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sábado, 24 de novembro de 2012

Deus Seja Louvado?

Um dos barulhos que escuto no feicibuqui é a tal da ação que um membro do Ministério Público Federal ingressou querendo tirar a expressão "Deus Seja Louvado" das notas de Real, sob o argumento de que vivemos num estado laico. Minha opinião sobre o caso, se é que alguém perguntou ou se interessa, é a seguinte:
Num primeiro momento, uma resposta impulsiva a este cidadão seria: "Com tanta coisa importante a se fazer no país, vão querer mexer nisso?", ou, como diria o bom e velho JC: "Coais um camelo e filtrais um mosquito"... e que mosquito!
Quem me conhece sabe que sou favorável à laicização total do Estado. Como advogado, sou favorável, embora exista muita opinião respeitável contrária, à retirada de crucifixos dos Tribunais e locais públicos. Excepciono, no entanto, os gabinetes destes membros públicos: em seu ambiente privado de trabalho, eles podem ostentar o que quiserem e o que bem entenderem... mas, voltando...
Na minha modesta opinião, a qual eu tenho muito respeito, o termo "Deus" na nota de dinheiro não denuncia qualquer favorecimento à alguma entidade religiosa ou coisa do gênero, apenas demonstra a óbvia constatação de que, sim, o Brasil é um país teísta (os ateus pira!). E o que há de mais nisso?
Uma pequena sugestão ao nosso bem intencionado membro do MPF: se quer acabar com alguns laivos de religiosidade no país, porque não começar com uma medida bem mais impopular que esta: que tal acabarmos com os feriados religiosos?
Radical, eu? Não, estou adotando a mesma lógica do nosso amigo: qual a razão de ficarmos sem trabalhar, por exemplo, numa sexta-feira santa, se poucos sabem o verdadeiro significado disso? (quem aqui sabe que este foi o dia da morte de JC, o bom?).
Finados, para quê?
Natal, se não foi neste dia que Ele nasceu...
Nossa Senhora Aparecida que me perdoe, mas qual a razão dela ter um feriado nacional em detrimento de Nossa Senhora de Guadalupe, por exemplo? Se uma é (razão não tiro) padroeira do Brasil, a outra é das Américas, e o Brasil não faz parte das Américas, cáspita?
E aqui no Rio, um santo que adoro (e já expressei minha devoção neste blog), São Jorge? Por que o dia de um capadócio, atual turco, deve ser feriado em vez de Frei Galvão, por exemplo, legítimo (e até agora único) santo tupiniquim?
Isso significaria laicizar o Estado, que deveria comportar, no meu entender, como feriados o primeiro de janeiro (dia internacional da ressaca...), o carnaval (admito, é algo tão arraigado na cultura nacional que seria antipatriótico de minha parte dizer que deveríamos trabalhar numa segunda véspera da terça gorda e mais três feriados: um nacional (7 de setembro seria o escolhido, 15 de novembro com todo o meu respeito...), um estadual (só se comemoraria, com justiça, o 21 de abril apenas em Minas) e outro municipal (a fundação ou algo que o valha de todo e qualquer município brasileiro e só.
Vejam bem: não sou contra os feriados religiosos, no entanto, alçá-los a um patamar de feriado nacional é algo um tanto quanto surreal. Além de ser uma grandíssima injustiça com outros santos queridos do país, como Santo Antônio, Santo Expedito, São Judas Tadeu e tutti quanti, e a seus devotos também.
Aí um evangélico resolve propor o Dia do Evangélico como feriado nacional e alguém deveria reclamar? Na minha modesta opinião, não...
Vamos particularizar um pouco mais o caso: alguns dias na SNI eu considero que deveriam ser Feriados Nacionais. 01/03, a sua fundação; 27/09, Dia da RD da Grande Harmonia e, why not?, o 22/11, aniversário do Mestre. E nem por isso...
Enquanto isso, vemos nas notas de dólar que os americanos continuam trusting in God e nem por isso se faz este escarcéu todo...
Assim, que Deus continue a ser louvado e vamos ao próximo tema!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Uma Rápida Observação

Pessoal, acabo de escrever pelo segundo dia seguido o Diário do Relógio de Sol e posso adiantar para vocês: o negócio parece besteira, mas funciona. Hoje mesmo no trabalho tive uma vontade imensa de abençoar a todos os colegas de trabalho. Elogiei até o cabelo de uma das coordenadoras, vejam vocês. Um exercício simples, que demandou, quando muito, dez minutos antes de dormir, que fizeram muita diferença... por isso recomendo. Ele está me servindo até como um substituto do Diário de Elogios.
Do jeito que estou, vai chegar a hora em que vou mandar um e-mail para todo o escritório desejando um dia feliz. Mas preciso me lembrar da tal adequação ao tempo, local e pessoa.
Mas, mesmo assim, dá para vivenciar um pouco de SNI no trabalho. Até uma das normas constantes no "O Que Deve Fazer o Dedicado à Iluminação" fala especificamente sobre isso.
Agora dormirei. Se amanhã acordar com outro ânimo, agradeçam ao tal do Diário...
Por isso, recomendo que comprem. E usem, acima de tudo.
Pequenos milagres começarão a surgir!

domingo, 8 de maio de 2011

Outras Reflexões Familiares...

