Espaço destinado a apresentar ideias da Seicho-No-Ie e discutir temas filosóficos, do cotidiano e religiosos em geral (o que dá quase a mesma coisa!) OBS.: TUDO O QUE EU ESCREVER, POSTAR OU CONJECTURAR AQUI É DE MINHA ÚNICA E EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE, SENDO QUE ESTE BLOG NÃO POSSUI NENHUMA RELAÇÃO COM A ENTIDADE RELIGIOSA SEICHO-NO-IE SALVO A PROFUNDA IDENTIFICAÇÃO QUE TEM PARA COM SUA FILOSOFIA E SEUS ENSINAMENTOS.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Da Vigésima Palestra
O único senão que houve foi eu ter chegado tarde, vinte minutos após o horário. Se fosse com seu Cléber...
E a palestra? Ora, meus queridos, claro que disponibilizarei, mas só no próximo post...
domingo, 29 de agosto de 2010
Viver de Modo Agradável - Vivamos de Modo Agradável - Pg. 63
"Mesmo uma paisagem que comumente é muito feia parece bonita quando amanhece coberta pela neve, porque o 'manto' macio e branco esconde todas as impurezas. Mas, quando os raios do Sol derretem a neve, coisas velhas e sujas reaparecem, tornando evidente que a sujidade não desapareceu e que o local não ficou limpo.Usei este fato como uma metáfora para explicar que, também na vida, de nada adianta esconder os defeitos e os erros. Por mais que tentemos ocultá-los adornando-nos por fora, os esforços serão inúteis. Portanto, em vez de tentar camuflá-los, devemos concentrar os esforços em melhorar por dentro, praticando o bem. Sempre que descobrirmos uma falha em nós próprios, devemos corrigi-la imediatamente.
É desnecessário mentir para ocultar o erro cometido. Algumas pessoas me perguntaram: 'E no caso de alguém me mandar dizer o que não deve ser dito, como devo proceder?'. Talvez haja quem pense que, em tal circunstânicia, é natural optar por fazer declarações falsas, mas não convém agir desse modo. É melhor dizer, por exemplo: 'A respeito disso, nada posso dizer nesse momento'. Existe uma frase útil, bastante usada, que é 'Sem comentários', cujo significado é o mesmo que 'nada a declarar'. Se as personalidades importantes do governo fossem obrigadas a responder a todas as perguntas dos repórteres, é provável que a política mundial se tornasse caótica.
Talvez algumas pessoas contestem: 'Quer dizer que vale ocultar certos fatos?'. Quero deixar claro que esconder os erros e as falhas é diferente de não revelar certas questões da vida íntima, o que é uma atitude natural. Ninguém faz suas necessidades fisiológicas diante de outras pessoas. Todos as fazem discretamente, num lugar adequado, longe das vistas alheias. Trata-se de uma conduta natural, muito diferente de ocultar ou camuflar os erros. É também natural as pessoas não mostrarem a sua nudez em público. Isso faz parte das regras de boas maneiras e nada tem a ver com falsidade.
Deus não revela tudo a nós, seres humanos. Por isso, você não sabe até que idade vai viver, nem tem ideia de quem vai ser seu cônjuge e onde esta pessoa está atualmente. São coisas que não podem ser reveladas agora. No momento certo, você saberá de modo natural. Devemos todos ter uma conduta natural, praticando atos naturais com honestidade, alegria e prazer. Não devemos tentar ocultar a todo custo os nossos erros e as nossas falhas, mas também não precisamos escancará-los propositadamente.
As pessoas tendem a se preocupar com questões sem importância, receiam os pontos de vista e as críticas dos terceiros e, com isso, gastam energia e se estressam. Em consequência, reincidem nos erros, afligem-se e, muitas vezes, acabam adoecendo. São muitas as pessoas que vivem receosas das mais variadas coisas e, por causa disso, adoecem, cometem erros ou sofrem ferimentos. Devemos todos viver de modo condizente com a nossa natureza original de filhos de Deus, ou seja, viver com dignidade, honestidade e coragem. Não ocultar a verdade nem dizer mentiras - esse é um modo de viver que proporciona satisfação pessoal e bem-estar espiritual."
