Câmara Alta assisti a um programa de TV que contou com a participação dos líderes de diversos partidos políticos. Observando a fisionomia de todos, simpatizei particularmente com um deles. Ao falar dos seus esforços em fazer uma boa política para o bem-estar da população, seu rosto se iluminava, e sua expressão radiante o fazia parecer mais bem-apessoado.
Mas, quando o programa passou para a etapa de debates entre os representantes dos partidos políticos, essa pessoa começou a atacar abertamente o regime imperial e a criticar o Hino Nacional, e então a sua fisionomia se tornou hostil e feroz como a de um lobo faminto.
Como se pode perceber, a mente tem o poder de mudar o aspecto físico, e esse fato se verifica em todos, sejam homens, mulheres, velhos ou jovens. Portanto, para melhorar a aparência, precisamos nos empenhar em mudá-la pelo poder da mente, em vez de disfarçar as falhas e os defeitos.
Para isso, é preciso, antes de mais nada, cultivar o amor e a bondade. Enquanto estivermos remoendo ódios e ressentimentos, nenhuma 'camuflagem' servirá para melhorar a nossa aparência. Quando alguém passa a ter uma mente agressiva e ferina, como aconteceu com o aludido político, imediatamente a sua fisionomia se torna feroz, e de nada adiantará proferir um belo discurso.
Desde antigamente, fala-se muito em boa ou má fisionomia do ponto de vista do estudo fisiognômico. Mas a fisionomia não é algo fixo e pode ser mudada conforme a mente. Quem vive com disposição mental afável e bondosa passa a ter, com certeza, uma fisionomia agradável. Nem as mais dispendiosas fórmulas de beleza tornam o rosto de uma pessoa mais bonito e luminoso do que o de um filho amoroso que sorri, com carinho, para a mãe idosa."

Bom, post com clima de dejà-vu, ou seja, já estudamos este assunto em outros livrinhos e em outros capítulos, mas sempre é bom dar uma recapitulada básica...
Verdade da Vida vol. 1: O Mestre disseca as três formas de pensamento, a saber, pensamento propriamente dito, palavras e expressão fisionômica. Este post trata especificamente desta última...
E, como forma exterior de pensamento, uma mudança interior é necessária, ou seja, bons pensamentos e boas palavras alteram naturalmente a expressão fisionômica e, via de consequência, melhoram o destino. O Mestre até cita alguns curiosos provérbios nipônicos com conteúdo semelhante, como "Marimbondo pica o rosto de quem chora". Isso é verdade. Mas, se alguém chora, é em consequência de algo primitivo, afinal de contas, não nos esqueçamos que este é um mundo consequencial e, como tal, a aparência fisionômica, por ser fenomênica, também é consequência, e não causa, de nossa felicidade ou infelicidade. Meditemos um pouco sobre isso...

sábado, 14 de agosto de 2010

Viver de Modo Agradável - Esta Vida É Moldada Pela Mente - Pg. 43

"No mundo democrático e livre, circula uma enorme variedade de publicações. As ideologias e as religiões também são totalmente livres. Nessa circunstância, a população recebe, pelo poder das palavra, a influência das mais variadas ideologias e de diversos modos de pensar que se propagam neste mundo. Estão à disposição de qualquer pessoa vídeos de origem suspeita, e as revistas publicam uma profusão de fotografias de natureza erótica.
Quando as pessoas ficam à mercê do poder das palavras que chegam de todos os lados, acabam se sentindo desorientadas e não sabem o que aprender, em que acreditar e o que observar. Assim, muitas pessoas são atraídas pelas coisas mais excitantes, fáceis de conseguir e de baixo custo, e acabam sendo influenciadas por elas.
Nessa situação, é de suma importância que as pessoas se esforcem em ouvir a 'voz verdadeira' que soa no âmago de todo ser humano, em vez de se deixarem levar pelos desejos.
Os desejos são componentes do corpo carnal, assim como os softwares são componentes do computador, e têm como finalidade propiciar a preservação e o desenvolvimento do corpo e também a procriação. Não confundamos o desejo com o verdadeiro anseio da alma. Não nos deixemos levar pelo desejo, pensando somente em satisfazê-lo. É preciso fazer com que o verdadeiro anseio da alma controle e domine os desejos.
Por mais que busquemos a satisfação dos desejos, isso não nos levará a vivenciar a verdadeira alegria. Quantas são as pessoas que, entregando-se aos prazeres mundanos e às vontades egoísticas, chegaram a uma situação difícil, prejudicaram a saúde e fracassaram na vida!
Ao conhecermos o ensinamento de que 'o verdadeiro ser humano não é o corpo carnal, e sim a natureza divina, o ser autônomo que usa o corpo carnal como instrumento para realizar seus propósitos', passamos a prestar atenção à voz da nossa natureza divina e empenhamo-nos em manifestar cada vez mais o nosso Eu verdadeiro.
Assim, deixamos de ser arrastados pelos desejos e passamos a agir de acordo com sentimentos corretos tais como amor, senso de justiça, espírito de gratidão etc., procurando expressar cada vez mais o verdadeiro anseio da alma. Em outras palavras, procuramos revelar a beleza espiritual, oculta por trás da superficial beleza sensorial. Efetuando treinamento nesse sentido, percebemos que se revelam cada vez mais claramente o verdadeiro anseio de nossa alma, o belo, a verdade e o bem inerentes a nossa natureza divina. Em consequência, descortinamos uma vida realmente digna de filhos de Deus.
A alegria de exteriorizar a natureza divina é uma infinita exultação da alma. Ao contrário dos prazeres mundanos, que são efêmeros e acabam causando a ruína do corpo, o regozijo da alma é eterno; e, quanto mais exteriorizarmos a nossa natureza divina na vida cotidiana, mais alegria proporcionamos à nossa alma. O nosso viver se torna infinitamente radioso e vibrante, cheio de emoções. A prática espiritual para exteriorizar a natureza divina é muito mais prazerosa do que o uso de estimulantes.
O regozijo da alma jamais diminui, amplia-se infinitamente extinguindo as dificuldades e os obstáculos aparentemente intransponíveis. Esta vida não é algo fixo e imutável; na verdade, é simples 'projeção' da mente e, portanto, podemos moldá-la livremente."