Continuando no campo das reflexões, comento agora o tardio reconhecimento, pelo STF, das tais uniões homoafetivas, que os mais puristas insistem em eufemizar o tal do casamento gay. Digo tardio por parecer que aquele areópago somente agora descobriu a roda, no sentido de legitimar o que há tempos já existia, a tal da união gay. E o que tem isso a ver com o tópico acima?
Bom, enquanto os Ministros confabulavam sobre tão espinhoso tema, eis que vejo uma declaração de um religioso (não vou aqui citar de qual igreja, dou a vocês o ônus de procurá-la), dizendo que tal decisão "destruiria a família", e outras afirmações quejandas. É nesse ponto que desejo chegar.
Meus caros, a família jamais se destruirá por nenhum motivo destes, et le saviez-vous le pourquoi? Porque ela parte de uma necessidade básica, primal e primitiva do homem desde que ele era um rude Neanderthal: o homem precisa de outros homens (ou outras mulheres), pois ele é um animal social. Lembram-se do Gênesis, "não é bom que o homem esteja sozinho"? Pois é mais ou menos por aí.
Ah, objetam os senhores, mas estamos falando de uma família composta de um homem e uma mulher. Bem, neste ponto, recomendo a quem interessar possa dar uma google no tema "família monoparental" para saber um pouco mais sobre esta outra aberração familiar, que é a família composta por apenas uma pessoa (digamos que narcisista, suponho). Nem por isso há tamanha grita entre os religiosos pundonorosos de plantão...
Mas uma família composta de dois homens ou duas mulheres é certamente uma aberração, continuam. Olha, neste particular, realmente não tenho muito conhecimento prático sobre o assunto (e duvido profundamente se minha nem tão liberal mas sempre augusta esposa conceder-me-ia permissão para estudar o assunto in loco), mas...
Na minha opinião (vejam bem, não estou colocando SNI no meio e sei que pode haver muito preletor por aí que vai olhar de cara feia para minhas ideias), eu acho que quem vê dois homens ou duas mulheres numa família atém-se apenas ao tal do corpo carnal, atém-se apenas à matéria. Pois, como disse anteriormente, espírito não tem sexo, que é algo unica e exclusivamente fenomênico.
Ora, direis, então o que são, o que pretendem estes "casais"? Eles pretendem evoluir na escola da vida, e precisam passar por estas lições fenomênicas, sejam como homo, sejam como hetero.
Ah, sim, entendi, então deveríamos ter compaixão destes "casais"? Necas de pitibiriba. A RD da Grande Harmonia já dizia: "ser tolerante ou ser condescendente não significa estar reconciliado como todas as coisas do céu e da terra". Assim...
Insistindo na metáfora escolar, minha augusta senhora cursa o terceiro de dez semestres do curso de História. A uma pessoa que entra no primeiro semestre ela deveria ter pena? E uma pessoa que estaria no quinto semestre deveria ter compaixão de minha augusta e histórica senhora?
O que existe nesta vida, e que os preclaros cidadãos religiosos não entendem é que existem níveis diferentes de aprendizado nesta vida. Cada um vem neste mundo com seu uniforme (corpo carnal) e aptidões distintas. O aprendizado vem no decorrer do curso e a nota final só quando o abandonarmos. E, meus queridos, de uma coisa lhes posso muito bem adiantar: nesta escola da Vida nosso curso ainda é o primário. Pois, espiritualmente falando, somos ainda crianças da mais tenra idade. E, como várias crianças ainda pouco polidas moralmente, somos cruéis com quem é diferente. Isso agora virou moda com nome bunitim: bullying, coisa que na minha época e antes também sempre existiu. Somos crianças ainda! E vários dos religiosos que admiramos, independentemente da corrente religiosa que pregam, são pré-adolescentes ainda, chamando de bigode aquela penugem chamada buço, mas que ainda têm muito, muito o que aprender...
Agora, uma questão final: se estamos ainda no primário, quando chegaremos à Universidade? Calma, meus queridos, nós um dia chegaremos lá! Afinal, estamos ou não no Lar do Progredir Infinito?

domingo, 1 de maio de 2011

Por que o Trabalho Tem Valor?

"Compreendemos, assim, que as mercadorias são produzidas através de um conjunto de forças do trabalho, mas, se não elucidarmos a razão pela qual o trabalho tem valor, será ignorado o fundamento da teoria do valor-trabalho. Marx nada disse a respeito. Ele disse que o trabalho era a origem do valor, mas não explicou por que o trabalho tem valor.
Marx era materialista e portanto não compreendia o fato de que é impossível surgir valor de algo puramente material. Observando o trabalho apenas do ponto de vista do materialismo e considerando o homem também uma matéria, chegaria à conclusão de que as mercadorias são produzidas por 'máquinas automáticas' chamadas seres humanos. Desse modo, sem admitir a existência da Vida humana, não há como explicar o fundamento do valor do trabalho.
O trabalho tem valor porque procedeu de uma fonte que tem valor, isto é, porque se manifestou da Vida humana. E a Vida humana é preciosa, porque surgiu de Deus, a fonte de todos os valores. O trabalho tem valor porque derivou dessa preciosa Vida."

(Descoberta e Conscientização da Verdadeira Natureza Humana, Masaharu Taniguchi, pg. 69-70)

Fica aqui registrada, neste pequeno texto, nossa homenagem ao trabalho, bem como ao seu dia, 01.05.2011, em que também faleceu Ayrton Senna, no longínquo ano de 1994, assim como também é o aniversário (creio que em 1978, não me recordo agora) de um dos meus melhores amigos de infância, Alexandre, falecido em 07.02.1993. Quanto ao Senna não, mas quanto ao Alexandre, desnecessário dizer que faz alguns anos que ele é repetidamente convidado por mim para participar da Festividade do Santuário Hoozo.
Agora, cá para nós: que é irônico o dia do trabalho cair num domingo, ah, isso é!

sábado, 23 de abril de 2011

Jorge & Kanzeon

Como disse no post anterior, as orações de São Jorge e de Kanzeon Bosatsu são muito parecidas. Veja agora as referidas preces. Negritei os pontos em comum de ambas. Primeiro, a Oração de São Jorge:

"Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso rosto a esperança e confiança, abri meus caminhos. Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo e vossas poderosas armas, defendendo-sme com vossa força e grandeza. Ajudai-me a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço (faça agora seu pedido). Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade. Rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e fazer o Sinal da Cruz."

Agora, a Oração de Kanzeon Bosatsu, presente na Sutra em 30 Capítulos para Oração Diária, pgs. 19-22:

"Neste momento, contemplo este mundo em que vivo como sendo manifestação da admirável sabedoria de Kannon, a Deusa da Misericórdia. As estrelas que cintilam no céu são os olhos da Deusa da Misericórida, que zela por mim. O vento que sussurra entre as copas das árvores, o murmúrio das águas dos riachos, esses e outros sons da Natureza são palavras que a Deusa da Misericórdia usa para se comunicar comigo. Todas as forças da Natureza manifestam-se para me vivificar. O mundo em que vivo não é um mundo desconhecido para mim. Eu compreendo este mundo e ele me compreende. Por isso, nada tenho a temer. Neste momento, abasteço-me na fonte da força imanente no Universo. Estou em perfeita sintonia com todas as forças do Universo, e sigo por caminhos tranquilos, orientado pelo amor e pela sabedoria do próprio Universo. Na Sutra Kannon está assim escrito: 'Mesmo quando fores cercado por malfeitores prestes a te atacar brandindo as espadas, se mentalizares os poderes da Deusa da Misericórdia, brotará misericórdia no coração deles; mesmo que alguém tente envenenar-te, se mentalizares os poderes da Deusa da Misericórdia, o veneno se voltará contra essa pessoa; mesmo que sejas acuado por uma fera e te vires na iminência de ser atacado por suas terríveis garras, se mentalizares os poderes da Deusa da Misericórdia, a fera se afastará e rapidamente tomará outro rumo'. Deusa da Misericórida é a sabedoria que purifica o Universo, e é a grande Misericórdia que protege todas as coisas do Universo. Como sigo ao lado dela, não deparo com nenhuma força que se oponha a mim. Com sua grande Misericórdia, ela me ama, me orienta e me preenche com nova força vital. A sua admirável sabedoria está presente em todos os seres e em todas as coisas. Por isso, tudo e todos neste mundo estão em perfeita harmonia. Agradeço à Deusa da Misericórdia." 

