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domingo, 11 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Ser Iluminado e Sem Nenhuma Obstrução - Pg. 63

"O corpo humano é um instrumento que o homem utiliza, e não é eternamente indestrutível. Mas o dono, o usuário deste corpo, é filho de Deus, imortal e indestrutível. Assim, todo homem carnal tem um determinado tempo de vida, nascimento e morte.
Por que usamos um corpo carnal que nasce e morre? Para entender isso, basta considerar quanta inconveniência haveria se vivêssemos eternamente, com um único corpo carnal. Para começar, o homem carnal tem limite de tamanho e peso. Não seria bom se o corpo fosse gigante demais. Caso ele tivesse a extensão do infinito, a Vida poderia ser imensurável, porém seu corpo carnal seria invisível por nós, pois enxergamos algo porque existe certa limitação; e, até agora, não houve uma só pessoa que tenha visto ou ouvido o Ser Ilimitado (Deus).
Ou seja, o corpo carnal que enxergamos com os olhos físicos e reconhecemos através dos demais sentidos não pode ser infinito, e, nesse estado, não tem condição de ser usado infinitamente. Mesmo porque não é possível usar infinitamente algo que é finito. Para começar, o próprio planeta Terra e o Sol têm duração determinada. São corpos celestes que um dia vão se extinguir. O Universo é uma sucessão de nascimentos e mortes de todos os astros. Portanto, não é possível quie este minúsculo corpo carnal, que vive num dos astros, seja infinito.
Nossa alma, indestrutível, é, ela própria, Buda, ou Deus, que preenche todo o Universo; aliás, o Ser que transcende a tudo. Como manifestação de uma pequena parte, ela cria o corpo carnal e o utiliza como seu instrumento por um tempo determinado.
Ao corpo carnal, ainda, é aplicada a lei da matéria; portanto, ele não é totalmente livre e sofre variadas restrições. Mas o homem verdadeiro em si é o ser iluminado, é Buda. Buda é o ser livre de quaisquer amarras, não sofre nenhuma restrição e é totalmente livre.
Além do mais, se o homem é um ser livre de qualquer limitação, ele não só vive no planeta Terra com este corpo carnal, como tem a liberdade de viver a experiência e manifestar-se em todo e qualquer lugar, inclusive em mundos multidimensionais, além deste mundo de três dimensões. Portanto, para viver em mundos fora do planeta Terra, o corpo carnal não é o mais apropriado. É por isso que usamos este corpo carnal por um determinado tempo, mas depois o abandonamos, para trocar por outros corpos. Repetindo sucessivamente essas mudanças, viveremos eternamente.
Eis o princípio da transmigração da alma. Dessa forma, os corpos, para a manifestação neste mundo fenomênico, vão mudando infinitamente. Mas o espírito, que é o senhor, é eternamente indestrutível, imortal, ilimitado; é aquele que surgiu do mundo da Verdade. É aquele que existe realmente, é o próprio despertar."

Com essas palavras termina o nosso livrinho e, consequentemente, o nosso estudo. O que podemos deste último capítulo apreender?
Primeiramente, curioso ponto de vista do prof. Seicho, na medida em que ele dá à imortalidade do corpo carnal uma visão que eu, particularmente, até então, não tinha. Mas, mesmo assim, ao provar a finitude do corpo carnal, ele reassume a imortalidade da alma. No entanto, senti-me um pouco fatigado ao saber que minha alma passeia, de corpo em corpo, de mundo em mundo, ad infinitum. Isso significaria que o nível de minha evolução permaneceria durante várias encarnações praticamente estacionado? Isso não ficou claro...
Achei bonita as últimas palavras dele: "Mas o espírito, que é o senhor, é eternamente indestrutível, imortal, ilimitado; é aquele que surgiu do mundo da Verdade. É aquele que exisete realmente, é o próprio despertar." Meditemos um pouco sobre este trecho, ou melhor, retomemos desde o prefácio do livrinho: lá o professor Seicho nos ensinaria a ter a verdadeira alegria espiritual. E creio que aqui, na outra ponta do livro, em sua página 65, ele nos dá a derradeira resposta: a verdadeira alegria espiritual, o verdadeiro modo feliz de viver é este: é descobrir que somos, acima de tudo e antes de mais nada, seres espirituais, e de que nada, absoutamente nada de material deste mundo dependemos.
Feitas estas considerações finais, anuncio que o próximo livrinho a ser estudado é "Passaporte Para a Felicidade", do mesmo autor, e praticamente no mesmo formato, um prefácio e 14 outros pequenos textos. Comprei-o hoje, no Domingo da Seicho-No-Ie, justamente com esse objetivo.

sábado, 10 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Chave da Mente - Pg. 59

"Demora dezenas ou centenas de anos para que as árvores se desenvolvam e a mata seja formada, mas para cortar uma árvore basta uma hora de serviço. Todo trabalho de formação demanda paciência e dedicação, portanto, começar a 'correr atrás' somente na hora em que algo começa a faltar pode ser tarde demais.
É por isso que não devemos ficar apenas usando ou desperdiçando, mas procurarmos nos dedicar mais na formação, na preparação. O mesmo podemos dizer da saúde. Aquele que vive dissipando sua juventude com bebidas, fumo, vida desregrada, quando o vigor físico chegar ao limite, acabará sofrendo um grande abalo. Repentinamente poderá receber uma declaração médica de que está com câncer e ficar totalmente perturbado, como resultado desse desperdício de vigor físico e vida.
Se a pessoa passar a viver naturalmente com a mente correta, deitando-se cedo e levantando-se cedo, naturalmente o câncer será contido e irá desaparecendo aos poucos. Isso acontecerá graças à capacidade que o ser humano possui de cura natural, à força de resistência que colhe a cancerização. Essa força é acionada a toda hora 'Câncer, pare de se multiplicar!'. É acionada de forma subconsciente, totalmente automatizada.
A administração de uma empresa ou um empreendimento tem sucesso quando todos os integrantes unem suas forças para realizar um bom trabalho, sem precisar que o dirigente fique dando ordens a toda hora. Este deve apenas manifestar-se quando surgir alguma anormalidade e, depois de resolvê-la, ficar enviando vibrações de amor à empresa; então a administração automática toda dará certo.
Mas, se a mente do próprio diretor-presidente está em desordem, e, para ganhar dinheiro, comete todos os tipos de fraude, ignora os direitos humanos, perde toda a religiosidade, o sentimento de amor ao próximo e principalmente o sentimento de obediência à ordem estabelecida, imediatamente essa empresa entra em 'estado cancerígeno'.
Acontecendo isso, alguns componentes da empresa podem dar asas ao egoísmo e fundar empresas próprias com o montante que roubaram dessa empresa para a qual trabalharam. Às vezes ocasionam grandes prejuízos ao empregador e cometem traições.
Tais fatos não ocorrem repentinamente. É aos poucos que isso vai acontecendo. Para evitar isso, é preciso que a mente do diretor-presidente e a de seus diretores estejam unidas no sentido de obediência às leis.
Leis, neste caso, não se referem às normas da empresa ou a preceitos legais. Referem-se à Lei maior dos céus, ou seja, à vontade de Deus. Quando há obediência a essa Lei, a empresa desenvolve-se saudavelmente. É o mesmo que acontece com a saúde do coropo humano. O mais importante é os funcionários e dirigentes da empresa manterem a mente que preza a vontade de Deus e a ela obedece na vida cotidiana. Não se trata de formalidades como instalar um oratório na empresa, ou achar que está tudo bem porque todos os anos faz doações a entidades religiosas.
A chave da nossa saúde consiste no quanto, cotidianamente, praticamos a vontade de Deus, amamos, perdoamos, agradecemos, tornamos felizes e doamos uns aos outros".

Belo capítulo este de hoje, que nos encerra valiosas e ocultas lições.

1. Por trás da analogia que o professor Seicho fez da empresa, esconde-se uma outra analogia, sobre a nossa própria vida. Como assim? No sentido de vivermos a vontade de Deus. Notem bem no que escrevi: viver a vontade de Deus. Vamos decompor esta frase? Análise morfológica nela!
VIVER: Significa praticar, cotidianamente.
A VONTADE: O desígnio, ou, em evangeliquês, o propósito...
DE DEUS: Esse desígnio é de Deus, nada mais, nada menos.
E tal vivência se dá em obediência às Suas leis, que nada mais são do que as leis mentais que estamos carecas de estudar na SNI. Captaram, neófitos? Pois bem, tem mais!

2. A questão do oratório, que achei assaz curiosa: no volume 16 da Verdade da Vida o Mestre diferencia os dois tipos de culto que praticamos, naquele caso, em referência aos antepassados, mas aqui vamos estender a sua aplicaçao. É o culto interno, efetivado através de nossa postura e de nosso mundo mental e o culto externo, feito através de rituais, simbologias externas etc e tal. O primeiro, de caráter subjetivo; o segundo, de caráter objetivo. Resta óbvio aqui que o primeiro precede e lhe é mais superior do que em relação ao segundo.

3. Por fim, o último parágrafo. Praticarmos a vontade de Deus. Repetição do que disse no ponto 1 lá em cima, me fez lembrar o significado de Islam, que vem a ser Submissão a Deus. Não é esse um ótimo sinônimo para o que o professor Seicho nos falou? Reflitam e me respondam depois!