Se não me falha a memória, na Introdução do Livro dos Jovens o Mestre Masaharu Taniguchi nos fala da voz interna, da nossa consciência. Pois bem, este capítulo nos fala exatamente desta voz.
Lembro-me também da introdução (prefácio) do outro livrinho que estudamos, acho que "O Modo Feliz de Viver" em que o professor Seicho nos informa que a verdadeira alegria é a espiritual.
E hoje, lendo o volume 8 da Verdade, para minha próxima palestra, deparei-me com uma expressão assaz aparentemente contraditória do Mestre, ao nos dizer que a verdadeira alegria que temos de sentir é a "alegria séria" e não a frívola.
E que alegria séria seria essa? A alegria do espírito. Leiamos de novo o capítulo: a prática espiritual para exteriorizar a natureza divina é muito mais prazerosa do que o uso de estimulantes. Entretanto, poucos sabem disso, e porque?
Acredito (é só palpite, estou no achômetro) que seja por um pequeno detalhe: o caminho espiritual está na vida cotidiana. Não está nos retiros espirituais, nas idas a Ibiúna (embora, confesse, estou com uma saudade danada de ir para lá...). Está no cotidiano, no dia a dia, no seikatsu japonês. E muito pouco percebemos esta verdadeira dimensão da religiosidade, na prática diária. E, por isso, acabamos nos conformando à mera ritualística dogmática das missas, cultos, reuniões em apenas um dia específico na semana, e imaginamos que lá, e apenas lá, seremos religiosos e pios, achando que para Deus nossa presença lhe bastaria para dar as benesses do restante da semana nossa de cada dia...
Impio engano, caros leitores. Pouco se dá para Deus o fato de irmos ou não a tais lugares. Reuniões de tal natureza servem apenas como lembretes de nossa verdadeira natureza espiritual, senão vejamos: o católico não se sente mais católico ao tomar parte na eucaristia, quando ele se vê simbolicamente como um dos doze apóstolos sentados na fatídica sexta-feira, 12 de Nisã pelo calendário judaico? Apenas exemplifico isso, para não me alongar nas preces budistas, orações muçulmanas (estes sim, lembram-se de Deus cinco vezes AO DIA!) e tutti quanti?
Na-na-ni-na-não! Religião, como ensina o zen, é cotidiano, é dia a dia, é pegar sua tigela após a refeição e lavar. Em outras palavras, é ter a consciência plena de Deus em tudo o que fazes, pois tudo o que fazes não és tu o autor, e sim, Deus. Duvidas disso? Então recites o Canto Evocativo de Deus, torii para o Shinsokan, e depois me diga se estou ou não certo!

domingo, 8 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - Grandiosa Jornada Da Vida - Pg. 39

"O ser humano não é corpo carnal; não é um ser imperfeito, frágil e efêmero, fadado a morrer a voltar ao pó da terra ou ser reduzido a cinzas. Na essência, é um ser maravilhoso, dotado de infinitas qualidades. Se o ser humano fosse mero corpo carnal, qual seria a finalidade de as pessoas nascerem neste mundo? De que adiantaria trabalhar com afinco e acumular bens, se o nosso destino final fosse voltar ao pó da terra ou ser reduzido a cinzas?
Talvez alguém diga: 'Mas, já que os bens e os empreendimentos podem ser herdados pelos filhos, netos ou outros sucessores, os esforços da pessoa terão sido válidos até certo ponto'. Mas, mesmo que os herdeiros levem avante os empreendimentos, isso não seria relevante para a própria pessoa, se ela acabasse reduzida a um punhado de terra ou cinzas. O pensamento de que 'todos somos úteis' parte da premissa de que existe desde o princípio alguém que, com uma visão de grande alcance, observa de fora os sucessivos nascimentos e mortes das pessoas. Se o ser humano fosse mero corpo carnal que acaba sendo reduzido a um punhado de terra ou cinzas, a sua existência seria muito breve e, portanto, não seria possível concluir que 'foi útil'.
Se existe alguém que observa a contínua sucessão de nascimentos e mortes de pessoas e pensa que todas são úteis e têm valor, esse alguém só pode ser a Vida imortal, a essência do ser humano. Se o ser humano fosse mero corpo físico que morre e é reduzido em pó da terra ou em cinzas, não teria a capacidade de ter esse pensamento.
Tudo que é valioso não desaparece com o passar do tempo. Objetos de diamante, ouro etc. são valiosos porque não se desfazem e desaparecem com o decorrer do tempo. Já as esculturas de gelo, que as pessoas fazem durante o Festival de Inverno, não são valiosas por mais belas que sejam, porque se derretem e desaparecem em pouco tempo.
O próprio ser humano não teria praticamente nenhum valor se fosse mero corpo carnal. É mais fácil colocar preço nos corpos de porcos, bois etc. do que no corpo humano, que não serve para o consumo e que não tem nenhum valor.
É inconcebível que esse algo sem valor seja o verdadeiro ser humano. Sabemos que, na essência, somos seres valiosos, e por isso ansiamos levar uma existência valiosa, ter vida longa e fazer o possível para manifestar a Vida eterna. As pessoas buscam Deus eterno, Buda imortal etc. porque esse é o desejo que vem da natureza eterna do ser humano. Não é uma busca baseada em mera ilusão, capricho ou vontade do 'eu fenomênico'.
Quando despertamos para a perfeição original do ser humano, ou seja, para a Imagem Verdadeira, sentimo-nos repletos de alegria e gratidão e conseguimos trabalhar com entusiasmo e prazer. Consequentemente, obtemos êxito no trabalho, tudo corre bem em nossa vida e levamos uma vida cheia de vivacidade e emoção. Cercados de filhos e netos, podemos desfrutar de saúde física e ter vida longa.
Mas todo ser humano enfrenta, um dia, a morte física; e, após algum tempo, torna a nascer com forma humana para manifestar melhor do que na vida anterior a sua natureza original de filho de Deus. Passamos por esse processo repetidas vezes até manifestarmos plenamente a perfeição da nossa Imagem Verdadeira."