Sensacional, não?

Salve Jorge!

Bom dia a mais um dia 23, que continua sendo dia de Cowboy Jorge! Salve Jorge! Já tive em posts passados a oportunidade de informar aos caros leitores deste blog minha devoção ao Santo Guerreiro e sua incrível semelhança a ninguém menos que Kanzeon Bosatsu (é isto mesmo que tu o lestes, estupefato leitor! Se duvidas desta afirmação, compare as orações de São Jorge e a de Kanzeon, esta última na Sutra para 30 capítulos, dia 3, e veja se ambas não seriam idênticas no que pertine ao aspecto da proteção).
Na realidade não digo bem devoção, creio ser mais simpatia ao Santo Guerreiro por uma coincidência do destino: há quase dez anos, consegui meu primeiro emprego como advogado justamente na véspera de seu dia. Recordo-me como hoje de passar pela sua Igreja lá no Centro do Rio para a entrevista e minha posterior contratação. Na volta, feliz, ganhei (ou comprei, nem me lembro mais) um santinho dele, e só não comecei a trabalhar no mesmo dia porque era o primeiro ano que o dia de São Jorge fora elevado a feriado municipal (posteriormente estadual) no Rio de Janeiro. Assim, comecei minha carreira jurídica em 24.04.2002...
Os anos se passaram e a minha simpatia só aumenta. Não me chamo de devoto, pois para isso preciso ter pedido uma coisa para o santo, coisa que evito fazer (tudo bem, tudo bem, hoje no oratório, antes de fazer a sutra eu pedi...) e não me perguntem o porquê. Além das cores dele serem as minhas preferidas (vermelho e branco), desconheço as razões. Mas, como dizem por aí, em especial no Carnaval, se Simpatia é Quase Amor, fica aí o registro!
Ah, e descobri lendo a biografia do Paulo Coelho, que São Jorge é, entre outras coisas, além de padroeiro dos corinthianos (Parque São Jorge não é à toa...) é padroeiro dos livros...  outra coisa que adoro!
Salve Jorge!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Continuando nas Leituras...

... alguém aqui já ouviu falar do livro "Jesus Viveu na Índia", do teólogo alemão Holger Kersten? Este livro, que foi proibido em Portugal, apresenta uma tese para lá de controversa, a de que JC não morreu na Cruz (opinião compartilhada, inclusive, pelo Alcorão!) e passou seus últimos dias na Índia, e que Ele conhecia muito bem as doutrinas budistas, que àquela época já contava com pelo menos seis séculos de idade? Pois bem, entre várias descobertas interessantes sobre JC, veja o que nosso querido autor escreve, às pgs. 228-229 da minha 14a edição:

"Os atributos de um Bodhissattva espelham a imagem que temos de Jesus. A principal qualidade de um Bodhisattva é a compaixão, porém num grau tão elevado que o torna capaz de tomar sobre seus ombros o fardo do mundo e ajudar os pecadores a alcançar a salvação. Mesmo que dê a impressão de falhar na compaixão ou no cumprimento do dever, sua missão salvadora permanece intacta. Jesus perseguiu esse ideal com seriedade, aceitando a responsabilidade de arcar com todos os pecados da humanidade, aceitando ser pregado na cruz como o cordeiro imolado. Com isso podemos dizer que Jesus apresenta todas as características de um Bodhisattva.
No budismo, a figura transcendental do Bodhisattva, Avalokitéshvara, é a encarnação da compaixão ilimitada. Avalokitéshvara é uma palavra que deriva da união de Íshvara (= Senhor, soberano) e ava-lokita (= aquele que olha para o mundo com compaixão). Avalokitéshvara é quase tão perfeito quanto o Buda, possuindo poderes miraculosos com os quais supera todos os perigos e dificuldades. A partir do século 12, Avalokitéshvara foi retratado com estigmas nas mãos e nos pés, simbolizando a Roda dos Ensinamentos. Muitos autores ocidentais têm reconhecido, no símbolo da roda, os estigmas de Jesus e veem nisso a prova de que Avalokitéshvara e Jesus eram a mesma pessoa"

"Eeeeepaaaaaaa", como diria Vera Verão, "Para tudooooo!!! Este autor está querendo sugerir simplesmente que Kankan e JC eram a mesma pessoa???"
Eu me silencio e deixo a resposta ao amável leitor. Outro ponto digno de nota e não apresentado aqui: a SNI apresenta, exceção feita a apenas um livro, de que eu não me recordo agora, Kankan como personagem feminina. Agora ela, como JC, é masculina??? Qu´est-ce que ça signifie? Tolinhos, quando eu falei, posts atrás, analisando a homofobia, que espírito não tem sexo, quantos de vocês abanaram a cabeça em sinal de desaprovação e querendo mandar este blogueiro às favas? Pois é...
Mas não nos prendamos aos detalhes e sim à essência! A tese de Kersten não é, no mínimo, para se ter um ou dois minutos de reflexão?

Do Evangelho de Maria Madalena

Confesso que hoje dei uma olhada meio por acaso num livro que comprei há algum tempo, creio que de uma Editora evangélica, intitulado "Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia", um livro tão grosso quanto a própria, que pretende ser o repositório dos escritos apócrifos que foram meio que deixados de lado pela Cristandade no momento da formação do cânone bíblico. E, confesso, o que me chamou a atenção para o mesmo foi o fato de que, em Porto Alegre, vi o mesmo livro numa livraria sendo anunciado em nova edição contendo os Evangelhos de Tomé ou Judas e de Maria Madalena. O de Tomé (ou Judas) eu já sabia que esta minha edição mais antiga tinha, mas fiquei curioso quanto ao segundo. E, qual não foi a minha (grata) surpresa ao saber que lá tinha tal obra, também? E qual não foi a minha (gratíssima) surpresa ao descobrir neste Evangelho tais palavras tão semelhantes ao pensamento seichonoieístico? Por favor, é para ler em posição de oração!

"O Salvador disse: 'Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem uma das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça'.
Pedro lhe disse: 'Já que nos explicaste tudo. Diz-nos isso também: o que é o pecado do mundo?' Jesus disse: 'Não há pecado; sois vós que os criais. quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é o chamado 'pecado'. Por isso, Deus-Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem'".

Acho que tá bom, né? No primeiro parágrafo JC simplesmente nos informa da unicidade de todas as coisas (o velho mas nunca batido "eu e outro somos um") e no segundo parágrafo simplesmente Ele nos informa da inexistência do pecado! Interessante, não? E é por conta deste pecado que Deus novamente apareceu para (re)conduzir-nos à nossa origem. Não é sensacional?