Com essas palavras o professor Seicho Taniguchi encerra o livrinho e nós encerramos o estudo do terceiro livro dele, após "O Modo Feliz de Viver" e "Convite Para a Felicidade"... o que podemos deste último capítulo apreender?
É mais ou menos como o resumo de toda a obra. Afinal de contas, viver de modo agradável significa, em poucas palavras, apenas isso: viver de forma natural. Simples, não? Mas como é viver desta maneira?
Faço aqui uma reflexão: sou advogado, e amiúde vou dormir (ou pior, acordo) ruminando problemas de importância transcendental como prazos de contestação e de uma apelação, por exemplo. Listo, antes das seis da matina, todos os meus afazeres, algo que só vou, efetivamente, fazer, mais de três horas depois. Não digo que isso é uma constante, mas esse seria, digamos, o modo natural de um advogado viver seu cotidiano, não?
E, vejam bem, já tive colegas que chegaram ao cúmulo de sonhar (isso mesmo, sonhar!) com determinados prazos... isso é que é dedicação fulltime ao trabalho, isso é que é ser workaholic!
Bom, mas respondam a minha última pergunta do penúltimo parágrafo: isso é o modo natural de um advogado viver seu cotidiano? A resposta é NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!! Ou melhor, um advogado até pode, mas um filho de Deus, NÃÃÃÃÃÃOOOO!!!
Aplico este exemplo ao meu caso, mas agora convido todos os meus diletos leitores a fazer a mesma reflexão. Quantos de nós deixamos de viver de modo natural por problemas facilmente solúveis que tendemos, sempre, a enxergar com o mais potente microscópio de nossas ilusões?
Fica aqui a lição: viver de modo agradável é viver de modo natural. E viver de modo natural exige, por mais paradoxal que seja, prática. Isso mesmo, prática e reeducação mental para discernir o que é verdadeiro e o que é ilusório em nossa vida. Como cantavam os Titãs, "devia ter me importado menos com problemas pequenos..."
Aliás, vamos encerrar este post com esta bela canção? Acessem então http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs... leiam os comentários que se seguem e vejam que a busca por uma vida natural não é exclusividade apenas dos praticantes da Seicho-No-Ie!
E ao som deles me despeço de mais este estudo! Muito obrigado, e até o próximo estudo!
sábado, 28 de agosto de 2010
Palestra 28.08.10 - Capítulo 17 do Livro dos Jovens - A Conscientização Que Faz Exteriorizar A Capacidade Infinita do Homem
CAPÍTULO 17 – A CONSCIENTIZAÇÃO QUE FAZ EXTERIORIZAR A CAPACIDADE
ILIMITADA DO HOMEM – PGS 225 – 251
2 “A sorte é como um cavalo preguiçoso: não corre se não lhe dermos chicotadas. Não devemos mimá-la” (pg. 241).
3 “O que mais precisamos nesta vida é de alguém que nos ajude a exteriorizar plenamente as nossas capacidades. As pessoas que nos prestam esse valioso auxílio são os nossos amigos: bons amigos, sinceros e leais. Andando em companhia de bons amigos, conseguimos progredir facilmente. Bons amigos são como poderosos imãs que ‘extraem’ as qualidades ocultas dentro de nós. Quão valiosos são os bons amigos que nos ajudam a abrir completamente a porta do ‘tesouro’ que existe dentro de nós mesmos! Os verdadeiros amigos são aqueles que entendem nossos pensamentos e sentimentos, mesmo quando não os expressamos através de palavras; são aqueles cuja companhia é suficente para que se estabeleça logo um perfeito ‘entrosamento de almas’; são aqueles que aumentam a nossa capacidade, unindo a sua à nossa, e possibilitando-nos realizar coisas que nós próprios julgamos impossíveis de realizar” (in O Livro dos Jovens, pg. 125-126)