... e é por isso, apenas por isso que nós estamos no Lar do Progredir Infinito. O professor Seicho bem poderia concluir a frase acima com o meu arremate inicial.
Povo do meu blog, o que é a nossa vida? É um período determinado de tempo em que, estando encarnados, aprendemos determinadas lições, essencialmente morais e espirituais para que, quando retornemos ao mundo espiritual, consigamos pegar o nosso boletim e ver o quanto aprendemos na matemática do amor, no vernáculo da sabedoria, na língua estrangeira da tolerância, na educação física da inexistência do corpo carnal etc, etc, etc. A partir da análise do nosso boletim, alcançamos um determinado grau de espiritualidade que nos permite ir a uma determinada classe, com um determinado perfil de colegas etc e tal.
Não li, mas esta deve ser a argumentação do professor Seicho no seu livro A Escola da Vida é Maravilhosa. Estamos aqui para progredir. Aliás, só vamos progredir. A regressão não existe, muito embora o Mestre, em algum canto obscuro de seus Mistérios da Vida, tratando de reencarnação, não dá uma resposta definitiva, creio eu, se possamos voltar como animais ou não em futuras vidas. Algumas crenças acreditam que sim, mas acho que não. Nossa ideia origem (ri-nen no original, leia as Preleções sobre a Sutra Sagrada e mesmo os Mistérios da Vida, que também tratam disso), não deixam margem a outras interpretações: viemos como seres humanos, evoluiremos como tal. Simples assim...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - O Drama da Vida - Pg. 35

"O ser humano traça o rumo de sua vida como se cria o enredo de uma novela. Toda novela é criada na mente do autor e se desenrola de acordo com o enredo. De modo análogo, cada pessoa determina o rumo de sua vida de acordo com o 'enredo' que ela própria cria em sua mente. No entanto, muitas pessoas pensam que o rumo de sua vida neste mundo não tem nenhuma relação com a sua mente e que seus pais as colocaram neste mundo arbitrariamente.
Mas esse modo de pensar também é um 'enredo', e quem o escreve cria para si um drama da vida no qual parece que tudo lhe é imposto pelos pais e outras pessoas ao redor e que ele leva uma existência comparável à de um escravo. Essa pessoa precisa abandonar de uma vez por todas essa visão equivocada a respeito da vida e passar a ter a convicção: 'Sou filha de Deus, dona de minha própria vida'. Assim, esse 'enredo' se desenrolará em sua vida.
Talvez ela argumente: 'Mas o fato é que meus pais me geraram por vontade deles. Não fui eu que os escolhi'. Quem faz tal afirmação desconhece o segredo do nascimento de uma alma neste mundo. O ser humano não é corpo carnal. O corpo carnal é uma espécie de montaria da alma. Cada pessoa criou a própria 'montaria' pedindo emprestados os componentes físicos dos pais e veio a este mundo com essa 'montaria'. O que determina quem serão os pais de uma pessoa neste mundo são os carmas de ambas as partes, isto é, os atos praticados nas vidas passadas.
E isso se deve ao princípio segundo o qual 'atraem-se mutuamente as almas que carregam carmas semelhantes'. Assim, as almas daqueles que serão os pais e a alma daquele que será o filho se atraem e, como resultado, uma criança nasce no lar de um casal. Portanto, a verdade é que cada parte escolheu a outra, ou seja, as almas dos pais escolheram a alma do filho, e, ao mesmo tempo, a alma do filho escolheu as almas dos pais. Por isso, o filho não é uma 'vítima' nem uma 'criatura passiva', gerada arbitrariamente pelos pais.
A atração mútua dae almas com carmas semelhantes ocorre também entre um homem e uma mulher que se conhecem, se amam e se casam. Mesmo que cada um pareça ter o seu modo de ser, na verdade eles têm carmas para se tornarem marido e mulher, possuem almas semelhantes e a mesma natureza. Por isso, se unem e formam uma família. Se um homem e uma mulher não têm carmas semelhantes, não se unirão em matrimônio para constituir uma família mesmo que mantenham relações carnais durante um período de tempo. O relacionamento deles será superficial e passageiro.
Falei em carmas que propiciam a união entre determinadas pessoas. Mas o que são carma? Carmas são acúmulos dos efeitos de atos praticados; e todos os atos têm como origem o 'enredo' delineado pela mente. Isso significa que do balanço geral dos pensamentos que a pessoa teve no passado surgem os carmas positivos ou negativos, que determinam o rumo de sua vida. Por isso, podemos dizer que o ser humano cria com a mente o seu próprio destino. Desde o nascimento até a morte, e, também na vida logo depois desta e outras posteriores, o ser humano cria com a mente, de modo contínuo, o drama da vida.
Todas as pessoas são protagonistas do seu drama da vida e criam o próprio destino. Bom ou mau estado de saúde, êxito ou fracasso nos empreendimentos, enfim, todas as situações são partes do sucessivo drama da vida que as pessoas criam sob sua própria responsabilidade. O sentido desta vida está em fazer desse grandioso drama uma sequência de cenas de prosperidade, alegria, harmonia e paz, e não de cenas trágicas."