O Modo Feliz de Viver - Não Tema - Pg. 55

"O homem desejar ter sucesso na vida é algo realmente maravilhoso. Ter saúde, sucesso no trabalho, harmonia no lar, ser longevo - é mais que natural almejar isso, pois não é verdadeiro desejo do ser humano preferir adoecer ou fracasar no trabalho.
Isso porque, sendo a Imagem Verdadeira do homem a de filho de Deus, a de Buda, ele deseja manifestar essa Imagem Verdadeira no mundo fenomênico. Se não existisse a Imagem Verdadeira e houvesse um vazio, não surgiria na pessoa esse desejo de manifestação.
Por exemplo, um gato não pensa 'Realizarei um bom trabalho', nem deseja 'Quero formar um bom lar'. Isso porque no gato não existe a Imagem Verdadeira tão perfeita como em nós, humanos. Por isso, ele não consegue produzir música ou pintura como os seres humanos. Como não possui tal capacidade, não lhe ocorre tal desejo.
Portanto, é maravilhoso o fato de o ser humano pensar 'Quero tornar-me uma pessoa maravilhosa'. Os doentes desejam 'Quero ser curado', porque possuem capacidade de ser saudável. Sendo assim, por que não manifestam essa força? Basta que a deixem fluir, para que ela se manifeste o quanto desejarem. Mas quem pensa 'Não consigo', 'Não tenho capacidade', não pode manifestar nada, por mais que possua capacidade.
Ao mesmo tempo, o sentimento de temor também fecha o coração das pessoas. Por exemplo, alguém lhe pede que suba neste momento ao púlpito e faça um pronunciamento. Todas as pessoas têm capacidade de falar. Tanto assim que, com familiares e amigos, você fala o quanto quiser. Por isso, palavras sairão sem tropeços, se agir como se falasse com familares e amigos; mas, se temer pronunciar-se diante de outras pessoas, sentirá dificuldade de falar.
É um estado semelhante ao de um sapo diante da cobra, que fica como que hipnotizado e não consegue mover-se. É o estado da pessoa que, diante de um incêndio ou terremoto, fica paralisada de medo. Por sentir muito medo, não consegue exteriorizar a força que possui.
Portanto, deixemos de sentir medo. Para isso, é importante conhecer a Verdade 'homem, filho de Deus, Vida imortal'. Todas as pessoas possuem Vida perfeita, são filhas de Deus e imortais. Portanto, não há necessidade de temer o que quer que seja. Por mais que alguém adoeça e tenha febre, não há quem tenha morrido devido à hipertermia. Na hora da morte, o corpo esfria; razão por que não devemos nos preocupar quando a temperatura corporal se mantiver alta. Vírus e bactérias não toleram aumento de temperatura. Até o câncer é vulnerável ao calor, e febre tem ação curativa. Entendendo isso, o doente deixará de temer a febre, facilitando a manifestação da força restauradora, e em pouco tempo a febre baixará, a doença desaparecerá, e ele poderá levar uma vida agradável, repleta de vigor."

Medo. Alguns dizem que, em certas e determinadas circunstâncias é até bom ter. No mundo fenomênico, concordo, mas estamos falando no Mundo da Imagem Verdadeira, em outro plano. Aí, o medo, além de não ser benéfico, torna-se inexistente, ou melhor, desnecessário.
O professor Seicho, a uma altura do capítulo, fala em algo semelhante a sentimento de naturalidade, o que me faz lembrar - e muito - uma das normas fundamentais, que é justamente "Conservar sempre o sentimento natural". No sentimento natural não há espaço para o medo, pois tudo é levado, tudo se encaminha para um final feliz (não existe aquela norma fundamental que nos manda acreditar sempre na vitória infalível?). Pois é... o sentimento natural é o antídoto contra o medo, e nele até o medo se transmuta em algo nem tão negativo assim. Um determinado receio diante de algum evento se torna natural para nós pelo mesmo estar representando um determinado perigo, e não apenas pela fobia em si. É preciso atentar com especial carinho para este fato, se quisermos, efetivamente, alcançar o modo feliz de viver.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Mente Que Governa o Ambiente - Pg. 51

"Certo dia, foi realizado um Grande Seminário da Seicho-No-Ie em Fukui. Pela 'Previsão do Tempo' do dia anterior, nesse dia haveria 100% de possibilidade de ocorrência de chuva nessa cidade. E que chuva forte cairia desde a noite anterior. Esse mesmo boletim foi reapresentado no próprio dia, sendo reproduzido também nos jornais matutinos. Mas, na prática, de manhã, quando acordei não chovia, nem choveu quando começou o Grande Seminário. Pelo contrário, o tempo foi abrindo-se, e, à tarde, o céu ficou totalmente azul.
Hoje temos computadores desenvolvidos, excelentes aparelhos de observação meteorológica, e informações são transmitidas pelos satélites artificiais, de modo que a previsão do tempo se tornou bem mais precisa, mas, às vezes, pode falhar. Isso acontece porque o clima, ou o estado atmosférico, contém vários fatores desconhecidos; principalmente o fator mental não é incluído na observação meteorológica.
Mas o mundo fenomênico muda de acordo com a nossa mente. Quando a mente se torna harmoniosa, também o ambiente onde a pessoa vive torna-se ordenado. Eis a razão pela qual dizemos 'Tanto o corpo carnal quanto o meio ambiente são sombras de nossa mente' e 'O mundo fenomênico é manifestação da mente'. No meio ambiente - montanhas, rios, ervas, árvores etc. - é natural que seja incluído o estado metereológico. Razão por que, num dia em que muitas pessoas se reúnem felizes, geralmente faz tempo bom. Pessoas especializadas em metereologia denominam 'atípico' um dia assim.
O pensamento intenso das pessoas constitui oração. Portanto, não é anticientífico dizer que se realiza até certo ponto uma oração de muitas pessoas concentradas em determinado objetivo. Mas as orações pedindo vitória na guerra nem sempre são atendidas; isso porque o lado oposto também ora pedindo vitória. O mesmo acontece com candidatos à faculdade que prestam exame vestibular: como todos os candidatos têm forte desejo na mente, no final o que decide é quanto o candidato conseguiu manifestar sua capacidade.
Pensando dessa forma, não podemos deixar de dizer que, para o futuro da nação japonesa ser bom ou ruim, existe o fator mente das pessoas. Ou seja, se a maioria do povo tiver a mente repleta de radiante esperança, o destino da nação irá melhorar rapidamente, ainda que encontrando condições adversas. Pelo contrário, se aumentar o número de pessoas que acreditam 'Está tudo errado. Não há outro caminho senão o da ruína', o destino da nação só poderá caminhar para a decadência. Por isso, é preciso que a maioria do povo tenha a mente alegre, pense de modo positivo, não seja levada facilmente por prognósticos negativos, não tenha medo de reforma e cultive força capaz de enfrentar qualquer dificuldade.
Ou seja, há necessidade de difundir intensamente o conceito de natureza divina do homem, natureza búdica do homem, para libertar as pessoas do conceito de que o homem é corpo carnal. O corpo carnal não é o homem; a matéria não é algo que domina o homem; pelo contrário, é por ele produzido e transformado. O homem é o senhor do ambiente em que vive, e não seu escravo. Por isso, o mais importante é, através de treinamento espiritual com perspectiva de longo prazo, aprofundar e ampliar o quanto possível a fé de que a natureza divina, a natureza búdica, é o verdadeiro homem."

O que apreender deste capítulo? Muita coisa. Acho que o principal é a conscientização do uso do pensamento positivo no nosso cotidiano, e fazer isso acreditando, como disse antes, na consenquencialidade do mundo fenomênico.
Isso significa que realmente, não importa quão difícil esteja nossa situação, se pensarmos positivamente, iremos, como reza o título do capítulo, governar o ambiente, e, consequentemente, dominar nosso futuro.
Palavras. Mas que é difícil manter tal estado diariamente, ah, é. Ainda mais numa perspectiva a longo prazo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Justiça e Coragem - Pg. 47

"É preciso ter coragem para agir com honestidade. Não merece confiança aquele que, por não ter essa coragem, age de forma desonesta, dizendo 'Segui a tradição'. Assim, fica difícil a vida melhorar. Dificulta a manifestação fenomênica da Imagem Verdadeira, da vontade divina, e torna-se obstáculo para o bom andamento do Movimento de Iluminação.
Mas, para ser honesto, não é suficiente 'você pensar que é honesto'. É preciso praticar com afinco a Meditação Shinsokan e conhecer intuitivamente se o que você pretende fazer está em conformidade com a vontade de Deus. Assim, você infalivelmente saberá. Qual será o tipo de dúvida que não consegue dirimir?
Por exemplo, se um evento teve mil participantes, mas alguém escreve no relatório que foram '1.500 participantes', está claro que se trata de uma fraude, e não é correto. Se uma mulher engravidou, e o pai da criança exigir 'Aborte', isso é claramente agir de forma incorreta, é exigir que ela cometa assassinato. Ainda mais inaceitável é dar justificativas como 'Isso é desonroso para mim'. Ou teria acontecido um 'milagre' de a moça engravidar desse filho sem que ele nada tivesse feito?
É também desonestidade fazer 'contabilidade paralela' para pagar menos impostos. Por mais que isso tenha sido ordenado por seus superiores, desonestidade é desonestidade. Você terá de escolher se participa ou não da desonestidade do chefe. É de difícil escolha, mas é nessa hora que sua coragem é testada. Se tiver coragem, poderá fazer a escolha correta. Quando aumentar neste mundo o número de pessoas assim, que agem correta e corajosamente, estará aproximando-se a manifestação do paraíso terrestre.
Até para agir com grandeza de caráter, fica difícil quando você está solitário. Precisa de muitos aliados. E Deus é o seu aliado número um. Ele é o maior e mais forte aliado que podemos ter. A Meditação Shinsokan é uma prática que consiste em nos encontrarmos com Deus e dEle receber orientação. Portanto, pratique-a todos os dias. Devemos receber diariamente, sem falta, orientação de Deus para saber o que devemos fazer.
Se, ainda assim, você não sabe o que fazer, é porque lhe falta praticar a Meditação Shinsokan. Quando faltam treinamentos, quer seja na área de pintura, quer na de música, a pessoa não sabe o que efetuar ou como fazer para bem expressá-la. Da mesma forma, há casos em que não sabemos como manifestar fenomenicamente a vontade de Deus. Isto é, apesar de sabermos o que deve ser feito, não sabemos exatamente como executar isso. É como se, para executar uma peça musical, por imaturidade, não saber exatamente como tocar o instrumento para produzir som harmonioso. Nesses casos, é preciso perguntar ao professor (ou a um veterano).
Em casos assim, as pessoas treinam com dedicação, orando de todo o coração. Traçando metas, treinam e praticam com dedicação, com alegria e coragem. Para conseguir verdadeira coragem, é preciso ter coragem de praticar."