Reflexões De Uma Sexta-Feira Santa

Povo do meu blog! Após uma semana que estive no Sul na terça e na quarta-feira a trabalho, eis-me aqui compartilhando um pouco deste feriadão convosco. Por onde começaremos, então?
Daqui a meia-hora, aproximadamente, reza a tradição que se trata da hora em que Jesus Cristo morreu aqui neste plano. Para a Cristandade, como um todo, esta sexta-feira santa é o dia mais triste do ano, para os que comungam tal fé. Claro que no domingo, com o Senhor Ressuscitado, toda essa tristeza termina, não em pizza, mas em chocolate. Mas, questionemos um pouco...
A SNI tem uma visão um pouco diferente de Cristo. Na realidade, ela evoca o chamado Cristo Eterno, presente em cada um de nós. Como se dá isso?
Cristo nasceu, permaneceu um bom tempo de seu ministério oculto, e, quando revelado, mostrou ser alguém que transcendeu, de forma admirável, as chamadas leis da matéria. Curou doenças, ressuscitou mortos, e, mais importante, ensinou o know how de todas estas proezas, dizendo, numa das maiores provas de humildade já vistas, que quem tivesse fé o suficiente ainda lhe superaria em tais proezas.
E nós achando tolamente que Ele seria na mais leniente das hipóteses, nosso Irmão mais velho...
Seu desprezo à matéria atingiu o ápice com sua morte. Por que? Porque nem a morte o matou. Ei-lo redivivo, para espanto de seus onze assustados apóstolos (não vos esqueçais do pobre Judas, a essa altura devidamente suicidado por trinta dinheiros).
E hoje, nesta que é a mais aziaga das datas cristãs, qual o significado de sua morte? Modestamente, eu acredito que seja um lembrete para nós da morte de tudo o que é fenomênico, tudo o que é instável. JC mostrou, em apenas três anos, verdades tão profundas a respeito dos homens e de seu papel na espiritualidade que se tornou, para muitos, pedra de tropeço a tudo o que é espiritual, razão pela qual pleiteiaram tanto por sua morte, como se a morte de um corpo físico pudesse ser o ponto final das ideias deste mesmo corpo.
E o melhor de tudo, a mais doce das lembranças: Este mesmo Jesus Cristo não está morto, Ele está vivo. Em mim, em você, em toda a humanidade. Ele é, em última instância, o que de melhor nos proporciona a nossa espiritualidade, ou seja, a consciência de que somos, assim como o Nazareno que daqui a aproximadamente um quarto de hora nos deixou neste plano barbaramente crucificado, filhos do mesmo Pai Eterno e, acima de tudo, Amor.
Pensem nisso.

domingo, 17 de abril de 2011

Marco Feliciano

Religião tem dessas coisas! Ajuda muito, mas também quando atrapalha... um clássico exemplo é o que o nosso Excelentíssimo Senhor Deputado Federal e Pastor Marco Feliciano fez, poucos dias depois de Bobô. Isso, sim, eu considero um desserviço não só à causa negra como também à própria espiritualidade, quando ele aventa uma suposta desgraça da raça negra à maldição que Noé (Noé, Noé!!!) lançou a seus filhos após o dilúvio, em virtude de um pileque que o mesmo tomou... maldição de bêbado tem dono? E o pior, em nenhum momento no Gênesis foi aventado que a raça negra tinha culpa no cartório. Tem culpa eu? Nada, nenhuma culpa no cartório. Mas a opinião dos pseudo-doutos especializados em religião, ah, se têm, ah, se têm... É como eu digo: sempre que ocorre algo de grandes proporções vem um sabichão religioso com uma resposta pronta, cheia de espiritualidade. No caso do Haiti, lembram-se? Com tanta desgraça por lá por conta de um terremoto, um pastor norte-americano, sem um culto melhor para fazer, inventa que o que aconteceu foi em virtude dos pecados e dos vodus dos haitianos. Alguns círculos espíritas também amiúde aprontam destas cousas: outro dia recebi uma comunicação espiritual da ex-mulher do Roberto Carlos, Maria Rita. Assim como existe na internet, basta pesquisar, comunicação espiritual daquele menino João Hélio, que foi arrastado num assalto no Rio, explicando o porquê daquela estúpida morte, aludindo ao fato dele ser romano, etc e tal... Ainda bem que, por enquanto, na SNI ninguém tentou, pelo menos hoje, explicar as coisas desta maneira. Porque os evangélicos pretendem com suas explicações apenas comprovar a veracidade e a pretensa santidade de suas doutrinas, ao passo que os espíritas apenas pretendem comprovar a existência da lei de causa e efeito ("isso ocorreu porque em vidas passadas a vítima era algoz blá-blá-blá"). Em ambos os casos, o que isso ajuda na evolução espiritual dos povos? Em pouca coisa, não? Mas aguardem! Não demorará muito e, ou um evangélico informará à nação brasileira que o tal do Wellington estava endemoniado quando fez aquela carnificina em Realengo ou uma daquelas 12 vítimas vai escrever uma comunicação espiritual tentanto acalmar seus pais e informar à mesma crédula nação brasileira que o que o Wellington fez é passível de perdão, porque em outra vida ele tripudiou do pobre Wellington o tempo todo... O quê??? Mas eu já estou adiantando o assunto do próximo post? Ora, passemos para ele então!

Bolsonaro III: Negros

Burp! Completamente refestelado de meu almoço antinatural, volto a escrever neste blog, e desta vez para tratar dos negros, já adiantando o assunto para meu próximo post, que não vai ser mais de Bobô, e sim de outro deputado... mas, calemo-nos em obséquio da ênfase... Preconceito racial é uma tolice tão disparatada quanto a homofobia, e, definitivamente, é coisa de gente que só acredita no fenômeno, e, pior, no corpo carnal. Sim, pois o que é a cor negra senão uma cor banhada numa substância chamada melanina, que é uma substância criada unica e exclusivamente para proteger a pele dos raios de sol, cuja incidência se dá precisamente nas regiões tropicais e mais afetadas pela incidência dos raios solares? Vendo por este prisma, o que é o negro senão o bem dotado e protegido e abençoado da espécie, o mais capacitado dentre todos os tipos de seres humanos que estão neste planeta? Mas não! Caçoamos da cor, da inteligência e amiúde do caráter dos melaninoides, como se isso fosse efetivamente influenciar em sua espiritualidade! Pobre humanidade! Enquanto ela não descobrir que o corpo carnal é apenas vestimenta e não caráter, vai ficar se esbatendo nestes estéreis debates sobre a superioridade das raças... Superioridade? Pfui, somos todos iguais, filhos do mesmo Pai... chega a ser ridículo isso... Por isso, como diria meu querido Bobô, paro por aqui, pois não quero mais discutir promiscuidade com vocês ou com quem quer que seja! Próximo post, please!