Belo capítulo este;belíssimo, aliás. Passeamos por vários temas interessantes, como a comparação da vida como uma novela, o fato de escolhermos nossos pais e uma pequena e ilustrativa aula sobre o carma. E tudo isso para mostrar o chamado drama da vida, isto é, todo o desenrolar de eventos a que chamamos de vida.
E o que é a vida? Falo de nossa vida cotidiana, como podemos conceituá-la? Um período pré-determinado de tempo no qual existimos neste plano, consciente ou inconscientemente? O que contém a vida? A prosperidade, alegria, harmonia e paz, como informa a última frase do capítulo, ou, como o mesmo período informa, cenas trágicas?
A resposta, caríssimos, está em nós mesmos. A vida é como se fosse um belo e grandioso caderno pautado sem nada escrito. A caneta nos foi dada, falta-nos a escrita. O que escreveremos nela? Qual a cor da tinta da caneta que escreveremos em nosso Caderno da Vida?
Talvez o professor tenha se esquecido de um pequeno detalhe que certamente ele se lembraria acaso ele acrescentasse um ou dois parágrafos a mais em seu capítulo: o chamado livre arbítrio. Sim, porque não podemos mencionar algo como "o drama da vida" sem mencionarmos decentemente o chamado 'livre arbítrio".
Um dos meus primeiros professores na faculdade, Prof. Márcio Schüler, de Economia Política, era metido a filosofar, e, confesso, graças a ele comecei a gostar de Filosofia, assunto antes relegado a quase nada em minha vida. Pois bem, ele uma vez dando aula para nós, disse algo assaz curioso: que a expressão "livre arbítrio" em si é contraditória; que o "arbítrio" em si nunca é livre, sempre é determinado. Caso ele esteja certo, por quem ou qual coisa estaria ele determinado? Questão para pensarmos até o próximo capítulo do livrinho...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Viver de Modo Agradável - A Força Criativa do Japão - Pg. 31

"Existe no Japão um antigo ditado do seguinte teor: 'Se tem pressa, vá com calma'. É uma advertência de que, quando escolhemos um caminho mais curto na ânsia de chegar logo ao destino, deparamos com obstáculos inesperados e acabamos sofrendo uma grande demora em chegar ao objetivo. No mundo atual, existem muitas pessoas que acabam sofrendo um grande fracasso na vida por fazer uma administração inadequada ou fraudulenta na ânsia de lucrar muito em pouco tempo.
O atual desenvolvimento econômico do Japão não resultou da ânsia e pressa em obter o superávit, e sim do perseverante esforço em aumentar um pouco a poupança todos os anos. Também no tocante à educação escolar do povo, já no tempo dos antigos governos feudais teve início em várias localidades o curso fundamental ministrado em templos budistas, e o esforço pela educação foi constante ao longo dos anos. Como resultado, o país alcançou o alto nível educacional que apresenta atualmente. Entrentanto, não se pode negar que alguns erros foram cometidos. Por exemplo, na pressa de alcançar o nível de vários países estrangeiros, muitas escolas imitaram o sistema educacional deles, negligenciando os estudos e os aprendizados fundamentais para o nosso povo. Em outras palavras, buscavam apenas os resultados, sem se preocupar com os meios.
De agora em diante, é preciso observar mais atentamente a natureza básica do ser humano, promover em todas as camadas sociais a correta compreensão do que é o ser humano, estimular a criatividade e fazer surgir novas ideias. Pode ser que imitar a técnica desenvolvida por um país estrangeiro e fabricar produtos melhores seja um meio rápido de impulsionar a industrialização. Mas, quando faltam estudos e pesquisas fundamentais, é difícil desbravar corajosamente novas áreas.
Daqui para a frente, será imprescindível que o nosso país explore novas áreas. Será necessário fazer novas descobertas, realizar novos inventos e também liderar os estudos e as práticas no âmbito da filosofia e da religião. Em vez de apenas seguir os passos de algum país, é preciso criar algo inédito, difícil de ser imitado por outros países. Para isso, é essencial que nós, o povo japonês, tenhamos a convicção de que essa capacidade existe em nosso interior. Evidentemente, a maioria das coisas do nosso país não foi imitação de outros países. Criamos o nosso próprio idioma - a língua japonesa - com combinações adequadas das vogais e das consoantes. Alguns estrangeiros dizem que lhes agradam os sons da pronúncia da nossa língua. Criamos também a nossa culinária peculiar, bem como tatame, portas e janelas corrediças feitas de papel e diversos outros itens do mobiliário.
Porém, a mais notável criatividade do Japão está em sua estrutura, que tem como figura central o imperador, sucessor de uma dinastia ininterrupta. Isso simboliza a eternidade. Foram manifestadas concretamente na estrutura da nação as principais características do mundo da Existência Verdadeira, o mundo-origem, que são a convergência para o centro e a indestrutibilidade. Assim, formou-se uma das nações mais estáveis do mundo.
Esperamos que, também no futuro, nosso país siga manifestando a criatividade e a capacidade de ação em todas as áreas de atividade e se revele como uma nação com grande desenvolvimento moral e repleta de força divina. Para isso, é essencial que a maioria das pessoas se conscientize da própria natureza divina e a manifeste constantemente na vida cotidiana."