Muito bom esse capítulo de hoje. Começa com o tema justiça, passeia no tema Shinsokan e deságua na importância da prática. Uma das frases mais emblemáticas deste livro, com certeza, é a que encerra este capítulo: "Para conseguir verdadeira coragem, é preciso ter coragem de praticar".
Faz sentido. Com efeito, se a verdadeira coragem se obtém com uma conexão direta com Deus, e se esta conexão se faz através do Shinsokan, logo, a coragem de praticar é fundamental.
Prática. Quantas vezes, durante o estudo do livrinho, nos deparamos com esta palavra. Quantas palestras assistimos, quantos bons preletores e líderes da iluminação nos exortam a tomar esta atitude. Agora, confessemos: quantas vezes efetivamente praticamos? Já que o tema é justiça e coragem, vamos ser justos e corajosos conosco mesmo: quantas vezes efetivamente praticamos Seicho-No-Ie no nosso cotidiano?
Muitos dos cabelos que o Mestre tinha em sua maturidade caíram em seu invulgar esforço de convencer, volume após volume da coleção A Verdade da Vida, de que religião é prática, e prática cotidiana. Entretanto, como bem disse no volume 17, as pessoas ainda teimam em considerar a religião questão de desocupados ou passatempo de idosos. Ou seja, religião é ritualística, não é prática. E religião é prática. Cotidiana. Diária. Vigilante. É educação mental. O vigiai e orai não foi dito à toa. Está conosco quando abrimos os olhos e continua conosco mesmo depois de fechá-los no início de uma noite de sono. Enfim, é tudo isso. E mais um pouco.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Força da Fé - Pg. 43

"Aparentemente, a vida do homem acaba com a morte do corpo carnal, tornando-se cinzas e ossos, como os animais, mas na verdade não é assim. Se o homem fosse apenas um animal superior como os macacos, então ele não teria muito valor. Afinal, por mais longevo que fosse, ele se tornaria cinzas dentro de cem anos, pouco mais ou pouco menos.
Não adiantaria nada orar para a cinza ou lhe prestar homenagem póstuma. Mas, se muitas pessoas oram diante do túmulo dos antepassados, é porque acreditam que, mesmo após a morte do corpo carnal, sua vida (alma) continua existindo. E é característica do ser humano ter capacidade de acreditar na existência da alma. Chimpanzés e gorilas não têm capacidade de possuir fé, ou acreditar em Deus, ou em vidas futuras.
Mas, e se eles pudessem acreditar nisso? ... Aí eles seriam seres humanos. Por mais que a aparência seja de gorila, se consegue pensar sobre a alma ou a imortalidade da alma, é porque possui alma humana. Seria impossível saber que existe algo dentro de si. Como possui alma, procura pela alma. Como possuímos Vida de Deus, procuramos por Deus, pensando que em algum lugar Ele existe.
É como procurarmos um bom disco de música porque temos em nós mente que compreende música. Se não possuíssemos essa mente e fôssemos seres como baratas ou lagartos, não iríamos procurar música ou aparelho de som de alta definição.
Portanto, se você procura riqueza ou prosperidade, essa riqueza já existe dentro de você. Sabendo que a possui, ela se manifestará livremente. Torna-se clara aí a diferença entre desejar porque não possui e desejar porque possui.
Muitas pessoas dizem 'Desejo possuir dinheiro porque não o tenho', mas isso se refere a algo com forma definida como dinheiro, e, nesse caso, deve ser mesmo assim. Mas o que possui forma é consequência daquilo que não possui forma. Matéria é manifestação da mente; portanto, deve existir primeiro aquilo que não possui forma.
Ou seja, existe em primeiro lugar capacidade ou talento para ganhar dinheiro; o dinheiro vem depois. Dependendo de reconhecer ou não que possui essa capacidade, o resultado será diferente. Nada consegue alguém que, sem possuir capacidade, deseja somente resultados.
Podemos dizer o mesmo em relação à saúde. Sem reconhecermos primeiramente que possuímos capacidade para ser saudáveis, a saúde não se manifestará. Ao procurar riqueza e sucesso, também devemos primeiramente reconhecer a existência da capacidade para os obter; surgem, depois, a riqueza material e o sucesso.
E, se essa ação de reconhecimento for aprofundada e passarmos a reconhecer, do fundo do coração, 'No mundo de Deus já existe tudo, existe o infinito', por essa força da fé, passarão a se manifestar sucessivamente coisas e fatos maravilhosos".

Uma frase me chamou a atenção mais do que qualquer outra neste texto: "Mas o que possui forma é consequência do que não possui forma". Se o professor Seicho escrevesse somente esta frase no texto, já valeria um longo comentário. Pois, vamos a ele então.
Lembram-se de ontem, quando disse que o mundo fenomênico é um mundo consequencial, que todas as coisas que nos ocorrem são derivados de nossa maneira pretérita de pensar, agir e sentir? Pois bem, esta frase que destaquei vem justamente comprovar o que eu disse: o que possui forma é precedido do que não possui forma. Mas esta frase encerra duas interpretações, ambas válidas:
1. A primeira, é a da formação do Fenômeno no mundo das formas. O que não possui forma (Deus, a Imagem Verdadeira, lembrai-vos da Revelação Divina: "Sendo eu amorfo e livre...") precede sempre o que tem forma. O Gênesis também é uma boa lembrança, quando Deus, reinando sobre o nada, começou a criação do mundo justamente pela...luz! Simbólico isso, não? Em alguns trechos de obras como "Comande Sua Vida Com o Poder da Mente" o Mestre fala de rodamoinhos de nada que, num determinado momento, "passam" a existir, e aí todas as coisas passam a surgir, mais ou menos como descrito na sutra: "quando a Mente deste Deus onipotente, deste Deus perfeito, entra em vibração e se torna Palavra, desenvolve-se todo Fenômeno e todas as coisas passam a ser...". Entenderam? É bem por aí mesmo.
2. A segunda, da qual já demos breves pinceladas, à la seu Lício, é a existência de algo sem forma (pensamento) que precede a forma (ato, por exemplo). Ou uma determinada atitude perante a vida, que faz surgir as coisas, literalmente, ex nihilo, do nada. O livro que estamos estudando, por exemplo: ele era algo amorfo e livre quando estava na mente do professor Seicho, que um belo dia resolveu sentar-se e, de posse de um computador ou de papel e caneta começou a rascunhar o livro que hoje, quase uma década depois, estamos estudando e comentando. Pode-se dizer que a partir daí o livro passou a ter forma, forma de textos e depois, acabamento com folhas e uma capa. A tradução, de Ikurukoto no Yorokobi para O Modo Feliz de Viver veio depois, e, alguns dias depois, este pensamento condensado, materializado do professor Seicho veio-me às mãos para estudar convosco.
Por fim, a força da fé que nos traz o título deriva basicamente desta verdadezinha muito simples e profunda que aprendemos hoje: Do Mundo de Deus vem todas as coisas materiais, do amorfo provém a forma. Ter fé nisso e aplicá-la na prática é essencial. É a nossa força.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Causa e Efeito - Pg. 39

"Nenhum ser humano deseja ser acometido por doença, infelicidade, desgraça. No entanto, comete tolices como matar e alimentar-se de animais, cortar árvores a seu bel-prazer, nas guerras atear fogo nas matas etc. Devemos é viver de forma a não ferir outros seres vivos e trabalhar em benefício do mundo inteiro, a ponto de receber agradecimentos 'Graças aos seres humanos, somos tão felizes e podemos ter vida longa'.
Isto porque, neste mundo, funciona a lei da causalidade: se praticarmos o bem, colheremos bons frutos, enquanto, se praticarmos o mal, colheremos maus frutos. Portanto, para não adoecer, é preciso que a pessoa pratique boas ações, e, para evitar desgraças, é preciso viver praticando o bem cotidianamente, evitando prejudicar não só outras pessoas, mas também os animais e os vegetais.
Ao ler isso, alguém poderá replicar 'Alguém tão bom como fulano adoeceu, e aquele outro que é tão malvado está vendendo saúde. Isso não está certo.' Realmente, às vezes encontramos exemplos assim. Mas, na verdade, nós nem sempre conhecemos tudo sobre a vida das pessoas. Alguém que parece ser tão boa pessoa pode estar, no seu interior, odiando os outros ou praticando atos desonestos às escondidas, como acontece por vezes. Há também casos de pessoas que parecem malvadas, mas possuem boas qualidades, como nunca esquecer dívidas de gratidão ou serem amáveis com os familiares.
Portanto, não devemos considerar boas os más as pessoas somente pela aparência delas. Na religião, diferentemente de Moral e Ética, o mais importante é acreditar na excelência do mundo verdadeiro, que transcende o conceito do bem e do mal, ou seja, acreditar na Imagem Verdadeira do filho de Deus, ver o homem búdico. Mas, neste mundo fenomênico, a atitude mental manifesta-se assim como é, por isso, quando há boa causa, há bom resultado; e, quando há má causa, há mau resultado. Essa lei é infalível, mas o julgamento do bem e do mal pela aparência não é exato, e é passível de falha.
Além disso, leva algum tempo para que essa lei da causalidade se manifeste. Mesmo praticando má ação, o mau fruto não aparece de imediato, e normalmente leva alguns anos para se manifestar. Também o fruto de uma boa ação não surge de imediato. É análogo ao bom trabalho de plantar árvores. Será na geração de filhos ou netos que a árvore plantada estará crescida e pronta para ser cortada como madeira.
Portanto, o bom efeito de uma boa causa deve ser aguardado com paciência, durante longo tempo. As pessoas são por demais impacientes, pretendendo obter resultados em curto período. Mas o homem é imortar e indestrutível; ele vive eternamente. Quem impõe limite e fica impaciente 'Não consigo bom resultado' é porque ele ou ela não acredita na eternidade e no caráter absoluto da lei de Deus".