4 Reflitamos um instante: Não seria este “homem positivo” o homem conectado com Deus através do Shinsokan?
5 “Se nós desejarmos realizar algo para a felicidade da comunidade, poderemos contar com a cooperação do subconsciente de toda a humanidade, pois estaremos em sintonia com Deus e teremos inteiro apoio dEle. Por isso, um desejo dessa natureza será infalivelmente concretizado. Mas, se permitirmos que nesse desejo se infiltrem ambições egoístas, ele se tornará impuro, deixaremos de receber o apoio do subconsciente da humanidade, não entraremos em harmonia com o grande Amor de Deus, e consequentemente não poderemos concretizar esse desejo” (Yoshihiko Iuassaca, A Prosperidade em Suas Mãos, pg. 59-60),
6 Esse “eu positivo” é nossa Imagem Verdadeira. Comunicamo-nos com ela, ou melhor, a contemplamos através do Shinsokan.
7 Não por outra razão a Seicho-No-Ie é considerada uma filosofia prática de vida: “Não existe nem fé, nem a compreensão da Verdade e nem a iluminação fora da vida cotidiana, a Verdade deve ser posta em pratica” (Do livro Seishishu, “Meditações” in O Livro dos Jovens, pg. 273).
8 “O que é possível realizar agora, poderá tornar-se impossível depois. Agora é o momento! ‘Agarrem’ a possibilidade do agora! Conquistem o ‘agora’, à vontade! A partir daí, vocês poderão descortinar o futuro” (A Verdade da Vida vol. 7, in O Livro dos Jovens, pg. 260).
9 Porque o homem negativo é fenomênico, comete erros, ao passo que o homem positivo é espiritual, perfeito.
10 Vejam as considerações tecidas na segunda lição de Nasmuch.
11 “Irmãos da Seicho-No-Ie! Agora é a sua hora! É agora, ou nunca! Irmãos! Com grande determinação, realizem, agora mesmo tudo que lhes cabe fazer neste momento! Este é o modo de viver da Seicho-No-Ie. Esse é o modo de viver que está em conformidade com a Lei do ‘Desenvolvimento (manifestação) da Vida’. (A Verdade da Vida, vol. 7, in O Livro dos Jovens, pg.260.
12 O que é este conselho senão um convite para praticarmos o Shinsokan todos os dias sem falta?
13 Por isso aqueles velhos conselhos de “Orai e Vigiai”, “Orai sem Cessar” na Bíblia, e “Iluminar a mente, praticando a Meditação Shinsokan todos os dias sem falta”, Oitava Norma Fundamental dos Praticantes da Seicho-No-Ie.
Da Décima Nona Palestra
Palestra de 24.08.10 - O Trabalho Não É Sofrimento
Trabalhar. Do lat. Vulg. *tripaliare, “martirizar com o tripalium”. Da ideia de “sofrer”, passou à de “esforçar-se, trabalhar”. Suplantou laborare e operare. Tripalium era instrumento de tortura, composto de três paus (tres “três” e palu “pau”), destinado a sujeitar bois e cavalos que não se deixavam ferrar. A ideia de “sofrimento” ainda está na expressão “trabalho de parto”. Deve ter havido uma forma intermediária *trebalhar (cf. Trepalium em decisões dos concílios de Auxerre e Macon), prov. Trebalhar, cat. Treballar, alto aragonês treballar.
No Japão do Mestre Masaharu Taniguchi, o conceito de trabalho também é semelhante. Trabalhar, em japonês, significa hataraku, que, na obra “Minhas Orações”, na pg. 166, significa “dar conforto ao próximo”. Analisando-se o ideograma de “trabalho” em japonês, destacamos as seguintes partes:
O ideograma hataraku em japonês subdivide-se em três ideogramas, da direita para a esquerda: hito pessoa; kasaneru, pesado, e tikara, força. Bem literalmente, pessoa fazendo força pesada. Isso denota a visão materialista do trabalho, mesmo numa sociedade tão culturalmente distinta da ocidental, como a japonesa.