Ok, ok, eu confesso que este capítulo deve interessar nada, ou, para ser bem, mais bem generoso mesmo, muito pouca coisa ao caro leitor deste blog. E, mesmo assim, este é um fato a ser louvado, porque significa que a SNI se abrasileirou, e a sua doutrina não é algo de posse de um determinado povo ou de uma determinada etnia. Quem estudou a história da SNI sabe que até a década de 70 ela era eminentemente uma religião de tradição japonesa, hoje ela se abrasileirou tanto, mas tanto, que na minha Regional, RJ-Niterói, não existe um japonês sequer, e, para não dizer que não há japoneses aqui, posso citar, como exemplo único, a esposa do divulgador Marcelo, presidente da Fraternidade Icaraí. E só. Isso mostra a grandiosidade do povo japonês, que, na sua mais que centenária história no Brasil, soube conhecer tão bem, pelo menos a nível espiritual, as necessidades do povo brasileiro. Banzai, Nippon!

domingo, 1 de agosto de 2010

Viver De Modo Agradável - A "Escada Rolante De Deus" - Pg. 17

"Muitos anos atrás, vi na TV uma apresentação do jovem guitarrista K. Yamashita, então com 16 anos de idade. Ele é um jovem de grande talento que, no tempo de estudante do ensino secundário na cidade de Nagasaki, participou de três concursos internacionais de guitarra, realizados na França, na Itália e na Espanha e conquistou o primeiro lugar em todos. Tendo como fundo a orquestra, o jovem executava muito bem as peças musicais difíceis, com sua pequena guitarra clássica, o que encantava e emocionava a plateia.
Na entrevista, o jovem Yamashita disse que, após voltar da escola, passava o resto do dia tocando guitarra. Alguém lhe perguntou se não estudava em casa, e ele respondeu que conseguia memorizar tudo durante as aulas. Naquele momento, imaginei como seria a mãe desse jovem, e pensei: 'Com que postura mental ela veio acompanhando o desenvolvimento desse filho?'.
De modo geral, as mães que têm filhos dessa faixa etária se preocupam muito com o desempenho escolar deles e vivem dizendo: 'Filho, você precisa estudar mais'. Mas a situação na casa do jovem Yamashita era diferente. Desde o tempo em que cursava o ensino fundamental, ele se dedicava completamente ao treino da guitarra, e isso mostra que os pais eram muito compreensivos. Caso contrário, eles não teriam sido capazes de fazer com que o filho exteriorizasse, de modo tão espetacular, o seu talento.
Cada pessoa tem uma missão e um dom peculiar. Por isso, não é possível educar as pessoas colocando todas dentro de um mesmo molde. Pode parecer que tudo estará bem se os jovens frequentarem renomadas escolas de ensino médio e entrarem em boas faculdades, mas nem sempre isso é motivo de comemoração. Existem casos tristes de jovens que, estudando com afinco, conseguiram cursar uma boa escola de ensino médio e entraram numa faculdade renomada, mas acabaram entrando num grupo de extremistas ou se envolveram em casos de violência estudantil e foram moertos a socos e pontapés. Que pensamentos terão passado na mente das mães desses jovens?
Um filme que passou na TV há algum tempo mostrava o drama de um jovem que, tendo sido brutalmente agredido numa briga entre grupos rivais, ficou em estado vegetativo.
Como terá sido a reação das mães que passaram por dramas como esse? Será que se resignaram, pensando: 'Isso foi uma fatalidade. Pelo menos, meu filho havia conseguido entrar nessa faculdade renomada.'? Ou será que, tomadas de angústia, pensaram: 'Se ele não tivesse entrado nessa faculdade...'? Devemos estar cientes de que não existem trajetórias que sejam realmente seguras. A única trajetória para a felicidade e o êxito é tomar a 'escada rolante de Deus'.
Essa 'escada rolante' não tem relação com o sistema educacional vigente nem com a oferta de bolsas de estudo. Ainda que um jovem talentoso seja premiado num concurso internacional, isso não é suficiente. Para que ele possa tomar a 'escada rolante de Deus', é necessário que tanto ele próprio como os pais conectem-se com Deus por meio de oração e confiem totalmente na providência divina.
Tomar a 'escada rolante de Deus' é entregar tudo nas mãos de Deus. Na 'escada rolante de Deus', a pessoa deve tirar o fardo dos seus ombros. Deve entregar todos os pesos da mente humana, tais como: propósitos interesseiros, pensamentos mundanos, apegos, preocupação excessiva com as aparências e outros fardos mentais."

Confesso que não entendi até agora o porquê do professor Seicho criar esta metáfora de "escada rolante de Deus". Porque cargas d´água ele criou isso? Por "escada rolante de Deus" devemos entender ligação direta com o Pai? Caso afirmativo, um nome mais bonitinho para isso seria a nossa velha e conhecida Meditação Shinsokan. Afinal de contas, todos nós, através da MS conseguimos liberar todos os pesos da mente, com a conscientização de que somente boas coisas existem, e confiar nesse fato.

Aliás, esse termo "escada rolante de Deus" também só vale a nível fenomênico, afinal de contas, no plano espiritual nunca estamos separados de Deus, apenas estamos aqui para mostrarmos que somos efetivamente Seus filhos. Não precisamos de escadas rolantes e sim de pequenos lembretes, pequenas certidões de nascimento espalhadas pelos caminhos de nossas vidas que nos recordem, sempre e constantemente, que somos Seus filhos. O resto, bem, o resto, como diria nosso querido rabino...