Confesso que este é o típico capítulo que só se tornou interessante em seu final, com uma interessante reflexão a se fazer, e que eu constantemente faço: a diferença, por vezes imperceptível, no plano fenomênico, da causa e do efeito.
Tenho dito em minhas palestras que este mundo fenomênico é um mundo consequencial, ou seja, é formado de consequências de atos que geramos no passado. Tenho reparado muito esta "consenquencialidade" em várias áreas da minha vida, e os amigos também podem perceber. Amiúde ocorrem situações inesperadas comigo, tanto boas como más, que nunca imaginava que pudesse me ocorrer, mas, quando vejo lá atrás, houve uma sementinha que, sem ânsia ou pavor, se desenvolveu no meu jardim de pensamentos até brotar num evento, seja bom, seja daninho.
Falo em metáforas, mas o questionamento é assaz interessante. Não temos, efetivamente, o poder de adivinhar o futuro, mas temos o poder de controlá-lo. Como? Através de um controle estrito de nossa mente, de nossos pensamentos. Para isso é preciso disciplina, requisito que a maioria dos Fenomênicos como eu, como você e como tantos outros não temos.
Neste ponto, recordo-me de uma vez que li numa comunidade do orkut algo escrito por uma preletora gaúcha, Bel Plá, de quem nunca mais tive notícias, mas que vou avisá-la deste post. Essa preletora uma vez escreveu, acertadamente, que nossa mente fenomênica é preguiçosa. Acho que é por aí. Para combater a preguiça, disciplina; para obtermos a disciplina, é preciso prática, e o que é a Seicho-No-Ie senão um ensinamento prático (disciplinador) que nos direciona para o lado verdadeiro da vida?
Muito que bem. Entretanto, em que situações da vida teríamos que ter disciplina? Acho que um bom guia para tal são as famosas Normas Fundamentais. Neste ponto, lembro-me agora da excelente preletora Magali, daqui mesmo de Niterói. Certa ocasião, ela, estudando o livrinho sobre o Dedicado à Iluminação, chamou-me a atenção para a onipresente constância dos advérbios de frequência nas Normas Fundamentais. Sim, senhores, um pouco de aula de português para os nossos queridos leitores. Notem a presença deles:

1 - Agradecer a TODAS as coisas do Universo;
2 - Conservar SEMPRE o sentimento natural;
3 - Manifestar o amor em TODOS os atos;
4 - Ser atencioso para com TODAS as pessoas, coisas e fatos;
5 - Ver SEMPRE as partes positivas das pessoas, coisas e fatos e NUNCA as suas partes negativas;
6 - Anular TOTALMENTE o ego;
7 - Fazer da vida humana uma vida divina, e avançar crendo SEMPRE na vitória infalível;
8 - Iluminar a mente, praticando a Meditação Shinsokan TODOS OS DIAS SEM FALTA.

Sacaram os caps locks? É aquela velha história do "vigiai e orai", ou seja, devemos SEMPRE nos manter conectados com nossa essência divina. Assim, atenuaremos a por vezes perversa correlação entre causa e efeito fenomênicos. E, assim, encontraremos a verdadeira alegria de viver.

domingo, 4 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Alegria de Filho de Deus - Pg. 35

"Não há nada mais feliz do que sermos filhos de Deus. Isto porque um filho de Deus já possui tudo o que é de Deus. Da mesma forma que filho de gente é gente, filho de Deus é Deus, portanto, não morremos, não perecermos, não envelhecemos, não morremos.
Mas as pessoas que vivem neste mundo afligem-se, sofrem, vão envelhecendo, adoecem e morrem. Por que isso acontece? Porque as pessoas deste mundo, ou seja, o homem carnal, são sombras. A sombra, diferentemente do original, sempre aparece imperfeita.
Veja a sua sombra projetada na parede da sala à noite. Ou a sombra de outras pessoas. Você verá que ela é bem mais imperfeita que o original (você e outras pessoas). Ela parece um monstro sem rosto, com estrutura alterada, distorcida, enfim, a sombra não tem nada de belo. Além disso, basta você mudar de lugar para a sombra desaparecer.
Mas o original, ou seja, você, continua existindo dentro da sala, com rosto perfeito e pele saudável. De modo análogo, este corpo carnal é sombra. Sombra de filho de Deus projetada na 'parede' tridimensional, em que há altura, largura e comprimento.
Portanto, por mais que o corpo carnal seja imperfeito, o filho de Deus, original, é perfeito. Não morre, não adoece, não empobrece nem se aflige. Esse filho de Deus é você, sou eu, enfim, todas as pessoas.
Diferentemente da sombra projetada na parede da sala, a sombra que se manifesta no mundo tridimensional é mais definida, possui sentidos como visão, olfato, tato etc. Como se manifesta tão bem-feita, por vezes há quem a confunda com o original. Mas o original é muitas vezes mais maravilhoso que a sombra. É filho de Deus, eternamente imortal. 'Por que é assim?', talvez você indague, mas não há porquês. Essa é a verdadeira realidade.
'Como sabe que é assim?', pode também perguntar, mas isso é como você vai ver seu filho e reconhecer 'Este é meu filho': conhece intuitivamente. Teoricamente falando, é porque todo ser humano tem o desejo de tornar-se excelente, ser isento de doença e morte.
É que o homem busca a sua Imagem Verdadeira. Como tem vaga intuição de que é filho de Deus, sente desejo de manifestá-lo neste mundo fenomênico. É como se você tivesse um filho em algum lugar: sente o desejo de encontrá-lo e abraçá-lo fortemente 'Filho, sou seu pai' ou 'Sou sua mãe'."

Belo capítulo este, não? Acredito que, na realidade, ele seja um resumo de todos os primeiros capítulos aqui estudados. Algumas ideias se repetem, creio que para fixar bem a questão proposta, como a da imperfeição do mundo fenomênico. Foi escrito pensando especificamente em termos budistas, o que se infere dos quatro sofrimentos que Buda queria evitar (nascimento, adoecimento, envelhecimento e morte), algo que pude notar com a leitura paralela da Verdade vol. 7, obra de fôlego baseado quase que exclusivamente em termos budistas; assim, os pouco afeitos àquela filosofia certamente encontrarão dificuldades para a leitura deste opúsculo; agora, para quem gosta é uma festa, são vários e vários esclarecimentos e termos, para todos os gostos.
Mas voltando ao capítulo do livro estudado: ele resume o objetivo todo do livro já em sua primeira frase. Lembra-se que, no prefácio, o Autor disse que a verdadeira alegria era a espiritual? Pois é, na lata ele joga, na primeira frase, que não há alegria maior do que a de ser considerado filho de Deus. Assim mesmo, sem historinha ou algum conto para embasar o que será dito depois: A MAIOR ALEGRIA DO MUNDO É SABER QUE SOMOS FILHOS DE DEUS. É este o princípio da alegria espiritual e, com ele, já demos um importante passo para saber o que precisamos saber para alcançar esta alegria: ignorar o fenômeno, mirando-se no Mundo da Imagem Verdadeira, conscientizando-nos da nossa verdadeira filiação. Tá começando a ficar bom o livrinho...

sábado, 3 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Fisionomia Feliz - Pg 31

"Se você quer ser feliz, deve em primeiro lugar ter uma fisionomia feliz. Pelo contrário, se ostentar costumeiramente uma fisionomia sombria, triste, mesmo tendo o desejo 'Quero ser feliz', dificilmente ele se realizará. Por quê?
Vamos raciocinar, imaginando que você vai às compras. Dependendo do produto que deseja adquirir, irá a uma determinada loja. Se quiser comprar roupa, irá a uma loja de roupas; e, se desejar um livro, irá a uma livraria. Para isso, você vai ler o letreiro com o nome da loja, ou a vitrine, e, vendo nela livros, entenderá o que é uma livraria, mas, se nela estiverem expostas roupas, saberá que se trata de uma loja de roupas e entrará nela.
Assim, o letreiro e a vitrine são muito importantes. Possuem poder de atrair fregueses. No caso da pessoa, o que corresponde ao letreiro é a fisionomia. Se a expressão facial é feliz, pensarão que você é uma pessoa feliz; e, se ostentar uma expressão sombria, melancólica, lamurienta, pensarão que você é uma pessoa infeliz.
As pessoas, por alguma razão, gostam de felicidade, e não gostam de infelicidade. Há quem saia vagueando pelo mundo à procura de felicidade, mas nunca vi alguém andar atrás de infelicidade. Isso acontece sem distinção de sexo. Não acontece de 'pelo menos o homem gostar de mulher infeliz'.
E as pessoas acabam reunindo-se ao redor daquilo que procuram, ou de quem gostam. É impossível reunirem-se ao redor daquilo que odeiam e ficarem chorando. Por isso, naturalmente, se você é infeliz, as pessoas não se aproximam de você nem desejam sua companhia. Às vezes lhe fazem companhia contra a vontade, mas estão pensando em afastar-se de você o quanto antes.
Mas, se perceberem que você é feliz, todos se sentirão atraídos para ficar ao seu lado e desejarão não se afastar de você. Ou seja, você será uma pessoa que 'faz sucesso' entre as pessoas. Um marido desejará permanecer mais tempo possível perto da esposa feliz e voltará para casa mais cedo do trabalho. Quando ele for viajar, desejará ser acompanhado da sra. Felicidade, que é a esposa.
Mas, se ela for a própria sra. Infelicidade e viver com cara amarrada, o marido não sentirá vontade de voltar para casa, muito menos viajar acompanhado dela. Isto porque, neste caso, chegar perto dela seria aproximar-se da infelicidade, e também ir ao encontro da 'sra. Morte'.
Nesta situação, não adiantaria nada a esposa possuir talento, grande cultura ou ser formada em escolas famosas. Como mostra sua fisionomia, ela será infeliz, antipatizada pela família e pelas demais pessoas, e terá de chorar lágrimas de solidão e desespero.
Portanto, se sua fisionomia for a própria felicidade, infalivelmente você será feliz. Possuir ou não escolaridade ou cultura, isso nada tem a ver. Faça com que sua fisionomia seja alegre e feliz. Seja você homem ou mulher."