Comunidades no Orkut (vistos em 19.08.10)
“Eu Detesto Segunda-feira: 783.022 participantes
“Trabalho não é ruim, ruim é ter de trabalhar” : 63.308 parrticipantes
“Odeio Segunda-feira”: 25.939 participantes
“Droga! Amanhã é Segunda-Feira”: 22.789 participantes
“Segunda-Feira não devia existir”: 14.892 participantes
“Hoje é Segunda-feira 13”: 1.992 participantes
“A história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo da gleba, membro da corporação e aprendiz, resumindo, opressor e oprimido, estiveram em constante oposição uns contra os outros; conduziram uma luta ininterrupta, aberta ou disfarçada, uma luta que por vezes terminou na transformação revolucionária da sociedade inteira, ou então com a ruína comum das clases em lutas (...) A nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade cada vez mais se divide em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que se enfrentam diretamente: burguesia e proletariado (...) Ela afogou nas águas geladas do cálculo os sagrados temores do fervor religioso, da exaltação cavalheiresca e da melancolia pequeno-burguesa. Fez da dignidade pessoal uma ilusão e, no lugar das liberdades garantidas, gratuitas e plenamente adquiridas, colocou apenas a inconsciente liberdade de comércio. Em uma palavra, substituiu a exploração velada por ilusões religiosas e políticas pela exploração fria, direta e aberta. A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então tidas como veneráveis e encaradas com religioso temor. Transformou em trabalhadores assalariados o médico, o advogado, o padre, o poeta e o cientista.1”
O trabalho, visto pelo prisma espiritualista, é resumido em uma única frase: Proporcionar o bem ao maior número possível de pessoas.2 Não por acaso, este é o princípio da prosperidade da Seicho-No-Ie, ou seja, o “Dá e Receberás”, como exposto no prefácio da “Chave da Provisão Infinita”: “Hoje, o mundo empresarial do Japão sofre as consequências da crise econômica. Ocorre isso porque os empresários disputam com a mente que usurpa, achando que sua empresa prosperará se vencer o concorrente. Entretanto, obtém-se a prosperidade perene ao colocar em prática a lei 'Dai e ser-vos-á dado'” (pg. 7).
A remuneração em dinheiro é apenas um benefício concomitante do processo de aprimoramento pessoal, e não o objetivo principal da profissão. Por maior que seja o valor da remuneração, se a pessoa oferece seu labor com o único objetivo de ganhar dinheiro e não leva uma vida de dedicação ao próximo, está se vendendo e, portanto, não diferec daquelas que praticam a prostituição. Lamentavelmente, muitas pessoas só pensam no valor da remuneração, não conseguem captar a essência da profissão, que é a oportunidade de auto-aprimoramento, e vivem buscando o aumento salarial. Com esse objetivo, incitam os companheiros à luta ou são instigados pelos agitadores e, tornando-se militantes ferozes cheios de ódio, agem de modo a destruir a própria dignidade.
Se alguém estiver trabalhando com o único objetivo de ganhar remuneração em dinheiro, estará vendendo a si próprio. Esse comportamento é o mesmo que o da prostituição. Com certo exagero, podemos dizer até que essa atitude é um pouco pior do que a prostituição, pois, de modo geral, quem se prostitui vende somente o contato da pele ou da mucosa do seu corpo, mas quem trabalha visando unicamente à remuneração está vendendo o corpo inteiro. Aquele que trabalha apenas para ganhar dinheiro não está conscientizado do verdadeiro significado nem do profundo valor espiritual do trabalho (...)
Nós sabemos que as palavras emitem determinadas ondas de vibrações. Portanto, quem estiver exercendo uma função na forma de trabalho, por influência da vibração da palavra, estará tendo um sofrimento. Se o trabalho fosse sofrimento, seria evidente que quem trabalhasse com esse pensamento desejaria diminuir sua carga horária, exigindo uma maior remuneração. Por isso, devemos nos conscientizar, cada vez mais, do real significado do trabalho e sua importância. Na língua japonesa, a palavra trabalho é expressa pelo ideograma hataraku, o qual tem o significado de “oferecer conforto aos outros”. Nesse caso, o esforço e a dedicação ao trabalho devem proporcionar bem-estar aos semelhantes. É evidente que esse trabalho se torna gratificante e motivante.