Bolsonaro II: Homossexuais

Apenas a título de complementação da conversa que tivemos ontem, cabe aqui a indagação: o que a SNI fala sobre a homossexualidade ou o homossexualismo? (sim, confesso que um destes termos é abominável para os gays, pois indica patologia, o que, afinal de contas, não vem a ser o caso... caso algum homossexual se digne a ler meu blog, peço perdão pela minha ignorância e preguiça por procurar o termo certo... mas, vamos lá...) Bom, até onde segundo sei, a SNI nunca se posicionou muito firme a respeito deste tema, de uns tempos para cá ela vem adotando a seguinte postura: aceita, mas que os gays, assim como os heteros, não assumam uma postura promíscua em relação aos demais adeptos. E para aqueles que se sentirem incomodados com esta situação (sim, porque nem com toda a propaganda de auto-afirmação as pessoas ainda não conseguem sair do armário, digamos, orgulhosamente), a SNI oferece explicações de cunho espiritual (não, não me perguntem que explicações seriam estas...) para o seu, digamos, problema... Agora, querem saber a minha opinião sobre tão intrincado tema (desde já friso, digo e repito que é opinião minha, nada tendo a ver com a alta cúpula seichonoiezista, apenas a opinião de um humílimo Líder de Iluminação): eu acho toda essa discussão uma rematada bobagem. Sim, senhores, bobagem. Assim como o preconceito racial, outra idiotice (eu iria usar termos mais chulos, mas a boa inducassão deste blogueiro impede de usar de tais caçanjes). Tudo isso é idiotice, et le saviez-vous le pourquoi? Porque tudo isso, no fundo no fundo (sem trocadilho!) é fenômeno, e, como tal, é inexistente. Espírito em si não tem sexo, o meu espírito não é homem nem mulher, eu venho para este plano e, digamos, sou obrigado a escolher o meu sexo como várias e várias outras variáveis existentes: eu escolho ser terrestre, eu escolho ser brasileiro, ser filho de fulano e sicrano, escolher tal profissão, torcer para um determinado time de futebol (desde que seja Flamengo ou Inter), ter esta ou aquela orientação política, e, entre outras coisas, o sexo e a sua orientação sexual. Assim, a pessoa é homossexual ou heterossexual apenas no plano fenomênico, e nada mais. Captaram a essência da questão? "Ora, direis, ouvir estrelas, mas o homossexualismo é antinatural, é uma aberração às leis divinas, ao crescei e multiplicai-vos do Gênesis, ao Adão e Eva, assim cadê o tal do conservar o sentimento natural?" Pensemos um pouco então: quantas coisas antinaturais praticamos inconscientemente e sequer nos damos conta disso? Querem uma prova disso? Minha augusta esposa está me chamando para almoçar. Um instante que verificarei o cardápio do dia. "Peito de frango assado recheado com maçãs e frango defumado acompanhado de batatas coradas e salada de grão de bico" (ufa!) Captaram? Eu comerei carne. Carne. Contrariarei a natureza vegetariana de minha constituição física, embora esteja doido para comer. O pobre frango está lá, me esperando, e comê-lo-ei, sem dó nem piedade, um alimento que talvez esteja impregnado de sentimentos de tristeza da pobre ave, e que provavelmente far-me-á mal e com sono daqui a uma meia hora... Aí pergunto para os naturalistas de plantão: o que é pior? Contrariar a minha natureza vegetariana e o meu sistema digestivo ou praticar atos antinaturais com alguém do mesmo sexo? O que vai me prejudicar mais? Se formos pela viés naturalista, como pretendem, teríamos todos que andar nus, pois Adão e Eva vieram nus a este mundo. Uma blusa, mesmo que seja de frio, já seria antinatural. E várias outras cositas... Assim, amigos, meu frango está me esperando e eu tenho que terminar este post: ser homo ou heterossexual é, como diria meu amigo Machado de Assis, "são gostos, são costumes". E, como tais, há quem os goste e quem os desgoste, o que, também, é muito natural. Cabe a nós, de parte a parte, respeitar os gostos, usos e costumes de cada um, e o resto, bem, o resto, como diria aquele célebre rabino...

sábado, 16 de abril de 2011

Bolsonaro

Agora sim vou polemizar, e num assunto que não encontro unanimidade e concordância nem mesmo com minha augusta e direitista senhora. Sim, estou falando do esquecido Jair Bolsonaro e sua tragicômica participação no CQC, dias atrás... Sim, senhores, pois, se tenho que reprochar Bolsonaro, é apenas e tão somente no que tange à sua audîção, e isto porque confundir auditivamente "gay" (escuta-se "guei") com "negra", realmente é caso para Centro Auditivo Telex... Mais engraçado ainda é o fato dele tentar corrigir um assunto evocando outro pior, no caso, a emenda saiu bem pior do que o soneto! Mas, vamos lá então... antes de mais nada, quero dizer que sou eleitor a umas duas legislaturas dos Bolsonaro, pai e filho, federal e estadual e só não cravo no outro filho porque este é vereador no Rio de Janeiro e eu moro em Niterói... E defendo, sim, o que ele disse, sem medo de perder a audiência neste blog, e já explico a razão... Hoje falamos muito em democracia, em liberdade de opinião. Você é livre para expressar o que bem quiser e o que bem entender, certo? Sim, desde que em certos limites estabelecidos. Aí é que começa o busílis, quando interpretaram mal que Bobô (tenho intimidade para tratá-lo assim, afinal, sou seu eleitor!) falou, em especial sobre a questão gay. Aí questiono os meus nobres leitores deste blog: qual o grande, o absurdo problema que tem de Bobô não gostar de homossexuais? Cáspita, isso é tão natural quanto o fato de eu não gostar de gremistas, por exemplo, eu, colorado de truz, ou simplesmente não gostar de vascaínos, eu, flamenguista de carteirinha! Por ele não gostar de homossexuais ele vai sair batendo em tudo quanto é gay? Não, até porque, como ele mesmo disse, o que cada um faz com seus corpos peludos é problema de cada um... Aí entra a segunda e mais perturbadora questão, e explico já a razão do perturbadora. Muita gente pensa como ele, e o lado mais, digamos, avançadinho da sociedade simplesmente não tolera esta discordância de opiniões, tachando-a de antiga, retrógrada, e desembocando em adjetivos até meio forçosos como intolerante, virulenta e quejandos. Aí questiono novamente: como fazer para "convencer" este lado mais reacionário a passar para o seu lado? Como fazer isso sem mexer com sua liberdade individual de opinião? Simplesmente aceitar o fato de que existem certas pessoas não suportam homossexuais, e nem por isso vão sair agredindo e coisa e tal. "Ah", dirão alguns, "mas isso vai fomentar atos de violência e homofobia". Pode até ser, mas para um cidadão chegar ao cúmulo de agredir um outro igual seu por simplesmente ser homossexual é preciso, com todo respeito, ter muita caraminhola na cabeça. Como diria o nobre deputado, "deixai os peludos com seus peludos", e fim de papo. Querer forçar uma parcela da população a rezar pela sua cartilha é tão violento quanto os atos escrachados de homofobia, só que esta é uma violência invisível, sutil, praticamente uma tortura chinesa. É querer vencer pelo cansaço o sagrado direito de um ser humano de acreditar como verdadeiro as coisas mais falsas deste mundo e vice-versa. Ou não. Por isso acho que toda essa grita contra Bobô é desnecessária. E, por fim, quanto ao Marcelo Tas ter orgulho de sua filha lésbica, parabéns para ele: é um direito que ele tem de se sentir feliz, assim como Bobô tem o direito de manifestar sua insatisfação se a filha fosse dele... esta, pelo menos, é a minha opinião, até porque... Seicho-No-Ie é ou não é contra qualquer dogmatismo, seja lá de que setor venha?