No volume 1 da Verdade da Vida, o Mestre Masaharu Taniguchi nos disseca os três tipos de pensamentos existentes. Um é o pensamento propriamente dito, este que nós temos todo santo minuto, o segundo tipo é a palavra, ou seja, o pensamento falado. O terceiro tipo é a expressão fisionômica, justamente o título do nosso capítulo de hoje. Confesso que, quando li este trecho, dei menos atenção à chamada expressão fisionômica como forma de pensamento. Hoje, lendo, em especial a primeira parte deste capítulo, mudo de ideia. E, cotejando com o preceito diário que acabei de transcrever, do dia 03.07, que trata de palavras negativas, vejo a importância de uma expressão fisionômica feliz, como forma e manifestação de um pensamento positivo, em detrimento de uma cara jururu, que lhe seguirá, infalivelmente, um pensamento negativo.
Na segunda parte do texto, o professor Seicho Taniguchi, repetindo várias admoestações feitas por seu sogro ao público feminino, exemplifica às mulheres a importância de uma happy face. Os amigos podem encontrar várias destas admoestações, se minha memória não falha, no 18o e último capítulo do volume 7 da Verdade da Vida, em alguns capítulos do volume 16 (se não me engano o quarto e o sexto capítulos) e provavelmente, ainda não li, no volume 29, chamado, não sei se com uma ponta de exagero, de "A Bíblia da Mulher".
A diferença é que o Prof. Seicho Taniguchi "unissexualiza" tal comportamento, lhe conferindo um aspecto universal à jururuzice humana. Ou seja, tanto homens como mulheres podem ficar de cara amarrada, não é privilégio (!?) de nenhum sexo tal comportamento.
Em resumo, uma fisionomia feliz (por sua natureza de pensamento humano) está intrinsecamente ligado ao modo feliz de viver. Anotem tudo isso, pois, quando chegarmos ao fim do livrinho, pretendo fazer uma síntese de cada capítulo, para sabermos, afinal de contas, o conteúdo de um verdeiro modo feliz de viver.
E nem chegamos na metade do livrinho ainda!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Sonho E Vida - Pg. 27

"Três garotas colegiais perambulavam tarde da noite pela cidade. Convidadas, aceitaram carona de um desconhecido. O carro desgovernou-se, e todos os seus ocupantes morreram. Tal acontecimento nos ensina que não devemos aceitar impensadamente convites de pessoas que nem sequer conhecemos. Há outros casos de jovens que são envolvidos em outros tipos de acidente.
O problema está na postura de vida dessas pessoas que andam perambulando pelas ruas altas horas da noite. Mas, se o lar em que vivem fosse alegre e sólido, elas não seriam tentadas a esse tipo de vida. A vida das pessoas é sempre protegida por alguém. E, à medida que vão crescendo, a proteção vai sendo retirada. Assim como o bambu: é protegido por grossas cascas enquanto é tenro broto, mas, à medida que cresce, as cascas vão caindo, e o jovem bambu vai-se desenvolvendo na direção do céu, ostentando frondosas folhas.
O bambu jovem bem como o bambu já idoso são resistentes, porque estão todos unidos pelo caule subterrâneo. Também o ser humano deve estar firmemente ligado ao caule subterrâneo chamado Deus; do contrário, torna-se fraco. Por mais que afirmem enfrentar sozinhos a vida com coragem, aqueles que não descobriram Deus e nEle não creem são extremamente frágeis quando enfrentam situação crítica. Por mais inteligência e cultura que possam ter, ficam abalados e gritam por socorro quando se veem em perigo de vida, mas não conseguem ajuda.
Porém, a pessoa torna-se extremamente forte quando entende, do fundo do coração, que o homem é filho de Deus, Vida imortal, que vive infinitamente. Quando sabe que é imortal, ela nada teme. E, sendo a vida imortal possuidora de força e energia perfeitas, é rica, por mais que esteja apresentando pobreza no momento. Ou seja, a aparente dificuldade financeira não é seu estado verdadeiro.
Isso é análogo a sonhar que está perambulando no deserto sem nada possuir, mas, na realidade, estar dormindo no quarto de uma bela casa, sobre um confortável leito, e, ainda, acompanhado do cônjuge. Por mais que se debata, por mais que fale sonhando, não há problema nenhum. Mesmo porque possui o 'caule subterrâneo' unido a Deus E é Deus a fonte de toda a riqueza e felicidade. Que fato maravilhoso e digno de gratidão.
Será este mundo fenomênico exatamente igual ao sonho? Quase igual; só é mais ordenado e se manifesta de acordo com nossa mente, obedecendo à lei de causa e efeito. O sonho também é produto da mente. Este mundo fenomênico também vem sendo criado de acordo com o enredo escrito pela mente. E por isso é possível levar uma 'vida solitária no 'deserto' de Tóquio', semelhante à vida solitária no deserto.
Mas não faz sentido ficar indefinidamente nesse sonho solitário, falando coisas sem nexo. Devemos despertar o quanto antes, conhecer a Imagem Verdadeira e agradecer. Diz-se que pessoas 'craques' em falar dormindo chegam a acordar com a própria voz, mas também são acordadas por alguém ao seu lado. Agradecendo a esse alguém, despertemos já, de uma vez!"

Bem amigos deste brógui! Neste dia aparentemente aziago, em que o Brasil perdeu para os holandianos de maneira inacreditável, sendo desqualificados da Copa do Mundo, o que aprender com o capítulo de hoje? Muito bem, ele se chama "sonho e vida". O que é vida? O que é sonho? É a nossa vida um sonho?
Desde a minha mais tenra infância, consigo reconhecer, ainda em sonho, se estou sonhando ou não. E, se o sonho for interessante e tenho a consciência de estar num sonho, logo me decepciono. Isso acontece, por exemplo, quando consigo algo no sonho, por exemplo, um livro. Se eu sonho que ganhei um livro, e logo em seguida tenho a percepção de que estou sonhando, o meu livro sonhado vai durar enquanto eu estiver sonhando, e logo me decepciono, porque não posso levar tal livro para a vida real (a não ser, claro, se eu o compre, mas aqui, na vida real!).
Ei, eu disse vida real? O que podemos entender por isso? E, continuando nosso exemplo, imaginemos que eu acorde dizendo que vou comprar este livro ainda hoje, e compre o referido opúsculo. Agora sim, posso senti-lo em minhas mãos, ler os capítulos que não consegui ler no sonho. Mas, e se de repente morro, bato a caçuleta, ou, se alguma alma generosa de mim se lembrar, viro tabuleta no Hoozo? Não estou separado do objeto da minha afeição de novo? Mas, espera aí. eu não disse antes que essa era a "vida real"? Que realidade é essa então?
Ah, caríssimos, o essencial e o verdadeiro é invisível aos olhos, já diziam tantas outras pessoas, o próprio Mestre fala isso, na Verdade vol.7, cuja metade acabei de ler. O fenômeno é o sonho, ou o pesadelo, nossa "vida real" é a Imagem Verdeira. Não por outra razão que a Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade afirma:

"Força que não seja Bem, isto é, força que traz infelicidade, não passa de pesadelo.
Vida que não seja Bem, isto é, a doença, não passa de pesadelo.
Todas as desarmonias e imperfeições nada mais são que pesadelos.
Sendo o pesadelo aquilo que dá força ativa à infelicidade, à doença, à desarmonia, à imperfeição,
estas se assemelham às diabólicas opressões que, em sonho, podem nos fazer sofrer;
mas, ao despertarmos, percebemos que não existe força alguma para nos oprimir;
nós é que nos oprimimos com a nossa própria mente" (pg. 43-44)

Ter a nítida consciência disso é, efetivamente, ter a consciência do Modo Feliz de Viver.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Visão de Grandes Sábios - Pg. 23