sábado, 31 de julho de 2010

Viver De Modo Agradável - Mentiras e Engabelações

"Existem pessoas que não falam com clareza; Não me refiro às pessoas com problema de fala ou às que usam dialetos difíceis de entender; refiro-me às pessoas que falam de um modo vago e costumam interromper a frase no meio, deixando o interlocutor sem entender direito a conclusão do fato narrado.
Às vezes, uma moça começa a me falar a respeito de um determinado lugar, mas se expressa de maneira tão vaga que eu não consigo saber se ela esteve ou não nesse lugar. Então, eu pergunto: 'Você já esteve lá?', e ela responde algo numa voz tão baixa que sou obrigado a repetir a pergunta. É muito trabalhoso conversar com pessoas assim. Se muitas mulheres agissem como essa moça pensando que isso é ser feminina e graciosa, as conversas seriam tão demoradas e sem objetividade que acabariam gerando muitos equívocos e mal-entendidos.
Felizmente, hoje em dia a maioria das mulheres não usa da 'falsa feminilidade' como à do caso citado. Mas ainda ocorrem casos em que a mulher não diz claramente 'sim' ou 'não'. E parece que, às vezes, o que ela diz não é o que tem em mente. Existem mulheres que, ao receber convite para ir a algum lugar, dizem que aceitam com prazer o convite, quando, na verdade, não têm a menor vontade de ir. Depois, ficam se queixando. Mulheres desse tipo aparecem com frequência nas novelas de televisão. São também muito comuns os personagens que mentem com maior facilidade para camuflar uma situação. Será que existem realmente tantas pessoas desse tipo, ou será que a maioria dos autores de novelas ilude o público?
De qualquer forma, a questão é séria, pois as palavras e as imagens possuem um grande poder de influenciar e 'contagiar' as mentes. É possível que muitas crianças, assistindo às cenas em que aparecem personagens mentirosos, pensem: 'Ah, é desse jeito que os adultos enganam os outos...' e procuram imitá-los. Com isso, acabar-sé-a criando uma sociedade problemática, cheia de mentirosos.
Dias atrás, uma senhora me escreveu dizendo que estava aflita por ter descoberto uma mentira de sua filha. Durante a ausência da mãe, essa garota saiu de casa deixando-lhe um bilhete em que dizia: 'Fui à casa de minha amiga'. Mas, na realidade, as duas adolescentes foram fazer um pequeno acampamento num monte próximo. Lá elas fizeram uma fogueira e acabaram provocando incêncio na mata.
Quando a causa do incêndio foi descoberta pela polícia, a mãe dessa adolescente levou um choque e foi tomada de uma profunda aflição ao saber que a filha cometeu dois erros básicos.: o de ter mentido e o de ter causado um incêndio. O que mais angustiava essa mãe, que é profunddamente religiosa, era a constatação de que a filha soubera esconder muito bem as faltas cometidas. Na carta, essa mãe me pergunta: 'Como devo lidar com minha filha?'. Meu conselho é o seguinte: Qualquer mãe pode repreender ou punir uma filha. Mas, por pior que seja o aspecto fenomêncio que a filha estava manifestando, uma mãe ninca deve deixar de ontemplar com os olhos da mente a perfeição da Imagem Verdadeira. Quanto mais negativo for o aspecto fenomênico, tanto mais intensos, argutos, claros e límpidos devem ser os olhos da mente, que captam a Imagem Verdadeira. É necessário que a própria mãe não minta nem engane outras pessoas. É essencial praticar todos os dias a Meditação Shinsokan e louvar a natureza divina de todas as pessoas."

E desse trecho, o que pode ser apreendido? Ele não fala, como os outros trechos, de algum "modo de viver natural". Então, o que podemos dele apreender?
Dizer a verdade, seja lá em que circunstância for, pode, surpreedentemente, salvar a vida de várias pessoas, como no exemplo dado em tela.
E, se o mote do capítulo de hoje é "dizer a verdade", simplesmente um "viver de modo agradável" engloba essa necessidade de dizer a verdade.
Assim, dizer a verdade é parte de um modo feliz de viver, de um viver de forma agradável.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Viver de Modo Agradável - Quando A Mãe Segura O Bebê Junto Ao Peito - Pg 19

"Existem pessoas destras e pessoas canhotas. Sabe-se que a maioria é destra. Um fato conhecido desde antigamente é que a porcentagem de pessoas destras é bem maior entre os japoneses em comparação com os povos ocidentis. Nos dias atuais, está aumentando o número de canhotos també entre os japoneses, mas ainda predominam os destros.
Existe o princípio fundamental segundo o qual o lado esquerdo representa o yang (elemento ativo) e o lado direito, o yin (elemento passivo). O yang mantém a posição central e em torno dele gira o yin. Esse fato está patente no movimento dos astros no cosmos: os planetas, que representam o yin, sempre giram em torno de uma estrela fixa, que representa o yang.
No corpo humano, esse princípio fundamental se manifesta assim: a mão esquerda, que representa o yang, segura o objeto, e a mão direita, que representa o yin, executa movimentos minuciosos, e isso faz com que a pessoa seja destra. Por exemplo, os japoneses seguram firme com a mão esquerda a tigela de comida e movem os pauzinhos com a mão direita. Também para afinar ou aguçar um objeto, geralmente as pessoas o seguram com a mão esquerda e raspam movimentando a mão direita. No que concerne à família, a estrutura original é: o marido (o pai), que representa o yang, mantém firme o centro do lar, e a esposa (a mãe), que representa o yin, age conforme a orientação do chefe de família.
Nos lares em que ocorre o contrário, às vezes nascem crianças canhotas. Nos primeiros anos de vida, a criana apresenta um extraordinário desenvolvimento dos dendritos das células cerebrais. Por isso, as impressões do ambiente familiar que ela captou durante a vida intra-uterina e também nos dois anos após o nascimento atuam fortemente. Em outras palavras, nesse período se forma a base da 'rede de distribuição' dos neurônios cerebrais da criança. E é nessa fase que o canhotismo se fixa em algumas crianças. Alguns incômodos são inevitáveis na vida prática dos canhotos, porque a maioria dos objetos é feito para ser usado com a mão direita.
O corpo humano abriga o coração no lado esquerdo do tórax. Quando uma mãe pega o bebê no colo, a atitude natural é segurá-la com o braço esquerdo e aninhá-lo junto ao seu coração. Existem estudos que mostram que 80% da mulheres - independentemente de serem canhotas ou destras - agem desse modo. Certo professor de Psicologia da Universidade Cornell relatou esse fato após efetuar estudos de comportamento dos macacos e dos seres humanos. Segurando o bebê da maneira acima descrito, a mãe destra pode mover livremente a mão direita para cuidar dele.
Aconchegando o bebê recém-nascido junto ao coração, a mãe pode fazer com que ele ouça o seu batimento cardíaco. Ouvindo o 'ritmo biológico' regular e constante, o bebê se desenvolve tranquilamente. Na vida intra-uterina, o bebê dormitava a maior parte do tempo, embalado pelo suave ritmo do batimento cardíaco da mãe. Também após o nascimento, o bebê precisa, durante algum tempo, adormecer ouvindo esse ritmo, para poder preparar o cérebro e despertar a mente. Quando se torna mãe, toda mulher - mesmo a canhota - procura instintivamente seguir a lei natural. Então, por que não fazer disso uma postura fundamental? Podemos dizer que consiste nisso a verdadeira felicidade da mulher, na condição de mãe."