domingo, 27 de março de 2011

Eu Mereço?

Ontem, sábado, visitei uma tia lá na Tijuca, que tinha acabado de se mudar. Fui com minha augusta mãe e lá fiquei sabendo de seu mais novo bordão. Minha tia, católica de truz, daquelas que toda manhã de domingo frequenta sua missa. Mamãe, ao dar-lhe um par de sandálias, recebeu como resposta, acompanhado do já protocolar "muito obrigado" um inusual e didático "Eu mereço". Inusual porque é raro você ouvir isso. E didático porque estas duas palavras encerram profundas lições. Ela falou que de uns tempos para cá, todas as coisas que ela recebe, além de um "muito obrigado" ela complementa com um "eu mereço". Reflitamos. Quantos de nós, seichonoiezes mais ferrenhos, temos este comportamento perante a vida? Reflitamos. Achei este episódio de singular beleza e digno de ser colocado no post para nossa reflexão. Quantos de nós achamos que não somos dignos de receber as coisas boas que Deus colocou em nossas vidas. No meu assalto mesmo, eu mereci perder o relógio e vinte reais. Mas não mereci perder minha aliança, meu mp3 e meu celular. Aliás, se perdesse a aliança, como convenceria minha augusta esposa deste acontecimento? Quantos de nós achamos merecedores das coisas boas da vida? Sinceramente, não sei. Só sei que minha tia, de uns tempos para cá, acha que ela merece. E ponto. Fomos embora logo, visita bem de médico. Aliás, a casa dela ainda tinha arrumação da tal da mudança dela. Pela primeira vez em toda a sua vida, eu acho, os 4 (quatro) filhos dela deram-na uma casa própria. A casa é dela. Porque ela merece. Será que ela merece? Sinceramente, eu acho que sim.

domingo, 20 de março de 2011

Às Senhoras Arakis de Plantão

Seichonoiezes de plantão, nestes tempos sísmicos, tsunâmicos e nucleares que atravessa o Japão, vejam um trecho atualíssimo que estou lendo no volume 18 da Verdade da Vida. O texto é longo, confesso ter até uma preguiça para transcrevê-lo em seus melhores momentos, mas como o assunto é palpitante e atual, acima de tudo, vamos lá, consta nas páginas 67 a 73:

"Sra. Araki - Não sei se digo que 'a oração é atendida' ou que 'o pensamento se concretiza' ou ainda que 'a vontade de orar brota naturalmente do íntimo porque a graça almejada já nos está dada', o fato é que minhas orações provocaram o grande terremoto de Tóquio, e hoje peço a todos que ouçam minha própria confissão sobre isso. Desde criança, aprendi por experiência própria que todos os pensamentos se concretizam infalivelmente (...) Como podem ver, tudo que é mentalizado concretiza-se. Optei pelo colégio Miwata, mas logo constatei que as alunas dessa escola eram todas grã-finas, e eu era a única residente em um bairro operário (...) Quando alguém falava em visitar-me em casa, arrumava mil pretextos para evitar isso. Entretanto, havia duas colegas que conheciam meu segredo, menosprezavam-me e maltratavam-me ameaçãndo revelá-lo às outras colegas. Eu sofria demais com isso, pois elas tocavam em meu ponto fraco. Muitas vezes desejei que as duas desaparecessem deste mundo. E passei a orar do mais profundo d´alma: 'Que essas duas caiam em desgraça'. E aconteceu conforme orei: uma delas ficou doente e morreu, e a outra casou-se tão logo se formou mas não foi feliz no matrimônio, separou-se do marido e parece encontrar-se em situação penalizante. Com isso, compreendi o quanto é terrível o pensamento de maldição. Hoje não sou capaz de amaldiçoar ninguém, por mais que seja maltratada (...) Mas logo depois minhas colegas voltaram a insistir em visitar-me. Eu já não encontrava pretextos para desvencilhar-me disso e, pode parecer tolice, diante da eventual visita de minhas colegas em casa, orei com toda a seriedade: 'Ó Deus, fazei com que minha casa pegue fogo'. Porém, percebi instantaneamente que o incêndio de uma única casa tornar-se-ia notícia, e os jornais publicariam que a tabacaria tal, situada em tal lugar e de propriedade de tal pessoa, pegaria fogo. Isso para mim seria péssimo. Pensei seriamente se não haveria um tipo de incêndio que não tornasse pública a tabacaria. Para isso, concluí, o incêndio não poderia ser em uma só casa: o bairro todo teria de se incendiar acidentalmente. 'Sim, é esta a solução', pensei. Passei então a orar por isso do mais profundo do meu coração. Alguns dias depois, em 1º de setembro de 1923, precisamente às 11:58, deu-se o grande terremoto de Tóquio. Exatamente de acordo com a minha oração, o fogo surgiu não se sabe de onde e alastrou-se por toda a cidade. Minha casa também foi destruída e fugimos entre as chamas, passando a noite inteira mergulhados em um rio para não sermos devorados pelas labaredas. Mais tarde mudamos para um bairro melhor e pude receber minhas amigas e colegas em casa sem constrangimento, convivendo com elas de igual para igual conforme sempre sonhara. Assim, com minha vaidade satisfeita, pude terminar tranquila o curso ginasial. Tudo o que mentalizo, acontece. Para os outros, o grande terremoto de Tóquio aconteceu como reflexo da mente de cada um deles, mas, para mim, foi a concretização das minhas orações.
Taniguchi - (Em tom de brincadeira) A senhora até parece uma feiticeira: quando amaldiçoa alguém, este morre; quando pensa em incêncio, as casas pegam fogo. Sou também uma das vítimas do grande terremoto de Tóquio, e devo à senhora o fato de a Seicho-No-Ie estar atualmente estabelecida em Sumiyoshi. São raras as pessoas cujo poder concretizador da mente é tão grande como o da sra. Araki, mas todos possuímos esse poder em potencial, e isso significa que estamos influindo no destino do mundo. É portanto de suma importância fazermos mentalização positiva para purificar o pensamento da humanidade (...)
Oono - Há quem tenha profetizado o grande terremoto de Tóquio com um ano de antecedência. Isso quer dizer que aquele acontecimento já estava criado no mundo da mente um ano antes. A sra. Araki apenas captou isso e sintonizou suas orações com o que já estava prestes a acontecer. O senhor concorda comigo, professor?
Taniguchi - Sim, concordo. Um acontecimento como aquele que atinge extensas áreas é resultante de pensamentos de grande número de pessoas. Não foi, obviamente, concretização do pensamento exclusivo da sra. Araki (...) se cada qual assumir e resgatar a parcela de culpa que lhe cabe, não restará culpa alguma no mundo. Se a mente de cada qual se iluminar, o mundo ficará iluminado. É com essa finalidade que os adeptos da Seicho-No-Ie estão praticando a Meditação Shinsokan simultaneamente, no mesmo horário determinado (...) Considerando-se que a oração de uma só pessoa possui tanto poder de concretização como constatamos no caso da sra. Araki, se nos unirmos em grande número e orarmos pela paz, esta se concretizará infalivelmente. Peço a todos que convidem seus amigos e conhecidos a aderirem ao Movimento de Iluminação da Humanidade, da Seicho-No-Ie".

