terça-feira, 7 de setembro de 2010

Poema de Congratulação Pelo Sesquicentenário da Independência do Brasil - Masaharu Taniguchi

Finalizando esta série de pequenas mas sinceras homenagens ao Brasil, vamos postar o belo poema que o Mestre Masaharu Taniguchi escreveu para homenagear os 150 anos de independência do Brasil, isso lá no longínquo 1972, quando o autor destas linhas existia somente no Mundo da Imagem Verdadeira, sequer era espermátide em seu pai e ainda estava alojado no ovário de sua mãe... quando eu era presidente da Associação Local, eu li umas duas ou três vezes para os adeptos.
Peço aos leitores que comparem esta poesia com a do Olavo Bilac, postada ontem. Não que seja igual, mas tem muitos pontos convergentes. Vamos lá? Para quem quiser saber a fonte, é o livro A Luz Avança Transpondo Fronteiras, de Miyoshi Matsuda, pg. 173:

"De muito longe, saúdo o Brasil,
segunda pátria do povo japonês
Muitos irmãos nossos para aí imigraram
e contribuíram para o progresso desse país.
Um país ideal, jamais visto até hoje em magnanimidade.
Acolhe povos do mundo inteiro, sem discriminação,
integrando-os e oferecendo-lhes uma pátria.
O Brasil é o único país capaz de realizar
o ideal da humanidade, a Federação Mundial dos Povos.
Com área vinte e três vezes maior que o Japão,
com verde a perder de vista,
com riquezas incontáveis nas florestas virgens,
a borracha, o café, o cacau, o algodão, a pimenta etc.
surgem com o esforço dos desbravadores,
em quantidade infinita.
As montanhas que despontam acima do verde,
com inúmeros vales em seus sopés,
abrigam ouro e pedras preciosas de todas as cores.
Reunindo infinitos afluentes de água potável
corre o rio Amazonas por 6.360 quilômetros,
com 3 milhas de largura.
Extraordinária é a generosidade do país,
acolhendo sem distinção povos do mundo inteiro,
lembrando o ideal do Japão quando de sua construção.
Belos, curiosos e incontáveis pássaros
voam nas verdes matas,
cantando em louvor ao sesquicentenário da Independência do Brasil,
fazendo ecoar a sublime sinfonia da Natureza.
Sim, o Brasil é o paraíso terrestre escolhido pela Natureza
que o enfeitou com todas as belezas imagináveis.
O profeta Dom Bosco já anunciava Brasília
como local escolhido por Deus
para instalar a capital e
iniciar o ciclo de prosperidade do Brasil.
Pois, chegou essa hora.
O desenvolvimento da capital
desse gigantesco país
prossegue firme
e nele festejam o sesquicentenário da sua independência.
Contemplando de longe nossa segunda pátria,
Sinto alegria sem fim.
Manifesto, com todas as minhas forças
e de todo o coração,
minhas congratulações ao país mais vituoso do mundo,
reverenciando-o deste longínquo Japão.

Três reverências"

É de emocionar, não é? Notem o fato da segunda pátria do povo japonês. Eu pensava que era mero elogio do Mestre, mas soube depois que o Brasil foi o país que mais recebeu japoneses no exterior.
Vejam as várias (e agora atualíssimas) referências à natureza. Muito lindo, não?
E vocês, o que acham? Aguardo comentários!

Oração Para Manifestação da Imagem Verdadeira do Brasil

E, claro, não poderíamos encerrar esta Cerimônia de Purificação da Mente sem antes recitarmos, todos juntos, a Oração Para Manifestação da Imagem Verdadeira do Brasil. Todos em posição de oração, por gentileza, por gentileza:

"Neste momento, fluem do mundo da Imagem Verdadeira a infinita Sabedoria e o infinito Amor de Deus. Através destas infinitas forças o Brasil se torna tão perfeito quanto já o é no mundo da Imagem Verdadeira. Deus, Muito Obrigado!"

Vamos fazer esta oração duas vezes, como manda o ritual, imaginando que nosso país já está manifestando toda a sua perfeição que lhe é inerente!
Muito obrigado!

Alguns Comentários

1. Quando liguei uma coisa na outra, logo me emocionei: vejam se todas as estrofes se equivalem a colocar no papel tudo o que de ruim existe no país para, na última estrofe, reafirmar a "perfeição" da Imagem Verdadeira do Brasil?
2. Os comentários no link do You Tube classificam esta música como se fosse o Hino Nacional Brasileiro. Eu não chegaria a tanto, muito embora reconheça a beleza da música. Mas que ela resume muito bem a natureza de uma Cerimônia de Purificação da Mente, ah, resume!
3. Para quem não sabe, essa Cerimônia funciona, individualmente, da seguinte forma: você coloca num papel tudo o que de ruim está acontecendo na tua vida, as injustiças e as tristezas que você está passando e que outras pessoas estão fazendo contigo. Aí, este papel em que você colocou tudo de negativo que existe é queimado numa cerimônia onde é lida a Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade. Serve como um bom desabafo, e alivia muito, aliás, sendo ela bem feita...
4. E, nesta música o Renato Russo vem narrando todas as coisas ruins que acontece no Brasil para no final "celebrar a estupidez de quem cantou esta canção", ou seja, negar tudo aquilo que escreveu antes. Ou seja, na parte final ele "nega" tudo aquilo, dizendo que está "tudo morto e enterrado agora"... e finaliza com uma bela mensagem de que "nosso futuro recomeça"...
5. É ou não é uma bela mensagem para refletirmos neste Sete de Setembro?

A Purificação da Mente do Brasil

Salve salve, brava gente brasileira! Longe vá temor servil! Ou ficar a Pátria livre ou morrer sem feriado!!! Neste belo dia, que meteorologicamente contraria todas as vãs expectativas de um dia chuvoso, que tal fazermos algumas reflexões sobre o nosso Brasil brasileiro, nosso mulato inzoneiro?
Sim, amigos, vou cantar-te nos meus versos, nos meus, não, reconheço humildemente a genialidade de Renato Russo e sua Legião Urbana, que, em mui feliz composição, e creio que sem conhecer a Seicho-No-Ie, compôs a mais bela Purificação da Mente coletiva que já ouvimos, que vem a ser a música Perfeição. Leiam os versos dela, acessem o link do clip e vejam comigo se esta música é ou não é uma bela Cerimônia de Purificação da Mente, no caso a Mente Coletiva. É para escutar fazendo a sutra, inclusive!
Leiam:

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E sequestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

O link para acessar o clip é: http://www.youtube.com/watch?v=UueCjRrQLM4&ob=av3n. Vejam e comentem: não é mesmo uma Purificação da Mente?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Canção do Exílio - Gonçalves Dias

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Pátria Minha - Vinícius de Moraes

"A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílioAssistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

Soneto À Pátria - Olavo Bilac

"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A Natureza, aqui perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que a vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece.
Criança! Não verás nenhum país como este!
Imita na grandeza a terra em que nasceste!"