Sinceramente? Achei o trecho interessantíssimo, por um simples motivo: sou canhoto. Ao mesmo tempo que lia tal trecho, procurava me lembrar de canhotos famosos e conhecidos meus, particulares, e fiquei fazendo a mesma ilação que o professor Seicho fez a respeito da 'rede de distribuição' neuronial... agora, se repararam, como eu reparei, somente no último parágrafo - quase na última frase - é que o professor Seicho se refere a tal fenômeno como uma lei natural e sua relação com a verdadeira felicidade da mulher... ou seja, em outras palavras, viver de modo agradável é viver segundo a lei natural que existe de modo instintivo, mesmo na qualidade de mãe. Será que os outros capítulos continuarão seguindo este mote?


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Viver De Modo Agradável - Manifestar Plenamente As Aptidões - Pg. 15

"Em geral, as mulheres são boas narradoras. Existem algumas exceções, mas a maioria narra melhor que os homens. Isso porque fala com emoção, com sentimento. Algumas pessoas, quando sobem ao púlpito e apresentam seu relato de experiência, leem o que escreveram previamente. Por mais fluente que seja a leitura, tal relato não cativa os ouvintes porque não contém emoção.
Por outro lado, existem pesosas que não trazem anotações, nem lembretes e fazem o relato expressando, com emoção, tudo o que lhes vai na alma, e estas comovem a plateia. Elas podem ser consideradas boas narradoras, mesmo que gaguejem ou usem palavras erradas de vez em quando. Esse tipo de relato é fácil de compreender, é vibrante e desperta simpatia. Mesmo que haja falhas quanto à forma, o conteúdo é plenamente transmitido.
Também em outras circunstâncias não é bom apegar-se à forma. Muitas pessoas, que se preocupam demasiadamente com as formalidades, dizem: 'Como sinal de felicitação, preciso oferecer ao fulano um presente de valor considerável', 'Não fica bem dar-lhe um presente simples' etc. Isso não é verdade. Se o presente é oferecido de coração, não importa o valor nem a formalidade.
Quanto ao modo de falar, mesmo que a pessoa tenha algum sotaque, não precisa se preocupar. Muitas vezes, quem conversa de modo espontâneo e simples, com sotaque de dialeto da sua terra natal, desperta simpatia pelo seu jeito singelo, e os outros se divertem e riem com as narrativas dele.
Mas muitas pessoas sentem-se inibidas, hesitam e ficam tolhidas. Assim, não conseguem dizer o que gostariam de dizer, nem fazer o que gostariam de fazer, e vivem introvertidas e tristonhas. E, por não conseguirem viver o dia-a-dia com a mente descontraída, tendem a adoecer.
O fato é que muitas pessoas terminam a vida sem conseguir manifestar a sua natureza original maravilhosa. Não tem sentido viver desse modo. Devemos, pois, procurar viver melhor, falando de modo descontraído, expressando o que sentimos, mostrando boa vontade e sorriso espontâneo. Você próprio traça o seu caminho nesta vida. Não há razão para se acanhar diante dos outros, pois é um filho de Deus. Você está repleto de força vital e capacidade. Como pode permanecer apático, sem manifestá-las? Trate de manifestá-la à vontade.
Quanto mais você manifestar a sua natureza original maravilhosa, mais se sentirá satisfeito e feliz, e conseguirá levar uma vida plena. Qualquer que seja o lugar onde você mora agora, e qualquer que seja o lugar para onde vai se mudar, a felicidade lhe está assegurada.
Existem mulheres que não se sentem seguras de si por achar que não são bonitas. Mas elas estão equivocadas; na essência, todas as mulheres são belas.
Sobretudo ao se tornar mãe, a mulher se torna mais feminina e bonita, pois seu corpo alcança a perfeição."

Acho que já falei até aqui em outra ocasião, quando mencionei minha parábola preferida, a dos talentos. Este capítulo trata da mesmíssima coisa, e com um incentivo a mais: a busca pela excelência.
Ou seja, todos nós temos talentos, basta... basta... basta apenas uma pequena coisa... praticar... a prática leva à excelência, e nesse caso não é diferente.
E o que tem isso a ver com o fio condutor do livrinho, ou seja, ao viver de modo natural? Ora, o próprio capítulo fala: quanto mais manifestarmos nossos talentos, mais nos sentiremos satisfeitos e felizes.
E isso por apenas um motivo: porque quanto mais manifestarmos nossa individualidade e nossos talentos, mais viveremos de forma natural.
Simples, não?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Viver de Modo Agradável - Tempo de Rejuvenescer - Pg, 11