Aparentemente, o “trabalho” parece ser um meio para se obter dinheiro, porém o seu verdadeiro e o mais importante significado é “servir à humanidade”, é “manifestar amor”, é “desenvolver a alma” através dele. Sem trabalho, não podemos ser úteis à humanidade, nem manifestar nosso amor, nem desenvolver a nossa alma. O trabalho é uma “atividade da vida” destinada a aprimorar e elevar a nossa alma. O trabalho é uma oportunidade para manifestar a nossa vida, a Vida que recebemos de Deus. Portanto, podemos dizer que a pessoa que não exerce nenhum trabalho é alguém realmente infeliz. A pessoa que deixa de trabalhar está abandonando a “escola da vida” e está renunciando a manifestação de sua preciosa energia vital. (...)
O homem, através da execução de algum trabalho, torna-se útil a seus irmãos da vida em sociedade e, ao mesmo tempo, encontra uma oportunidade de polir a sua alma. Essa é a missão com que o homem nasceu aqui na Terra. Com a execução de um trabalho útil, o homem consegue descobrir a razão de viver e adquire confiança em sua força vital.
Qualquer trabalho, por mais insignificante que seja, estará ligado ao “Amor de Deus” se tiver como finalidade vivificar os familiares e o próximo. Enquanto estivermos realizando esse trabalho como que servindo, sentiremos a alegria e a razão de viver, em proporção direta à nossa dedicação a ele. Se alguém não consegue sentir a alegria de viver, é porque está dedicando sua vida apenas a si próprio, deixando de vivificar os outros.
Minha oração já foi ouvida, muito obrigado” (A Verdade da Vida, vol. 8, pg. 161)
2Esta não é uma verdade exclusiva da Seicho-No-Ie. O economista austríaco Ludwig von Mises, em sua “A Mentalidade Anti-Capitalista”, assim se expressa, na pg. 15: “Para quem reclama da injustiça do sistema de mercado, cabe somente um conselho: se quiser enriquecer, tente satisfazer o público oferecendo-lhe algo mais barato ou de que ele goste mais (...) Porque essa é a lei da democracia econômica de mercado. Aqueles que satisfazem um número menor de pessoas conseguem menos votos – dinheiro – do que os que satisfazem o desejo de mais pessoas”
3Reconstruindo a Vida Humana, in “Você É Dono de Potencialidade Infinita”, pg. 210.
4A Verdade da Vida vol. 7 in “Você É Dono de Potencialidade Infinita”, pg, 211
5No Bhagavad Gita consta este belo trecho dito por Krishna (Deus): “Se eu não agisse sem cessar e me retirasse de minhas manifestações, a humanidade em peso ficaria sem luz nem orientação e acabaria por se perder. Se, por um momento, eu deixasse de agir, pereceria o mundo inteiro, vítima do caos – e minha seria a culpa da ruína da humanidade (Cap. 3, 23-24)
6A Verdade, vol. 9 in “Você É Dono de Potencialidade Infinita”, pg, 215-216.
7A Prosperidade Em Suas Mãos, Yoshihico Yuassaca, pg. 59-64.
Da Décima Oitava Palestra
Vamos lá então, com a décima oitava...
Viver De Modo Agradável - Tudo Amadurece - Pg. 59
"Quando era jovem, eu pensava que a beleza da mulher desaparecias com o passar dos anos. Mas, à medida que fui avançando na idade, percebi que a beleza da mulher permanece mesmo com o passar do tempo. Compreendi que o âmbito do belo é muito amplo e que em cada faixa etária - infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice - as pessoas têm a beleza própria da idade.Tornar-se idoso é ver ampliado cada vez mais o âmbito do amor; é notar cada vez mais a existência do belo e compreender que tanto as crianças e os jovens como os idosos têm a beleza peculiar à idade. Indo ao exterior, será possível perceber a beleza dos estrangeiros, como também apreciar as belas paisagens locais.