"Um conhecido que residiu por algum tempo nos Estados Unidos e retornou ao Japão contou-me que o maior problema que ele teve naquele país foi com a saúde. É sabido que os Estados Unidos não são terra insalubre. Há muitas regiões cujo ar e temperatura são mais agradáveis que os do Japão. Mesmo em Los Angeles e Nova York, não faz tanto calor, e acho até que metrópoles japonesas têm ar mais poluído que aquelas cidades.
Mas, segundo a experiência daquela pessoa, quando adoece, o tratamento aplicado pelo médico americano não é adequado ao organismo de um japonês. Acho que são receitados remédios em dosagem apropriada aos americanos, mas exagerada para um japonês, além de muito fortes. Sentiu que metade seria suficiente, mas não quis jogá-los fora, desperdiçando remédios. Afirmou que se sente melhor tratando-se com médico japonês.
Todas as nações têm qualidades e defeitos. É desejável que as qualidades sejam ampliadas, e os defeitos corrigidos. Desde tempos antigos, o espírito dos ocidentais tem sido analítico. Científico, em outras palavras. Seu estudo é mais voltado para o lado de dividir, decompor, e, por outro lado, em se tratando de estudo de seres, coisas e fatos na sua totalidade, os orientais são mais desenvolvidos. Diante da postura científica dos ocidentais, os orientais são mais afeitos à metafísica.
Portanto, mesmo na Medicina, o estilo japonês não era do tipo em que os especialistas analisam cada parte do corpo, separadamente. Mas, hoje, fazem uso de grande quantidade de aparelhos. A cabeça é examinada por um especialista da cabeça, o sistema respiratório é examinado por um especialista na área, o mesmo acontecendo com o sistemqa digestivo etc., tudo de forma especializada. Jogam os exames no computador e tentam chegar a uma conclusão; mas ajuntamento de partes não é, de forma alguma, o todo.
Hoje, a Medicina japonesa em muitos grandes hospitais, tornou-se bastante especializada. Desenvolveu extraordinariamente a área de diagnósticos, mas, quanto ao tratamento da doença - que no final depende muito da mente, e guarda relação com o modo de ver a vida, o modo de ver o mundo - pelo que vejo, a Medicina não chega a este ponto.
Quando a pessoa pensa 'Quero viver, que alegria, obrigado' e quando pensa 'Quero morrer, que aborrecimento, que ódio", ocorre grande diferença fisiológica. É essa diferença que se torna a chave que determina se manifesta-se ou não a força que cura, mas, pelos exames por partes, por especialistas, não é possível detectá-la. Assim sendo, não se tornam dados do computador.
Daí a necessidade não só de remédios ou habilidade na cirurgia, mas também de seres humanos virtuosos, que tenham mente alegre, assim como de tratamentos e cuidados com amor, que não sejam maquinais, padronizados. No Japão, ainda há muitos lugares com esse tipo de calor humano, sensibilidade. Se, por acaso, desaparecer tudo isso, a Terra tornar-se-á um lugar tão sem graça quanto a superfície lunar.
É preciso, principalmente, que surjam mais indivíduos que considerem o ser humano como um todo, internamente. São esses seres verdadeiramente eruditos , que podem ser chamados de grandes sábios. Tais sábios olham para o ser humano eterno e indestrutível, que transcende a vida e a morte. Quando tocadas pelo coração destas personalidades, muitas pessoas vão sendo curadas fisica e espiritualmente."

Belo trecho este. Gostei. E me fez lembrar de um koan (questão para meditação, de origem budista) que o Mestre fala em alguns livros, mas que, de memória, me recordo de constar em Imagem Verdadeira e Fenômeno, e que se chama o Carro de Keichu, se não me engano.
É mais ou menos o seguinte: algum cidadão teve a ideia brilhante de desmontar um carro inteirinho, até a menor peça, para depois se perguntar (ou perguntar aos outros) onde estava o carro? Ora bolas, o carro estava no conjunto, e não nas peças individuais.
Tal raciocínio tem várias implicações. Vejamos algumas:
1. O ser humano não é apenas a mistura bem sucedida de carbono e água, regulado por uma massa gelatinosa de um quilo e meio e bombeado por um músculo de uns 250 gramas. Não se subdivide em partes, e sim, no seu todo;
2. Paralelamente a isto, um ser humano, apesar de individual, não é único. Raciocínio mais difícil de se aceitar, partindo do ponto de vista ocidental, que, como diz o professor Seicho, é analítico, específico. Somos todos parte de um todo maior chamado humanidade. O primeiro capítulo do volume 7 da Verdade, que estou lendo agora, por sinal, apresenta semelhante raciocínio.
3. A terceira e última implicação que faço nesta questão é o seguinte: há um filósofo ou sociólogo famoso no século passado, Durkheim se não me engano, ou Hauriou (seja lá quem for destes dois, trata-se de sociólogo mesmo) que criou a Teoria das Personalidades. Explico: todos nós, durante nossa vida e em determinadas situações, assumimos determinadas e específicas personalidades, meio que obscurecendo nossa verdadeira personalidade. Explico: eu acordo e saúdo minha mãe. Para ela, eu sou o Filho. Saio para o trabalho e encontro conhecidos. Para estes conhecidos sou o Amigo, ou, simplesmente, o Conhecido. Chego no trabalho e encontro meu chefe. Para ele, eu sou o Empregado. Saio do trabalho e me encontro com minha augusta noiva. Para ela, eu sou o Noivo. Depois, volto para a casa e me encontro com minha mãe, e volto a ser o Filho.
Sacaram? O Filho não tem a mesma personalidade do Amigo, que por sua vez age diferentemente do Empregado, que por sua vez nada tem a ver com o Noivo. Assumimos diversas personalidades (adaptações) perante o meio ambiente, mas somos sempre o mesmo. Sempre o mesmo Ser Humano.
Assim, é em busca desta unicidade como Ser Humano, que serve o texto de hoje. A visão do sábio não é a visão que pretende ver o ser humano como um amontoado de carne, uma partícula na multidão ou uma diferente personalidade no mundo: é tudo isso junto, formando esse belo exemplar da criação chamado Homem.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Modo Feliz de Viver - "Não Tem" Não Existe - Pg. 19

"Ao viajar por várias regiões para realizar palestras em Grandes Seminários, tenho oportunidade de viver muitas experiências. E todas elas me ensinam algo, me fazem refletir e me fortalecem. Certo dia, estava redigindo um artigo de revista num hotel, e, de repente, a caneta ficou sem tinta. Procurei a carga de reserva, mas não a encontrei. 'Sempre ando com pelo menos uma carga sobressalente', pensei, e procurei nas duas bolsas que havia trazido, mas não a achei.
Então, pedi à pessoa que me acompanhava na viagem para que fosse comprar uma carga nas imediações, mas ela não conseguiu encontrar. De fato, o hotel fica em frente ao Templo Kashiwara, portanto, não há lojas que vendem tais objetos. Só encontrou tinta em vidro, e acabei de redigir o artigo usando essa tinta.
Mesmo assim, pensei 'Devo ter essa carga de reserva em algum lugar' e procurei na bolsa com mais atenção, e achei-a! A pequena bolsa de mão tem vários bolsinhos, e um deles tinha outro bolsinho menor. Nesse pequenino bolso, encontrei uma carga de reserva. Eu havia me esquecido desse bolsinho.
Achei a carga de reserva, mas, até encontrá-la, foi como se ela não existisse. Mesmo uma carga de reserva de caneta, de uns cinco centímetros de comprimento, me fez grande falta enquanto eu pensava que não a tinha, apesar de estar ao alcance de minha mão. De modo análogo, muitas pessoas pensam que não possuem talento ou capacidade de cura apesar de os possuírem, e sinto pena delas - este incidente me fez relembrar o que sempe costumo falar nos Grandes Seminários.
Muitas pessoas possuem latente, dentro delas, grande quantidade de capacidade. Portanto, se treinarem para exteriorizá-la, essa capacidade se manifestará infinitamente, mas elas não agem assim. Isto porque acreditam 'Não possuo capacidade'. Certa pessoa pensou 'Não tenho capacidade para vendedor'. É que se impôs autolimitação, pensando 'Não sou bom orador'. Mas a capacidade do vendedor não está em sua oratória. O mais importante é a sinceridae, e todas as pessoas a possuem. Mas essa pessoa pensou 'Para ser um bom vendedor, é preciso saber falar bem', impôs-se esse limite e achava que não tinha capacidade.
Mas, hoje, estamos numa era em que, para vender, não basta enumerar com desembaraço as qualidades do produto. Aliás, o próprio comprador tem mais conhecimento sobre novos produtos, quer seja máquina fotográfica ou automóvel, a ponto de muitos vendedores afirmarem 'Aprendo muito com os compradores entusiasmados'. Basta trabalhar com afinco, com sinceridade, orando pelo cliente. Um vendedor chegou a consertar o carro seminovo do cliente, e este acabou adquirindo um automóvel novo. Ele presenteou o cliente com a sinceridade e o conhecimento de técnicas de conserto, e acabou-se tornando um dos melhores vendedores de automóvel do Japão".

Boa noite a todos. O que podemos apreender do capítulo de hoje?
Muito embora o professor Seicho sequer mencione, o tema Imagem Verdadeira margeia todo o capítulo, tanto quando trata do episódio da carga de tinta, quando, também, menciona a questão da potencialidade humana.
Assim, isso reforça mais o conceito de exteriorização da Imagem Verdadeira através do esforço e da prática constantes. Não por acaso que todos, do mais recente adepto ao mais graduado preletor em grau bambambam afirmam que Seicho-No-Ie é, real e efetivamente, PRÁ-TI-CA.
Sim senhores. Não adianta eu ler toda a coleção "A Verdade da Vida", ler de lambuja a coleção "A Verdade" (só aí vão 51 robustos volumes) para, na vida prática, se achar o mais indigno dos seres. Necas de pitibiriba. A Imagem Verdadeira está aqui, diante de nós, pronta para ser usada e, porque não, abusada. Agora, se não exteriorizamos nossa potencialidade, aí fica difícil.
A revista Superinteressante deste mês apresenta uma reportagem sobre o Sucesso, e seus componentes. Uma das coisas que mais me chamou a atenção, enquanto folheava a revista, era a menção ao livro de Malcolm Gladwell, "Outsiders - Fora de Série", que também tenho. No livro se fala a regra das dez mil horas. E o que vem a ser isso?
Basicamente é o tempo que se leva para adquirirmos excelência em uma determinada atividade. Citando o exemplo dos Beatles, o autor afirma que eles tocaram durante dias, temporadas inteiras em Hamburgo, e, concomitantemente, adquiriram tarimba suficiente para, mais tarde, se tornarem no que são hoje.
Em suma, o autor descobriu o tempo digamos ideal para a exteriorização da nossa Imagem Verdadeira, seja em que atividade for.
Mas, para isso, tal e qual a Seicho-No-Ie, é preciso apenas uma coisa: prática.
Até o próximo capítulo!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Criança Pequena e Esposa - Pg. 15