"Cada novo ano traz novas esperanças. Por isso, no Ano-Novo, a fisionomia das mulheres parece tornar-se mais bonita e radiosa. Vendo-as, os homens acham que seria bom se a renovação ocorresse todos os meses, ou melhor, todos os dias. Com razão, pois nada é mais agradável do que o rosto feminino radiante de esperança. Outro fato gratificante no Ano-Novo é que as mulheres usam belas roupas. Todas as pessoas desejam ser bonitas, e até certo ponto é possível concretizar esse desejo. Não basta caprichar no visual apenas no início do ano. Devemos procurar sempre apresentar um bom aspecto, pois isso já contribui para elevar o nosso ânimo. Quando estamos animados e bem-dispostos, conseguimos realizar tudo com facilidade. O trabalho rende, e não corremos o risco de fracassar.
Usar roupa bonita contribui para melhorar o visual, mas existe um método muito mais eficaz: passar a ter uma fisionomia alegre, radiante. Adquirir uma roupa nova implica despesa. Mas, para 'renovar' a fisionomia não é necessário gastar dinheiro. Mesmo sem ir a um salão de beleza, podemos melhorar a nossa fisionomia. Basta fazer o 'treinamento de sorriso' para ter uma fisionomia bonita, luminosa e cheia de vivacidade. Se você duvida disso, coloque-se diante de um espelho e experimente fazer esse treinamento. No começo, sua expressão será de um sorriso forçado e esquisito, mas, com o treinamento, surgirá a natural vontade de sorrir, e então o seu sorriso se tornará autêntico e a sua fisionomia será realmente radiosa, cheia de vivacidade. Tudo isso não requer nenhuma despesa. No caso de mulher, a despesa se limitará à compra de um creme ou um batom. Isso porque, ao se ver bonita no espelho, ela pensará que um pouco de maquilagem lhe fará bem também.
Talvez algumas mulheres digam: 'Na minha idade, isso seria ridículo...' Qual será a idade das que dizem isso? Eu penso que é melhor as pessoas procurarem manter-se bonitas mesmo chegando aos 80 anos, pois todas merecem isso. O hábito de manter a fisionomia risonha resulta numa surpreendente melhora da saúde, pois equilibra a secreção hormonal. Sentimentos bons como o contentamento e a gratidão fazem surgir 'expressão de alegria' no corpo todo. Praticando todos os dias o treino para manter a fisionomia sorridente, sentimos que todo o nosso corpo se torna saudável e mais jovem. Conscientizemo-nos de que esse treino é mais eficaz que qualquer tônico ou produto de beleza.
O início do ano é o momento de renovação, de rejuvenescimento, que traz uma oportunidade única. É importante viver plenamente o agora. O que determina a futura felicidaede ou infelicidade de uma pessoa é o modo como ela vive o agora. Pessoas que alcançaram a felicidade são as que sempre viveram com a mente natural e simples fazendo o que consideravam certo em cada momento de sua vida. Elas nunca diziam: 'Ah, não consigo fazer isso, de jeito nenhum'.
Existem pessoas que apresentam vários motivos para justificar o rancor que sentem pela própria mãe. Mas, qualquer que seja o motivo, será inevitável que venham a sofrer a consequência do seu rancor. Remoer o ódio traz a infelicidade, ao passo que cultivar o sentimento de gratidão reconhecendo as qualidades do outro atrai a felicidade. É você próprio que faz a escolha. Nós, da Seicho-No-Ie, limitamo-nos a recomendar-lhe que escolha levar uma vida radiosa, cultivando o sentimento de gratidão e sorrindo alegremente."

O primeiro capítulo deste livrinho mais uma vez fala do Ano-Novo, misturando temas com que o professor Seicho já tinha falado em "Passaporte para a Felicidade" (lembram-se? Sobre a maquiagem etc?) e a necessidade, aí sim, que nos parece a tônica deste livro, de viver de forma natural ("Pessoas que alcançaram a felicidade são as que sempre viveram com a mente natural..."), com uma recomendação ao final, para cultivarmos o sentimento de gratidão e sorrir alegremente. Gratidão e alegria, esta parece ser a chave, o binômio para o rejuvenescimento e, via de consequência, vivermos uma vida de modo agradável. Serão apenas estes dois sentimentos necessários para uma vida agradável? Não percam, literalmente, os próximos capítulos deste livrinho...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Viver De Modo Agradável - Prefácio - Pg. 7

"Hoje em dia, a maioria dos prédios tem ar-condicionado, e graças a isso não passamos frio no inverno nem sofremos com o calor no verão. São os benefícios do mundo moderno. Mas, às vezes, o ambiente interno é aquecido ou resfriado em demasia. O ideal é que tanto a temperatura quanto a ventilação e a umidade sejam adequadas.
Quando caminho por uma floresta ou um bosque ouvindo os cantos dos pássaros e o leve ruído da brisa que passa pelas ramagens, desfruto uma sensação muito agradável de paz e bem-estar. Observo os raios solares, que aquecem brandamente o solo umedecido pela chuva de véspera e fazem surgir a neblina, penso emocionado: 'Que sensação deliciosa!'
Queremos que o nosso modo de viver esta vida também seja agradável, e podemos conseguir isso vivendo conforme a nossa natureza inata. Procuremos viver uma vida repleta de vitalidade, manifestando simultaneamente o sentimento natural, a brandura, a força, a capacidade de ação e a fé."

15 de Janeiro de 2001
Seicho Taniguchi
E assim começamos mais um livrinho, o terceiro da série, com mais catorze pequenos ensaios, desta vez amealhados com o título "Viver de Modo Agradável". O que significa viver de modo agradável para vocês? Para o professor ST, resta claro no último parágrafo, que é viver conforme nossa natureza inata, o que nos leva, por conseguinte, à segunda Norma Fundamental, qual seja, "Conservar Sempre O Sentimento Natural". Então, podemos bem pressupor que cada um dos capítulos que estudaremos a seguir tenha como linha mestra a naturalidade em todos os nossos atos, naturalidade que nos leva a simplicidade no agir, por exemplo?
Para maiores informações, é bom prendermos a nossa curiosidade e ler, bem devagar, degustar cada capítulo do livrinho que iremos estudar agora, sem pressa e (perdoe o trocadilho!) bem natural...