Posso ficar encantado com a beleza estrangeira, mas isso não quer dizer que deixo de admirar a beleza em meu país. Meu país continua belo, e as suas peculiaridades me tocam o coração. O que quero dizer é que, ampliando o âmbito do conceito de belo, torna-se possível compreender cada vez mais as diferentes formas do belo.
A mulher também passa a compreender melhor a beleza masculina quando amplia a mente. Ampliando a mente, as pessoas tornam-se capazes de compreender a diferença entre as qualidades femininas e as qualidades masculinas. Compreendem que ambas têm a mesma importância, apesar das diferenças, e que elas não se confrontam, e sim complementam-se.
Portanto, o movimento feminino não deve consistir em suscitar antagonismo e rivalidade contra os homens; pelo contrário, deve ser um movimento para que as mulheres colaborem com os homens, valorizando as próprias qualidades e mostrando suas peculiaridades e sua autonomia. Devemos todos cuidar para não ter a mente estreita e egocêntrica. O correto é ter a mente ampla, flexível, compreensiva e bem organizada.
As três organizações da Seicho-No-Ie, que são as Associações Pomba Branca, Fraternidade e dos Jovens, já existem há bastante tempo, e creio que se tornaram organizações de mentalidade ampla, de uma beleza profunda, de natureza espiritual. Em outras palavras, amadureceram com o passar dos anos.
Se ainda existirem alguns pontos imaturos, certamente serão corrigidos logo. As organizações amadurecerão e conseguirão descobrir diversas expressões do belo e do bem deste mundo, que antes passavam despercebidas. E, com certeza, elas se fortalecerão cada vez mais e desenvolverão atividades que têm grande poder de atrair as pessoas.
Quando as Associações amadurecem, tornam-se fortes e atraentes; assim, é natural que consigam reunir idosos, jovens, homens e mulheres. Consequentemente, nossas atividades se tornam imbatíveis, onde quer que sejam realizadas.
Eu consigo ver beleza nas mulheres idosas, e também admiro sinceramente a beleza das que estão no auge da maturidade. Espero que a Associação Pomba Branca seja sempre uma organização dinâmica que, mesmo com o passar do tempo, não perca a beleza, tornando-se cada vez mais profunda e apurada. Digo o mesmo a respeito da Associação Fraternidade e da Associação dos Jovens."
Amadurecimento é o tema deste capítulo, amadurecimento analisado em várias vertentes. O amadurecimento é o progredir do arroubo da juventude para a idade madura. Lembro-me da frase de Victor Hugo: "Nos jovens arde a chama, nos velhos brilha a luz". É bem por aí. Na realidade, chama e luz são dois extremos altamente desejáveis, e em vários momentos da nossa vida necessitamos, ora da chama, ora da luz...
O amadurecimento também significa estabilização e auge de uma determinada situação ou condição. O Machado de Assis maduro é bem melhor do que o jovem; imagine se dessem para o pequeno Quincas, batedor de sino nas Igrejas do Centro do Rio há século e meio atrás, um bloco de papel e uma breve ideia para o mesmo escrever Dom Casmurro? Certamente a ideia não vingaria, não?
Ainda no campo da Literatura, soube outra ocasião que o "Fausto" de Goethe levou uma vida inteira, isto mesmo, uma vida inteira para ser escrita. Isso porque o autor nunca se sentia satisfeito com sua obra, que, afinal de contas, é um dos colossos da literatura mundial...
E para alcançarmos a maturidade não há outro jeito, senão esperar. A perseverança é favorável, a prática idem. E prática sem pressa, sem querer queimar ou passar por cima de etapas...
E assim iremos, como a própria SNI, progredindo infinitamente, amadurecendo também infinitamente...