E você, iludido leitor, achando que "A Verdade da Vida" era só uma coleção de trechos antigos de uma revista sem qualquer conexão com a atualidade, não? Tsc, tsc, tsc... ledo engano...

Uma Semana Depois...

Bom dia, povo do meu blog! Uma semana se passou, as notícias se espalharam mais rápido do que radiação atômica e, a despeito do que apregoaram as Cassandras de plantão, o Japão começa, ainda que aos poucos, a recolher seus cacos e partir para o futuro. Fukushima virou "apenas" um Three Mile Island, não tivemos a reedição de Chernobyl e tudo parece voltar como dantes no quartel de abrantes. Correntes de oração (na SNI maratonas de sutras) foram formadas, donativos estão sendo recolhidos, e aos poucos o mundo parece voltar aos seus eixos. Bom ou mal? Para quem vive com a desgraça alheia, péssimo, ainda mais se este alheio for, literalmente, do outro lado do mundo, e não se teria, pelo menos a curto e médio prazo, risco de sofrer suas consequências.
Tudo isso me lembra o que nosso bom e velho Masanobu Taniguchi escreveu no prefácio de seu ótimo "Princípio do Relógio de Sol", que transcreverei aqui para os senhores, páginas 9 e 10:

"Há um ditado no idioma inglês: 'No news is good news'. Seu significado 'Não ter notícias é uma boa notícia' parte da premissa de que a maior parte das notícias que recebemos através dos meios de comunicação é constituída de más notícias. O fato de um indivíduo observar o lado sombrio, o lado negativo da vida, em si, não é algo tão condenável nem é conveniente proibi-lo de o fazer. Mas é claramente anormal o esforço de repórteres dotados de grande capacidade, que estudaram Jornalismo, fluentes em vários idiomas, que se valem de todos os meios de comunicação, estruturas, máquinas e equipamentos de informação de ponta para levar ao maior número possível da população humana, de forma concreta e dramática, em todas as oportunidades, apenas o lado negativo da vida, ignorando o positivo. Como consequência, está sendo difundida a mensagem "O mundo está repleto de males". Uma situação lamentável.
Informações incorretas produzem julgamentos incorretos, e levam a nação e a sociedade a ações e políticas equivocadas. Não estou dizendo que cada uma das informações noticiadas não corresponde aos fatos concretos. Digo que noticiar apenas fatos sombrios, acontecimentos negativos, dentre enorme número de ocorrências, é distorcer a realidade. Não ocorrem somente mortes; acontecem também nascimentos. As pessoas não só matam; elas vivificam-se, ajudam-se mutuamente. As pessoas não só enganam ou traem os outros; também levam a honestidade até o fim, e fazem as pazes. Se há uma pessoa que odeia, existem outras dez, cem pessoas que amam. Mesmo que haja uma pessoa enciumada, a maioria das pessoas abençoa. Mas, nos noticiários, são destacadas apenas as primeiras; e as segundas, que são maioria, são ignoradas. Dizer que isso é a realidade do ser humano ou da sociedade não constitui uma gigantesca mentira?"

Agora, começam a pulular informações como "espinafres radioativos" ou "água de Tóquio apresenta radioatividade", tudo isso com qual objetivo? Nos compadecer do sofrimento nipônico? Qual! Para aumentar a onda de insegurança mundial a respeito da energia nuclear? Pode até ser. Com certeza, informações utilíssimas como estas não vão ajudar, nem um pouco, o povo japonês. Como disse posts atrás, e reafirmo agora, se não tivermos mais nada a fazer, devemos simplesmente orar. Orar pela recuperação nipônica. E só. O resto é ilusão e tanto eu, como você e o resto da seichonoiezada sabem muitíssimo bem que ela não existe. É bem como canta aquele belo hino sagrado "Louvor a Deus":

"As projeções hão de desaparecer/não são verdadeiras, não são criações de Deus/ e agora então, o mundo de Deus já é/pleno de amor e sabedoria/ o mundo de Deus é sempre muito sereno, verdadeiro e repleto de amor/Oh quanta graça e luz, com amor e devoção agradeço a Deeeeeuuuuuusss"

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Da Minha Dupla Missão Como Líder de Iluminação

Não, incauto leitor, você não leu errado; o último capítulo realmente referia-se a Machado e este continuará sendo, apenas esclareço o que faz o nosso querido bruxo do Cosme Velho num blog sobre uma filosofia criada mais de vinte anos após sua morte. Nada a ver? Vocês que pensam...
Outro dia, de manhã, enquanto me preparava para trabalhar, meditava (não o Shinsokan, mas com minha canequinha contendo um cálido café com leite) sobre o que eu queria fazer como Líder da Iluminação. Em outras palavras, qual seria minha missão dentro da SNI?
Outros e outras certamente teriam missão muito mais nobre que a minha, ou seja, levar a salvação ao maior número de pessoas, e não nego que eu também tenha um pouco de vontade de também fazer isso. Mas minha verdadeira (e dupla) ambição é algo um pouco diferente...