"O amor é maravilhoso. O amor tudo cria e desenvolve. Não há ser vivo que se desenvolva sem amor. O amor tudo purifica. Não sentimos nojo quando a sujeira foi feita por alguém que amamos. Para a mãe, trocar a fralda suja do bebê não é nenhum sofrimento. Portanto, ela não deve sentir nenhuma repugnância da sujeira na camisa do marido...
Mas uma senhora confessou que sentia tanto nojo da camisa do marido que lavava primeiro as roupas dela e a do filho, e, com a água suja que sobrava, lavava as roupas do marido, pisando-as. Na época, ela odiava o marido. Mas, não sendo ele um completo estranho, após aprender que seu marido é originalmente um único ser com ela, passou a lavar as roupas dele em primeiro lugar.
Assim, as pessoas vivem refletindo sua mente no mundo exterior. Portanto, o fato de a mulher desejar ser bela não é, jamais, algo ruim. Aliás, isso é maravilhoso. Não é natural considerar isso um mal.
Mas a beleza não está no corpo carnal que a mente do ego pensa ser eu próprio. Mesmo uma pessoa que sofreu queimadura e ficou com o rosto desfigurado, é bela, se vive com o coração puro. É bela aquela pessoa que, apesar de vestir roupas miseráveis, anda recolhendo latas vazias jogadas nas estradas dos campos e montanhas.
Por outro lado, não se pode dizer que seja verdadeiramente bela uma mulher de aparência elegante, dirigindo um luxuoso automóvel, se ela anda jogando, pela janela deste automóvel, tocos de cigarro ou latas vazias.
O protótipo de beleza existe no mundo da mente, que transcende o mundo dos sentidos. É essa beleza que se manifesta material e carnalmente. Mas, quando há algum impedimento, essa manifestação torna-se distorcida. Também a mente fenomênica, às vezes, pode manifestar-se de forma distorcida.
Porém, a mente, que contém o protótipo da beleza, não é distorcida. No fundo de uma mente perversa, existe a mente que contém o protótipo da beleza, e basta manifestar essa mente com naturalidade. Como podemos fazer isso?
O mais importante é reconhecer esse protótipo, ou seja, a Imagem Verdadeira. Não devemos ficar pensando 'Minha mente é distorcida', ou 'Sou, por natureza, maçante'. Não existe uma só pessoa que possua mente tão desagradável. Todas as pessoas têm bom coração, são francas, capazes de manifestar naturalmente gratidão e alegria.
Damos a isso o nome de coração de criança. Essa pequenina garota vive sorrindo, exprimindo contentamento por qualquer coisa. Ela manifesta alegria, só pelo fato de um adulto aceitar o objeto que ela oferece. Ela sorri alegremente, só de olhar para o rosto do adulto. Tenho certeza de que tal criança crescerá e se tornará uma esposa que sorri alegremente, só de olhar para o rosto do marido."

Bom, vamos comentar este trecho de hoje? Começo a gostar de comentar estes trechinhos com vocês...
O tema de hoje versa sobre a beleza e o conceito de beleza. Como vocês devem estar carecas de saber e de meditar, a verdadeira beleza encontra-se no mundo da Imagem Verdadeira, este verdadeiro manancial de nossa individualidade divina. E, nada mais natural, aliás, é o propósito deste livrinho (sempre vou bater nesta tecla!) nos lembrar sempre que a nossa verdadeira alegria, a verdadeira felicidade, em suma, o verdadeiro modo feliz de viver é em sintonia com o glorioso MIV (Mundo da Imagem Verdadeira).
O professor ST se bate muito na questão da beleza feminina, que até encerra, de modo poético, este capítulo. No entanto, pode ser aplicado, mui apropriadamente, aos homens também, sem o menor medo de parecer, ou ser, digamos, metrossexuais. É que a verdadeira beleza não necessita de cosméticos, suores numa academia ou coisas semelhantes. Precisa apenas de nossa afinação ao MIV. E isso, por incrível que pareça, pode se dar, inclusive, inconscientemente.
Assim, recapitulemos, mais uma vez: Viver alegremente significa sentir alegria espiritual. Alegria espiritual é reconhecer a perfeição do MIV (desculpem as insistentes abreviações, mas, vocês entendem...) em detrimento da imperfeição do mundo fenomênico. É saber que não se pode mudar o mundo fenomênico, porque ele é intrinsecamente imperfeito (importantíssimo ponto este, talvez o mais importante deste livrinho). E, com a lição de hoje, aprendemos que a beleza, o belo, também está intrinsecamente ligado ao mundo da Imagem Verdadeira. Captaram?

Um pequeno adendo: não sei se neste livro vai se tratar especificamente deste assunto, mas lanço aqui uma curiosa indagação (pleonasmo, como se alguma indagação não tivesse um mínimo de curiosidade...): quando estava transcrevendo o capítulo de ontem, veio a mente uma questão: se vivemos aqui no fenômeno e sabemos, intuitivamente, da existência do MIV, através de que canal, de que túnel, de que ponte estes mundos tão díspares se comunicam? Quem, assim como eu, foi criança na década de 80, deve se lembrar do desenho animado "Caverna do Dragão". Como aquela turma vivia num universo paralelo, que, volta e meia no fim de cada desenho, abria-se um canal para passar por estes universos. A minha pergunta é exatamente esta: como ativar este canal? Se o livrinho não me responder nos próximos capítulos, me lembrem para retomar o assunto?
Até a próxima, fui!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Conclua O Que Começou - pg. 11

"Se você pretende iniciar uma nova vida, agora é a melhor hora. Novo ano traz nova força, novas ideias surgem, assim como novos apoiadores e novos colaboradores. Mas, para que isso aconteça, é preciso que seu coração esteja cheio de vivacidade e frescor. Você não deve ficar apegado a hábitos retrógrados. Não fique entregando-se às lembranças dos 'velhos e bons tempos'. Será mesmo que 'os tempos antigos foram realmente bons'?
Certamente, no passado aconteceram fatos bons, mas houve também ocorrências ruins. As boas lembranças são ampliadas; e as más, apagadas. Assim acontece a sublimação do passado. Mas o presente é por demais vivo para ser sublimado. É preciso, porém, saber que há nestes presente vivo abundantes possibilidades de correção. Enquanto está quente, o ferro toma a forma que quisermos.
Você, agora, encontra-se num novo ponto de partida. Por mais sombrio que tenha sido o ano anterior, este ano pode ser feliz e promissor. Por mais fracassos que tenha tido no ano passado, neste ano é possível corrigir o rumo e conduzir-se ao sucesso. É exatamente quando vence dificuldades que seu caráter ganha luz. É quando lhe falta algo que a pessoa consegue manifestar força extraordinária. Alguém que já tenha, desde o nascimento, posição social, dinheiro e talento não se esforça para exteriorizar sua grandiosa potencialidade.
É como o espaço sideral, que é repleto de luz, mas, sem nada para refleti-la, ele é uma escuridão; quando existe algo que a reflita, a luz passa a brilhar. A força maravilhosa que existe dentro de você passa a brilhar com resplendor, quando se esforça para vencer uma deficiência sua. Portanto, você não deve temer por não ser perfeito no momento presente. Não se apegue ao fenômeno. A Imagem Verdadeira é sempre perfeita e harmoniosa. Não confunda a magnificência da Imagem Verdadeira com o aspecto fenomênico. O mundo fenomênico nunca deixará de ser imperfeito. É no fundo dessa imperfeição que existe a perfeição.
Entendendo isso, você será capaz de, corajosamente, realizar qualquer coisa. Com essa capacidade de fazer tudo, você deve vivificar a experiência adquirida até agora e terminar o que ainda está por concluir. Assim, desenvolvendo infinitamente a natureza divina, descubra as possibilidades do amor e da sabedoria. Você vai continuar trabalhando no mesmo lugar e levando a mesma vida familiar, não porque lhe falta capacidade para mudar, mas por estar concluindo o que começou fazer. Enquanto não concluir seu trabalho e a sua obrigação familiar, você deve persistir nesse trabalho. Isso é comparável a um pintor que conclui lentamente um quadro seu inacabado. Não é porque 'só consegue fazer isso'; você vai 'levar até o fim a obra que começou'.
Terminando um quadro, passe para o desafio de pintar um novo quadro. É nessa hora que acontecem grandes transformações em sua vida. Falência, perda de emprego, morte, mudança de endereço etc. constituem o início de um novo esboço. Jamais hesite. Avance vigorosamente, rumo à nova vida, com esperança e entusiasmo!"

Boa tarde quase noite, amigos! Escrevo este post logo depois da vitória do Brasil sobre o Chile, que nos habilitou às quartas de final com os competentes holandianos, ou melhor dizendo, os holandeses, que, na minha modesta opinião, é o único país que merecia um título mundial e infelizmente, não tem... mas, deixemos de filosofar futebol e filosofemos sobre a Imagem Verdadeira, que é bem melhor!
Muito bem. No prefácio do livro, estudado ontem, vimos que o objetivo do livreto que estamos estudando aqui é o estudo do bem viver, que vem a ser o viver alegre, e que, mais ainda por sua vez, vem a ser o viver com alegria espiritual, a única que não deforma, não solta as tiras e não tem cheiro fenomênico. Encerrei minhas preliminares conclusões questionando sobre o que significa, para o professor Seicho, tal alegria espiritual. E começamos, neste primeiro capítulo, a vislumbrar alguns pontos assaz interessantes, que tentarei listar aqui. Vamos lá?

1. Fica claro que este texto é escrito no início de um ano qualquer. No entanto, acho que já falei aqui antes, se não me manifestei antes, falo agora: todo início de dia não deixa de ser o início de um ano, se ele for efetivamente determinante em nossas vidas. No momento em que nos decidimos por mudar algo, este é o verdadeiro início do ano, mesmo que este dia seja um 28 de junho qualquer...

2. É interessante também a crítica que ST faz dos nostálgicos de plantão, que acreditam piamente que bom mesmo eram aqueles velhos tempos. Interessante posição quanto à sublimação do passado. Ele faz tais considerações introduzindo o assunto para o campo das possibilidades, especificamente das possibilidades de correção. E aí entra um fato curioso.

3. Cada vez mais me convenço, e leio na literatura seichonoieísta orientações de que o famoso Mundo da Imagem Verdadeira encontra-se escondido neste mundo fenomênico sob o manto do ambíguo termo chamado potencialidade. Evoquei, quando narrei minha palestra no Carlos Victor em 19.06, um dos conceitos que o Mestre Masaharu Taniguchi deu para Imagem Verdadeira, presente na página 60 do vol. 17 da Verdade da Vida, em que ele qualifica IV como a potencialidade inata no ser humano, potencialidade esta voltada unica e exclusivamente para a manifestação da verdade, do bem e do belo, em detrimento das inexistentes mentira, mal e feio!

4. E é usando a potencialidade existente no Mundo da Imagem Verdadeira que chega o professor Seicho ao tema central de seu pequeno capítulo: concluir o que começou. Como? Simplesmente partindo do brilhante raciocínio de que "a Imagem Verdadeira é sempre perfeita e harmoniosa. Não confunda a magnificência da Imagem Verdadeira com o aspecto fenomênico. O mundo fenomênico nunca deixará de ser imperfeito. É no fundo dessa imperfeição que existe a perfeição".

5. Amigos, nada mais perfeito do que esta constatação. Leiam várias vezes o trecho que repeti aqui, até tornar-se um pequeno mantra: não confundamos nunca o mundo da Imagem Verdadeira com o mundo fenomênico, este sim, eternamente destinado à imperfeição; no fundo da imperfeição existe a perfeição. Esta sim, pode se dizer que é uma verdadeira joia do pensamento espiritual da Seicho No Ie.

6. Falo isso porque quantos de nós esperamos a perfeição no mundo fenomênico, e não conseguimos. Na realidade, olhamos com os óculos errados, vemos tudo escuro, tudo imperfeito, tudo nublado. Quem esteve na minha palestra no Carlos Victor, quando tratei da troca de correspondências entre o prof. Taniguchi e o teatrólogo Hyakuzo Kurata, presente no livro A Humanidade é Isenta de Pecado sabe do que estou falando (para quem não se recorda, é o capítulo em que o sr. Kurata questiona o prof. Taniguchi de que não existe o mundo do Jisso, e sim o mundo do Jakko, ou seja, da penumbra, em que se veem mesclados aspectos claros e escuros da existência humana).

7. Resumindo: buscar a perfeição aqui no mundo fenomênico é tentar contar os grãos de areia de uma praia, ou seja, impossível. Impossível porque a perfeição não se encontra aqui, encontra-se em algo mais bem acabado.

8. E este "algo mais bem acabado" é sugerido, embora não dito expressamente por ST, como a disciplina que temos de ter neste mundo para, efetivamente, concluir o que começamos, seja lá o que for. E, nesta parte, mais um belo trecho foi escrito: "Você vai continuar trabalhando no mesmo lugar e levando a mesma vida familiar, não porque lhe falta capacidade para mudar, mas por estar concluindo o que começou fazer"

9. É uma mudança total de paradigma, ou seja, você passa a encarar os desafios com uma nova mentalidade, a mentalidade de ter ao seu lado uma força maior, maior do que o fenômeno que te rodeia, a força da Imagem Verdadeira.

10. Quando estava transcrevendo o trecho aqui no blog, me lembrei de um outro trecho do livro "Minhas Orações", que tem algo a ver com o que acabamos de ver. Curiosamente, é o mesmo trecho do mais novo lançamento da SNI, A Verdade, Vol. 7, na pg. 361, quem já tiver o livro e querer consultar, esteja à vontade. No meu caso, pego mesmo o primeiro livro já mencionado, que em sua pg. 161 apresenta a Oração Para Conseguir Emprego Melhor. Transcreverei no próximo ponto, e peço aos leitores a fineza de comparar com o penúltimo parágrafo do trecho estudado. Vejam se uma coisa efetivamente não leva a outra!

11. "Somos felizes quando apreciamos o emprego atual. O pior momento da nossa vida é quando estamos insatisfeitos com o nosso emprego. Nessas ocasiões, quem quer que seja, com certeza , deve estar a procura de um emprego mais adequado para si. No entanto, uma pessoa não pode viver sem um emprego e para viver, mesmo a contragosto, é necessário permanecer em seu atual emprego. Se não conseguimos agradecer ao atual emprego, não encontraremos outro melhor. Por mais enfadonho que seja o trabalho, não pense em fugir dele. Para conseguir agradecer realmente ao emprego atual, ore do seguinte modo:

'Este emprego é o local de trabalho mais adequado para mim neste momento.
Deus me colocou neste lugar para aprimorar a minha alma.
Terminado o aprendizado da alma, receberei um 'diploma' deste lugar e poderei passar para um emprego melhor.
Sei que este momento se aproxima.
Para concluir o curso atual com excelente aproveitamento, dedico-me de corpo e alma ao trabalho atual e o realizo com a máxima perfeição possível.
Por isso eu trabalho com prazer.
Todos reconhecem o meu esforço, louvam-me e simpatizam comigo.
Ao meu redor não existe um inimigo sequer nem obstáculo algum.
Somente boas oportunidades existem."

12. Captaram a semelhança das ideias no que tange ao "concluir" algo?

13. Resumo da ópera: Para vivermos de modo feliz, com alegria espiritual, devemos nos conscientizar de que estamos neste mundo para concluir sempre algo, e que concluir neste sentido significa exteriorizar toda a nossa potencialidade escondida no mundo da Imagem Verdadeira. E que as aparentes dificuldades nada mais são que auxiliares para provarmos a nós mesmos a nossa capacidade infinita. Ok? Tá ficando bom o nosso estudo, amanhã teremos mais!

domingo, 27 de junho de 2010

O Modo Feliz de Viver - Prefácio

"Vivemos neste mundo para nos alegrarmos. Há quem pense que vive para sofrer, mas, no fundo do seu coração, deve haver forte desejo de viver com alegria. Porém, se corrermos atrás da alegria sensorial, nossos sentidos acabarão acostumando-se com o estímulo, e não sentiremos alegria por muito tempo. Podemos, após algum tempo, apresentar sintomas de dependência física ou doença.
Tais sintomas são a voz do céu nos aconselhando 'Procure mais alegria espiritual'. Por céu entenda-se Deus. O ser humano possui, dentro dele, a natureza divina, natureza búdica. Doença, fracasso, falência, perda de amor, relação amorosa ilícita etc. são todos ações autodesintegradoras que nos fazem voltar para a voz do céu.
Em vista dessas ações autodesintegradoras, as pessoas pensam de forma equivocada que viver é sofrer, mas elas são uma espécie de aviso: 'Mantenha distância deste perigo'. Como o calor que nos obriga a retirar rápido a mão colocada no fogo. Portanto, devemos agradecer a elas. É assim, obedecendo à voz de Deus, que sentiremos alegria de viver. E, com certeza, poderemos bradar do fundo do coração: 'Viver é sentir alegria!'"

Tóquio, 12 de agosto de 2002
O Autor
Vamos começar pelas últimas palavras do professor Seicho: "Viver é sentir alegria". Este trecho me lembra o célebre samba de Gonzaguinha "O Que É, O Que É?", com o imortal questionamento sobre o que é a Vida ("Viver, e não ter a vergonha de ser feliz/cantar e cantar e cantar a alegria de ser um eterno aprendiz...") Este e aquela mais esquecida composição de Benito di Paula, "Tudo Está em Seu Lugar", são, com o perdão do sincretismo aqui apresentado, legítimos sambas Seicho-no-ie. Depois eu dou as letras, voltemos ao texto, que é o que nos interessa...
Então tá. Viver é sentir alegria, é sentir alegria ESPIRITUAL, alegria DIVINA, e não alegria fenomênica, equivalente àqueles tesouros que, como Jesus Cristo já dizia, se corroem com o tempo e as traças. E as aparentes desgraças que surgem em nossas vidas nos alertam que existe esse modo feliz de viver, tal como o calor que nos obriga a retirar a mão do fogo (como gostam de uma metáfora nossos líderes da SNI!).
Ok ok, tudo muito bom, tudo muito bonito. Mas como fazer para alcançar essa chamada alegria espiritual, não fenomênica? Bom, não vos esqueçais que a Alegria é um dos seis atributos divinos, ou vocês se esqueceram de que, quando estamos shinsokando, estamos imersos no "oceano da infinita alegria de Deus"?
Então a questão toda é sentir alegria espiritual, a base para um verdadeiro viver espiritual. Se viver é sentir alegria, logo inferimos que o objetivo de uma obra chamada "O Modo Feliz de Viver" é justamente descobrirmos como alcançar esta felicidade espiritual. Ou estaria errado? Acho que não.
Um outro trecho interessante está logo no início do livro: "Vivemos neste mundo para nos alegrarmos". Este determinismo divino é interessantíssimo. Me lembra um trecho de uma música do Caetano, que dizia q "gente não foi feita pra sofrer", o resto eu não me lembro mais.
Assim, delimitamos o objeto da presente obra: descobrir o modo feliz de viver. Já temos uma importante pista: é viver buscando a alegria espiritual, em vez da fenomênica. E este viver é uma obrigação e uma determinação divina endereçada a mim, a você, ao seu inimigo, ao dono do mercado em frente à sua casa, ao seu chefe intragável, ao amor da sua vida, ao Dunga, ao Maradona, ao Lula, ao Barack Obama, ao Masanobu Taniguchi, ao mendigo que perambula na esquina da tua casa, ao bêbado que insiste em cheirar mal em frente a tua casa, ao drogado caído numa cracolândia da vida, ou seja, a todo mundo, a toda a humanidade.