1. LEVAR A SEICHO-NO-IE AO MUNDO: Ou seja, mostrar ao mundo a riqueza do pensamento da SNI, seja ele religioso, seja ele psicológico/psicanalítico, seja ele filósofico. Sim, porque, para mim, SNI é mais, muito mais do que uma NRJ (nova religião japonesa). Ela engloba tantos aspectos da vida de uma pessoa, mais até do que uma mera religião (mesmo uma tão capilarmente enraizada na sociedade brasileira, como a católica), que fica difícil você avaliar até que ponto termina a influência da SNI na vida da pessoa e onde ela começa. Essa zona cinzenta é realmente admirável.

2. LEVAR O MUNDO À SEICHO-NO-IE: Sim senhores, mostrar aos adeptos que existe no mundo muito do pensamento da SNI, espalhado pelos quatro cantos do globo, nos lugares mais insuspeitos. Afinal de contas, quantos de vocês não se surpreenderam por alguns dos mais invulgares SNI Hits (pensam que eu esqueci? Estou é peneirando muita coisa interessante). E é aí que Machado entra na história. Pretendo, pouco a pouco, mostrar alguma coisa do pensamento dele (especialmente filosófico) que combina - e muito - com o pensamento da SNI. Exemplo? Em Dom Casmurro tem um capítulo que explica de uma forma inaudita a criação do mundo, e que podemos muito bem classificar como a criação da ilusão (e vocês pensando que eu falaria de Capitu???). Em Quincas Borba pretendo discorrer alguns aspectos do Humanitismo em comparação com a SNI, para fazer Schopenhauer se levantar da tumba...

Muita dessa minha dupla missão vem de uma convicção íntima que forjei logo nos meus primeiros dias de SNI: a de ter formatada na mente uma visão de tudo aproveitar no mundo para valer um bom ensinamento da SNI; ou seja, ver em tudo um pouco de SNI, até mesmo em Machado de Assis, futebol, Jorge Ben Jor, Laura Pausini, Platão, Nietzsche, Legião Urbana etc etc etc. Em tudo isso eu vejo SNI e é para filtrar tudo isso e trazer para vocês, esta é que é a minha humilde missão. Tudo para que os meus seis leitores se apercebam que Seicho-No-Ie não é uma mera invençãozinha de um japonês circunspecto leitor de autoajuda, é algo que é muito grandioso e que, via de consequência, escapou do comando de Masaharu Taniguchi (com a sua conivência, creio) e está plasmada, incrustrada na Sabedoria dos tempos, independentemente de lugar ou de época. Esta é a minha visão. Esta é a minha missão. Muito obrigado!

Outro Estudo À Vista?

Sim, senhores, outro Estudo à vista, desta vez de outro texto... só não queria iniciá-lo sem antes terminar de adequar o que fiz...
Por enquanto manterei segredo, deixe estar mais disposto para escrever. Quem sabe não inicio no Carnaval? Espero que me seja tão útil quanto o da nossa querida RD... mas acompanhem...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quase Carnaval

É quase carnaval e a Acadêmicos do Jisso está quase para entrar na Sapucaí! Bom fim de semana a todos. Estou sem nenhum tema à baila, depois das minhas considerações tacanhas sobre a fé. Sobre qual assunto tratar neste final de fevereiro no qual as pessoas mais ansiam por um pouco de skindô-skindô?
Acho que não é tanta a opinião geral, esta. Afinal de contas, existe o tal do Seminário de Carnaval, evento este que as pessoas se acotovelam para ir em Ibiúna e nas demais academias. Eu mesmo já tive vontade de participar, pena que minha augusta esposa não compartilhe tanto desta minha vontade, foliona que ela é...
Mas deve ser interessante ficar isolado no mundo durante o tríduo momesco para pensar na vida. Refletir, ver o que está certo e o que está errado, fugir um pouco do burburinho do mundo, embora isso se possa muito bem fazer naquela meia hora diária ao amanhecer e ao anoitecer que nos dedicamos ao Shinsokan. Mas lá é diferente: lá pensamos, não temos as preocupações diárias com o pão de fôrma nosso de cada dia e quejandos...
Bom, demos uma volta por Ibiúna e voltamos à estaca zero, ou seja, sobre o que falar aqui...
Ajudem-me!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Da Fé E Outras Banalidades... - Parte II

No post anterior expus o problema, com requintes de advogado do diabo, agora parto para a resposta, mas aguardando sempre os percucientes comentários de meus seis leitores: como ter fé nestes dias?
Jesus Cristo disse algumas vezes que o verdadeiro curador não era Ele, e sim a fé dos que O procuravam. E daí pergunto: se a fé remove montanhas, se ela pode curar e fazer milagres, porque, simplesmente, não se entregar a esta verdadeira força interna dentro de nós chamada Fé? Por qual razão renunciaríamos a tal poder? Pela Razão, pura, simples e abstrata, a recta ratio que Cícero tanto admoestava seus compatriotas romanos em "A República"? Imaginemos, num rasgo de heresia total, que Deus não existisse. Bom, Ele não existe, mas a nossa Fé, seja ela em que, em quem ou em quaquer coisa que o valha, ela existe. E ela pode revolucionar vidas, levantar reputações e tudo o mais, acompanhada de seu sobrinho Sonho. Sim, pois para quem tem a tia Fé e o sobrinho Sonho, sua mãe só pode se chamar Convicção.
Assim encerro estas reflexões pré-jogo: Voltemos à pergunta que nos motivou esta pequena digressão: "E se a pessoa não tiver fé?" Aí, meinen sehr geehrter Herr Hindenburg, de nada vai adiantar vir a Seicho-No-Ie ou a qualquer outra denominação religiosa. Religião é, antes de mais nada, crença, fé. E sem ela, as Igrejas permanecerão vazias. Mas, para se ter fé, pelo menos dentro da SNI, é preciso outra coisa (e eu falei isso na palestra), coisa esta chamada prática. Sem prática, de nada adianta nossa fé (Já não dizia Tiago que a fé sem obras não é morta?).
Por isso que comparei SNI na palestra a uma ginástica. Sim, ginástica mesmo, e tenho a meu favor a denominação atlética e elegante de Ibiúna como "Academia de Treinamento Espiritual". Sim senhores, para ter fé é necessária prática, para se ter prática necessário se ter disciplina, para se ter disciplina precisa se ter perseverança, e perseverança em alcançar o que se busca. Como diria o vulgo, Sucesso só vem antes do Trabalho somente no dicionário. Na prática, a coisa é bem, bem diferente...